Fellipe Lucena
17/07/2016
07:40
São Paulo (SP)

Edu Dracena não é daqueles jogadores que se satisfazem só por vestirem camisas de grandes clubes. Uma passagem sem título, para ele, não tem muito valor. Foi também por causa dessa mentalidade vencedora que o Palmeiras foi buscá-lo no início do ano.

- Eu falo com os moleques: “Meu, o importante é deixar sua marca no clube. Não é só passar”. Graças a Deus, tive a oportunidade de ganhar em quase todos os times e todo mundo lembra de mim. Tomara que eu consiga aqui no Palmeiras - explicou o camisa 3, em entrevista ao LANCE!.

A trajetória dele pelo Palestra Itália, até aqui, não tem o brilhantismo visto em outros clubes. A campanha frustrante do time na Libertadores somou-se a duas lesões musculares sofridas pelo zagueiro, que fez só 15 partidas com a camisa alviverde. A receita para mudar isso ele conhece bem: erguer um troféu como o do Brasileiro.

Dracena ganhou títulos por Olympiacos, Cruzeiro, Fenerbahce, Santos e Corinthians. Só não foi campeão no Guarani, que o revelou

Com sequência de jogos, melhor ainda. O jogo contra o Internacional, às 16h deste domingo, no Beira-Rio, será o oitavo de Edu Dracena no Campeonato Brasileiro. Já são mais jogos do que em todo o primeiro semestre, quando ele atuou quatro vezes no Paulistão e duas na Libertadores, além de dois amistosos na pré-temporada. É, sem dúvida, o melhor momento dele nesta temporada. A lesão de Yerry Mina, titular nas duas últimas partidas, acabou contribuindo.

- O ideal era estar desde o início da temporada da maneira como estou hoje, sem lesão e bem fisicamente, mas infelizmente as lesões atrapalharam. Hoje, vendo o que aconteceu, eu não lamento. Acho que nada acontece por acaso em nossas vidas. Eu tinha que passar por isso, acho que o importante é dar a volta por cima, como eu dei, e continuar trabalhando seriamente - analisou.

Edu foi campeão por Olympiacos, Cruzeiro, Fenerbahce, Santos e Corinthians. É a vez do Verdão?

LANCE!: Depois das lesões que você sofreu, teve de mudar a rotina?
Edu Dracena: Chega um determinado ponto da carreira em que você tem de chegar mais cedo para se preparar para o treino e ficar até mais tarde para se recuperar. Para evitar algum tipo de lesão, pelo desgaste que a gente vem tendo, procuramos direcionar o treinamento. De repente tem um tipo de treinamento que não faria tanto sentido para mim, então posso fazer outro, como um fortalecimento ou um regenerativo para recuperar a musculatura... A gente está trabalhando para não ter nenhum problema até o fim da temporada.

Você já disse que voltou antes do tempo depois da lesão na panturrilha. Faria isso outra vez?
Tentei ajudar o time naquele momento. Tinha perdido para o Nacional, o Marcelo tinha saído... Como fui contratado para jogar a Libertadores, tentei ajudar. Hoje, pensando friamente, te respondo sinceramente que não faria. Eu teria me preparado pelo menos mais uma semana para não acontecer aquilo.

Então você acha que não jogou bem por estar mal fisicamente?
A questão não é jogar mal, a questão é física mesmo. Quando você está bem fisicamente, seu raciocínio é mais rápido. Você chega mais rápido nas bolas, acaba antevendo o que vai acontecer nas jogadas. Quando você não está bem, acaba estando em lugar errado, na hora errada. Atrapalha.

Você ainda não conseguiu ser titular absoluto do Palmeiras e mesmo assim é um líder do elenco. Como lida com essa situação?
Eu fui perder a titularidade no ano passado, no Corinthians. Nos outros times sempre fui titular, mesmo garoto. Mas o mais importante de tudo é a pessoa saber que o trabalho está sendo bem feito. Eu poderia ficar desanimado, pensando em ir para outro time, mas vim para vencer e mostrei no dia a dia, com meu trabalho, que podem contar comigo. É isso que eu procuro passar para os mais jovens, que você tem de treinar porque uma hora vai precisar.

Você vem conquistando títulos em todos os clubes. A vontade de não interromper essa sequência pesou para você não sair daqui?
Em nenhum momento passou pela minha cabeça sair do Palmeiras. Muito se falou, mas cadê as pessoas que falaram? Estou aqui jogando no Palmeiras. As pessoas precisam ter um pouco mais de responsabilidade. É difícil você falar situações que não são verdade. Não saiu nem da minha boca, nem da boca de dirigente, nem do treinador. Eu estava bem tranquilo, bem confiante de que ia fazer um bom trabalho. O pensamento de ganhar título não mudou, eu quero ganhar vestindo a camisa do Palmeiras, mas com a maior naturalidade possível, da forma como sempre fiz nos outros clubes em que passei.

E qual é a receita para o título?
Você não pode perder os primeiros colocados de vista, tem de ficar no bolo, no máximo em terceiro. Lógico que a gente quer que o Palmeiras fique em primeiro até a última rodada, mas a gente vai oscilar, é normal. A gente tem de ter tranquilidade, nosso elenco é bom e vai brigar, sim.

O Palmeiras não vence no Beira-Rio desde 1997. Isso é levado em conta pelos jogadores durante a preparação?
Isso é relativo. Acredito que muitos jogadores que estão aqui hoje nem jogaram lá vestindo a camisa do Palmeiras. O tabu é para as pessoas dizerem. O mais importante é a gente construir uma história bonita agora. A gente tem condições de enfrentar o Inter de igual para igual e tomara que a gente possa ser feliz. ​Tenho boas lembranças de lá, tanto jogando pelo Cruzeiro quanto pelo Santos, até fiz um gol pelo Cruzeiro lá no Beira-Rio. Mas cada jogo tem uma história diferente e temos que nos preparar para fazer um bom trabalho.