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Fernando Prass salta para defender o pênalti de Ruben (Foto: Marcelo Machado de Melo/Fotoarena/LANCE!Press)

Fellipe Lucena e Thiago Ferri
05/03/2016
07:00
São Paulo (SP)

Fernando Prass sempre foi um goleiro seguro, mas nunca visto como especialista em pegar pênaltis. Esta imagem o camisa 1 do Palmeiras começou a criar de um ano para cá, período em que defendeu oito cobranças - a última na quinta-feira, de Marco Ruben, atacante do Rosario Central (ARG). Para chegar nisto, ele teve algumas peculiaridades em sua preparação.

A primeira delas, nos treinos. Enquanto os jogadores passam o dia do jogo concentrados, o goleiro é o único que trabalha no gramado de manhã - o ritual foi repetido antes do confronto da Libertadores. Nessa sexta-feira, todos os outros titulares fizeram só atividades regenerativas, mas o destaque da vitória por 2 a 0 estava no gramado.

Desde o ano passado, os analistas de desempenho do clube enviam a Prass vídeos no WhatsApp com jogadas de bola parada, escanteios e cobranças de pênalti dos principais batedores de seus adversários. Só de Marco Ruben, por exemplo, o goleiro assistiu a dez diferentes batidas.

- O intuito é que ele (Prass) veja como o jogador corre para a bola, como posiciona o pé, se ele espera ou não. Só isso já ajuda. E tem leitura que só o atleta faz mesmo. Às vezes a gente nem visualizou aquilo e o atleta percebe, então eles acabam ensinando para a gente. "Olha lá, ele está correndo reto para a bola, então não vai bater cruzado" – explicou Gustavo Nicoline, um dos três analistas de desempenho do Palmeiras, ao LANCE!.

Prass leva os estudos a sério, tanto que costuma se reunir com os analistas antes dos jogos para ver os vídeos. Como recompensa, brilhou em decisões do Paulista e da Copa do Brasil em 2015. No jogo do título nacional, contra o Santos, foi o goleiro quem converteu a última cobrança de pênalti, algo que ele treina no dia a dia, mesmo não sendo a sua especialidade.

– Ele é um exemplo, treina no dia do jogo. No dia seguinte, vai para o campo normal. É o primeiro a chegar e o último a sair. Nada é por acaso – disse o técnico Marcelo Oliveira.

O trabalho com o goleiro deu tão certo que agora todos os jogadores recebem vídeos no celular analisando seus adversários. Com sua postura, Prass justifica porque é um líder dentro do elenco e ídolo da torcida.

Confira um bate-bola com Gustavo Nicoline, analista de desempenho do Verdão:


LANCE: Como é o trabalho de vocês?
O Ageu (auxiliar de Marcelo) sempre vai ver os jogos in loco. Ele senta com o departamento de análise, conversa sobre o adversário e montamos um compacto para os atletas. A gente passa informações individuais, monta um compilado de jogadas em vídeo e envia no WhatsApp do atleta. A gente consegue mandar vídeos de quem o jogador vai pegar, ter mais combate.

Isto começou com os goleiros?
É, foram as cobaias. A gente fez um grupo de WhatsApp com o treinador de goleiros (Oscar Rodríguez) e o treinador de goleiros do sub-20 (Danilo Minutti). Esse grupo foi um protótipo. O Prass dá muita atenção a isso e deu uma resposta muito boa. Depois que ficou certinho com os goleiros, expandimos para o grupo.

Como foi feita a análise das cobranças de Marco Ruben?
Do Marco Ruben, foram dez pênaltis. Se não me engano foram cinco cruzados (como foi o batido na quinta-feira) e os outros cinco variaram do meio para o outro canto.

OS PÊNALTIS DEFENDIDOS POR PRASS NO PALMEIRAS

30/7/2013
Na goleada por 4 a 0 sobre o Icasa, na Série B, Prass pegou o pênalti de Radamés e encerrou um jejum de três anos sem defesas de pênalti no Verdão.

19/4/2015
Na semi do Paulista, Prass pegou os pênaltis de Petros e Elias no Dérbi em Itaquera.

9/8/2015
Contra o Cruzeiro, no Mineirão, o Palmeiras perdeu por 2 a 1 no Brasileiro, mas o goleiro pegou o pênalti batido por Marinho.

28/10/2015
Na semifinal da Copa do Brasil, Prass defendeu a cobrança de Gustavo Scarpa e ajudou a colocar o time na decisão.

2/12/2015
Prass defendeu o tiro de Gustavo Henrique na final. Depois, converteu o pênalti que deu o título ao Verdão.

24/1/2016
Prass pegou dois pênaltis na final da Copa Antel, contra o Nacional (URU), mas o Verdão acabou derrotado.

3/3/2016
Além de grandes defesas, Prass pegou o pênalti de Ruben e manteve o Verdão em vantagem contra o Rosario.