Jonas Moura
13/08/2016
07:30
Rio de Janeiro (RJ)

Britta Buthe já rodou o mundo, foi vice-campeã mundial em 2013 e tentava levar a Alemanha a um dos lugares no pódio dos Jogos Rio-2016 no vôlei de praia, ao lado da parceria Karla Borger. Mas Larissa e Talita, dupla mais temida na atualidade, frustraram seus planos. A jogadora alemã, que encarou uma série de vaias dos torcedores, não conteve as lágrimas. Antes "vilã", comoveu o público e jornalistas ao final da partida em Copacabana. Virou a "mocinha".

– Chorei por causa deste sentimento de que queríamos continuar. É tão boa a atmosfera dos Jogos Olímpicos, e só de pensar que amanhã vamos acordar e não poder jogar aqui de novo, ficamos tristes – disse a atleta, que negou ter se sentido desconfortável com a pressão da torcida brasileira.

– É bom, a gente gosta disso. A paixão do esporte está aí, dá prazer. Não acho que a torcida não foi o sexto jogador. Achamos até legal o fato de terem vaiado. O sentimento do esporte fala mais alto, e achamos que isso valeu a pena.

De família alemã, Buthe, de 28 anos, nasceu em Dearborn, em Michigan (EUA), mas mudou-se para a Inglaterra com seis meses de vida. Aos quatro, foi para a Alemanha, onde cresceu e se encantou pelo esporte. Até que, novamente, trocou de país. Estava de volta aos Estados Unidos, para estudar na Geórgia. 

A parceria com Borger foi formada em 2010. E logo vieram os bons resultados em torneios da Alemanha e nas etapas do Circuito Mundial. Não foram para os Jogos Olímpicos de Londres, mas traçaram planos para a Rio-2016. Na primeira fase, venceram um jogo e perderam dois, o que as levou à repescagem. Nesta etapa, garantiram a classificação contra as brasileiras e deram trabalho.

– Uma vez, conseguimos vencer o Brasil (na etapa de Maceió do Circuito Mundial). Mas foi divertido jogar aqui, sentindo a paixão da torcida. Estamos orgulhosas, apesar de termos perdido – disse Buthe.