Vanessa Cuba
17/08/2016
18:33
São Paulo (SP)

Dez anos atrás, Bruno Landgraf era apontado como um possível sucessor do ídolo Rogério Ceni no São Paulo. Porém, um acidente de carro na Rodovia Régis Bittencourt - na noite do dia 11 de agosto de 2006 - mudou repentinamente os planos do então jovem goleiro, que ficou tetraplégico.

Apesar de todas adversidades, Bruno se manteve forte e encontrou em outro esporte - a vela adaptada - a oportunidade de voltar a competir e recomeçar sua vida de atleta. Mais do que isso: uma motivação para superar os duros obstáculos da vida. Agora, ele se prepara para o maior desafio de sua nova carreira ao representar o Brasil com a equipe SKUD-18 nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro.

Desde o ano passado, Bruno está morando e treinando na cidade-sede do torneio. O atleta, que esteve nos Jogos Paralímpicos de Londres em 2012, explica que assim pôde se ambientar com a Baía de Guanabara, palco da competição:

- Está sendo bom treinar na Baía por ser o local do torneio. E também porque estamos com o material de competição, o que não tivemos na preparação para Londres - afirma ao LANCE!.

Questionado sobre a poluição na água, motivo de preocupação entre atletas e dirigentes estrangeiros, Bruno admitiu ter um pouco de receio, mas procurou demonstrar otimismo.

- No treino ainda tem lixo, mas está diminuindo. Espero que isso não atrapalhe nenhuma equipe  - diz.

Nos Jogos de Londres, Bruno não conseguiu um desempenho expressivo, terminando a disputa na 11ª colocação. No entanto, ele aproveitou a oportunidade para adquirir experiência e desde então obteve alguns bons resultados.

Em setembro de 2015, o atleta e sua parceira Marinalva Almeida conquistaram o ouro na Regata Rei Olav, sediada na própria Baía de Guanabara. Já em junho deste ano, a dupla ficou com a medalha de bronze na Welcome to Rio Regata, a última disputa no palco do torneio antes dos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

- Foi um bom treinamento (a Welcome to Rio Regata) com as regatas no local que vai receber os Jogos. Foi ótimo porque competimos com equipes do torneio e que estão entre as melhores do mundo na classe SKUD-18. O resultado é importante porque mostra que com seriedade e treinamento podemos melhorar - explica Bruno.

Faltando menos de um mês para o início dos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro, Bruno e sua equipe, a SKUD-18, estão focados em acertar os últimos detalhes. E apesar de comedido em relação a chance de medalhas, Bruno não descarta brigar pelo pódio. E não poderia ser diferente. Com a mesma determinação de quando defendia as bolas dos atacantes, Bruno está focado em suas novas metas.

- Esse mês é muito importante. Estamos acertando os últimos detalhes e aproveitando o máximo este período para chegar bem, fazer as manobras, e a velejada sair naturalmente. Temos como objetivo ficar entre os seis primeiros, mas vamos tentar usar as informações que temos para diminuir os erros. Então podemos sim brigar por medalha - sonha o paralímpico.

Vela adaptada: 

Na vela adaptada homens e mulheres competem juntos e podem ter qualquer tipo de deficiência. Existem três categorias: 2.4mr (individual), sonar (três atletas) e SKUD-18 (duplas, sendo um integrante do sexo feminino).

As competições acontecem em percursos sinalizados com bóias e o sistema de pontuação é baseado no nível de habilidade dos atletas. 

As regatas de vela adaptada dos Jogos Rio 2016 serão realizadas entre os dias 11 e 16 de setembro.

Bruno Landgraf no futebol:

Bruno foi revelado nas categorias de  base do São Paulo. Visto como uma grande promessa, o então goleiro defendeu equipes de base da Seleção Brasileira e conquistou a Copa do Mundo de Futebol Sub-17 em 2003.

Após se tornar profissional, Bruno era apontado como sucessor do ídolo Rogério Ceni e ainda foi convocado para a Copa do Mundo de Futebol Sub-20. Porém, ele não chegou a estrear no time principal do Tricolor Paulista.