William levantador da Seleção

William, levantador da Seleção, vai para a primeira Olimpíada (Foto: Inovafoto/CBV)

Daniel Bortoletto
07/08/2016
06:35
Rio de Janeiro

Aos 37 anos, o levantador William, um dos estreantes da Seleção Brasileira masculina de vôlei em Jogos Olímpicos, hoje, contra o México, às 11h35, ainda não pensa na aposentadoria. Mas já tem um emprego garantido para o pós-carreira, caso queira: assumir a função de lapidar novos levantadores nos Estados Unidos.

O convite partiu de John Speraw, técnico da seleção americana e um dos rivais do Brasil na briga pelo ouro na Rio-2016. Ambos se conheceram em Irvine, na Califórnia, durante um torneio amistoso jogado pelo Sada/Cruzeiro, time do jogador. Anos depois, eles se reencontraram na Liga Mundial, em um Brasil x EUA. Rivalidade à parte, Speraw reforçou o convite e manteve contato com William.

– No final de um jogo, ele veio me perguntar se eu tinha interesse de trabalhar, já que estava assumindo a UCLA (famosa universidade local). Falei que jogaria mais alguns anos, mas se o convite estivesse em pé no futuro eu iria pensar com muito carinho – revelou William ao LANCE!, que cursa Educação Física e faz cursos extras de Ciências Políticas e Administração.

Formado e pós-graduado em biologia e genética na UCLA, Speraw divide atualmente seu tempo entre a seleção americana e o comando do time da própria universidade desde 2012. No passado ele foi jogador na Califórnia (meio de rede) e conseguiu ser campeão da NCAA, o torneio que reúne as universidades do país, algo que repetiu como comandante em Irvine por três vezes. Nos Jogos de Pequim-2008 e em Londres-2012, ele era assistente da seleção americana. Ele assumiu o comando da equipe em 2013, já tendo conquistado a Liga Mundial uma vez.

Atualmente, ele e William conversam ocasionalmente. Na próxima quinta-feira, serão rivais pela terceira rodada do Grupo A. E certamente o assunto será deixado de lado por um motivo mais nobre.

– É muito legal ter uma chance de trabalhar para desenvolver o vôlei. Eu estou estudando, pensando bastante nisso. De vez em quando trocamos algumas ideias. Ele me disse que tinha duas vagas e uma foi preenchida. É difícil amadurecer uma decisão, tenho família, dois filhos pequenos. Mas morar fora é uma oportunidade que eu gostaria de dar a eles – admitiu o levantador.

BATE-BOLA

Você já tem 37 anos. Já pensa em aposentadoria?
Antes de eu parar, quero ainda ter uma oportunidade de jogar fora, na Europa. Seria interessante para mim e para toda a minha família. Mas quero estender ao máximo minha carreira como jogador. Não tenho ideia de quando irei parar.

Você já se prepara para o pós-carreira, então?
É um abismo esse pós-carreira. Tenho um pouco de medo, tanto que faço vários cursos. Estou fazendo faculdade de Educação Física, além de cursos extras de Ciências Políticas e Administração.

Como é a sua relação com o Speraw?
Falamos às vezes, trocamos ideias. No início eram duas vagas, mas uma já foi preenchida. Tinha uma regra de ser uma delas para um formado e outra para quem não fosse. Mas já falei para ele que jogarei mais alguns anos. Nunca foi um convite concreto, mas uma sondagem superficial. Falo que se o convite estiver de pé quando parar vou pensar bastante.

Como está sendo a sensação de disputar pela primeira vez a Olimpíada?

É um momento único. É muito bacana estar neste clima, ao lado dos melhores atletas do planeta. Admito para você que está sendo a realização de um sonho.