Fellipe Lucena
31/07/2016
07:25
São Paulo (SP)

Os olhos roxos de Vitor Hugo desfazem qualquer dúvida sobre seu comprometimento com o Palmeiras. Dois dias antes de quebrar o nariz em trombada pelo alto com Leonardo Silva, no último lance da derrota para o Atlético-MG, o camisa 4 soube quem a diretoria recusaria a proposta de 7 milhões de euros (R$ 25 milhões) da Fiorentina por ele. Mesmo com o sonho de jogar na Europa adiado, o zagueiro continua entrando "de cabeça" nas divididas. Literalmente.

- Desde pequeno eu sou meio louco, não sei se essas pancadas estão me deixando mais louco (risos). Aqui no Palmeiras está acontecendo excessivamente mesmo, mas é coisa de jogo. Eu sempre falo a mesma coisa, que vou me precaver, e continua acontecendo. Se eu tiver que continuar batendo a cabeça para o Palmeiras continuar ganhando não tem problema - disse Vitor, que já coleciona cinco choques mais graves pelo alto desde que chegou ao clube (veja na galeria de fotos acima).

O jogo contra o Botafogo, às 18h30 deste domingo, no Estádio Luso-Brasileiro, será o 96º de Vitor Hugo pelo Palmeiras. Prestes a completar cem partidas pelo mesmo clube pela primeira vez na carreira, o defensor já pensa em ampliar a marca.

- Nunca completei por outros times, não. No América-MG era para ter completado, mas não deu tempo (fez 73). Espero conseguir chegar (risos). Enquanto não chegar não posso contar vitória, mas espero bater até 200 jogos se possível - acrescentou, em entrevista ao LANCE!.

Mas e a Europa? Vitor Hugo não esconde o desejo de jogar no Velho Continente - principalmente se for na Itália ou na Alemanha -, mas respeita a decisão tomada pelo clube, que não vai abrir mão de nenhum titular até o fim de 2016.
A conversa com Cuca sobre o assunto aconteceu minutos depois do encontro do zagueiro com a reportagem, na quinta, e o discurso já estava afinado: foco total no Verdão!

- A diretoria está nessa postura e temos de respeitar, porque foram eles que deram para a gente a chance de estar aqui. Temos de dar esse voto de confiança para a diretoria e acreditar na gente, porque aparece a oportunidade agora, depois aparece uma melhor - disse.

- Sinceramente, eu tenho vontade de jogar na Europa. Eu ouço muito falar que o futebol lá é totalmente diferente, é mais tático. O futebol italiano e o alemão têm pegada forte, meu estilo. Se for possível, tenho o desejo de jogar nesses países, mas tudo tem seu tempo. Eu quero ser o mais completo possível e acho que lá na Europa posso dar um grande passo para buscar isso, mas não tenho pressa, não.

Confira um bate-bola exclusivo com Vitor Hugo:


LANCE!: Como você quebrou o nariz?

Eu tinha certeza que era a última bola do jogo. O Tchê Tchê que foi cobrar o escanteio, deu uma cavadinha e eu olhei só a bola. O Leo Silva estava me marcando e eu meio que puxei ele, tirei da jogada, e fui para a bola. Não esperava que reagisse e fosse para a bola também. Acabou que ele cabeceou a bola e eu cabeceei a cabeça dele. Aí pegou bem no meio, começou a sangrar pra caramba. Fraturou um ossinho, mas falei com o
doutor e vou poder jogar, sem máscara, nem nada. Faz parte do
trabalho, né, cara?

Se precisar colocar a cabeça na frente do pé do adversário, pelo jeito, você coloca sem problema.
Ah, cara, se for preciso eu coloco. Minha mãe já me deu muito fumo, minha esposa falou um monte para mim também, que eu tenho que me atentar a isso, mas eu não consigo, cara. Se eu vejo que dá para chegar na bola eu tento até o último instante.

Mesmo com tantos choques, você sempre está entre os que mais jogam. Observa suas marcas?
Eu procuro estar sempre fazendo meu trabalho da melhor maneira possível. Eu fico contente, mas não sou preso a marcas. Eu quero retribuir a confiança do professor, dos companheiros, da comissão técnica... Acho que estou fazendo valer, né? Porque eles estão me mantendo esse tempo todo...