Thiago Ferri
09/09/2016
09:30
São Paulo (SP)

Gabriel Jesus não foi o único jogador do Palmeiras que contou com um trabalho intensivo para enfrentar o São Paulo. Moisés tratou até na folga para conseguir atuar uma semana depois de sofrer uma entorse moderada no tornozelo direito. O esforço do meio-campista impressionou no clube.

– O Moisés teve uma lesão importante no tornozelo, que pega uma estrutura que é de difícil recuperação. Nós montamos uma estratégia de tirar o que promove a dor do atleta, tentar manter o máximo de condicionamento físico e tratar. A interação entre os departamentos foi importante – ponderou Jomar Ottoni, fisioterapeuta.

– Ele (Moisés) se dedica muito, fica muito tempo aqui tratando... falo com tranquilidade porque o conheço, conheço sua família. Fim de semana eu tenho que brigar com ele para sair de folga, tirar a cabeça daqui. Ele é exemplar, sou muito fã da pessoa e do jogador. Ele é exemplar, se tivéssemos mais Moisés iria facilitar muito nosso trabalho – elogiou.

Por conta da lesão, o camisa 28 não participou de nenhum trabalho no campo antes do Choque-Rei e só jogou após passar por um teste no vestiário minutos antes. Sem limitações, o meio-campista saiu aos 34 minutos do segundo tempo, mas por cãibras na panturrilha, nada ligado à lesão.

- (A cãibra) era esperada, porque a gente protegeu esse segmento do corpo dele pela lesão no tornozelo. Vimos o mesmo Moisés que todos acostumaram a ver, sem se poupar. Tivemos plena performance do Moisés, graças à interação entre as ações médicas, ações de fisioterapia e o planejamento com a fisiologia do exercício. Hoje o Palmeiras vive uma realidade interessante nesta parte de suporte e isto nos motiva ainda mais. Aí a gente dá um passe junto, comemorar um gol mais comemorado. É um dia muito especial, o clube ganha em campo e a gente comemora de outras formas dentro da nossa realidade de prática - contou Gustavo Magliocca, fisiologista do Palmeiras.

Apesar da boa reação, o clube acompanhará a evolução de Moisés com cuidado. Segundo Ottoni, o trabalho de recuperação com ele continua.

– O objetivo é deixar ele trabalhar ao máximo com o resto do grupo. Mas se for necessário ele ficar fora de uma atividade ou outra, talvez até de um jogo, a gente tem que esperar a reação do corpo. Hoje (quinta) ele não teve inchaço, não teve dor no local da lesão, mas outras áreas começam a pagar este preço. A gente tem que tomar cuidado para não perder o atleta – encerrou Jomar.

VEJA UM BATE-BOLA EXCLUSIVO COM JOMAR OTTONI, FISIOTERAPEUTA:

- Qual a avaliação que faz do caso do Moisés?
É importante ressaltar. O pessoal fala: 'Ah, o Moisés machuca', mas ele teve uma lesão que foi uma fatalidade (fratura no pé esquerdo, no começo do ano), onde a trava entrou em um lugar pouco provável, uma lesão que não é comum no futebol. Ele voltou na metade do tempo previsto, muito mais por dedicação dele, nós fomos mais ferramentas, eles que determinam o caminho que a gente segue. Ele teve uma lesãozinha muscular, que também voltou antes. Eu o conheço do base. O Moisés começou no América-MG quando eu estava lá, então o conheço desde pequeno. Ele sempre foi um jogador muito intenso, forte. Ele sempre teve esse raciocínio de pensar com a bola, de fazer a coisa girar. Ele ainda está pagando um pouco o preço de ficar dois anos na Croácia.

- Por quê?
A gente sabe que a reabilitação lá não é tão desenvolvida como a brasileira, que no esporte é uma das mais avançadas no mundo. Eu fico até surpreso com a quantidade de jogos que ele aguentou fazer. Teve lesões? Teve, claro, mas ele ainda está em um processo de readaptação. Por mais que ele tenha ficado dois anos só, é um lugar que se joga pouco, e ainda teve uma lesão lá de menisco que ele ficou quase três meses parado. Jogando pouco e com três meses parado... O Moisés ainda vai dar muita alegria. Quando chegar no ritmo dos outros, a gente tem que ter com ele uma atenção muito especial, a gente tenta minimizar ao máximo. Ele não machuca demais, está no processo de readaptação. Ele vai render muito para a gente.