Palmeiras - Matheus Sales (foto:Reginaldo Castro/LANCE!Press)

Matheus Sales posa para a reportagem do LANCE! na Academia de Futebol (Foto: Reginaldo Castro/LANCE!Press)

Fellipe Lucena e Thiago Ferri
15/11/2015
08:10
São Paulo (SP)

Aos nove anos, Matheus Sales iniciava a carreira tendo um jogador como exemplo: Zé Roberto, então meia do Bayern de Munique e da Seleção Brasileira. Pouco mais de dez anos depois, o agora volante do Palmeiras tem a chance de conviver com o seu ídolo.

– Desde que eu tinha nove para dez anos, estava jogando no São Paulo e fizeram uma pergunta de quem eu queria conhecer da Seleção, ou queria jogar parecido. Escolhi o Zé Roberto. É um ídolo meu desde criança, assisti ele na Copa de 2006, e estarmos no mesmo grupo é uma felicidade imensa. Tento só aprender – contou o atleta de 20 anos, ao LANCE!.

A timidez do camisa 36 alviverde não o deixa tietar o ídolo no dia a dia da Academia de Futebol. Mas nas vezes em que fala com o capitão do Palmeiras, Matheus faz questão de aproveitar ao máximo a chance, que por pouco o jovem não teve.

Neste ano, quando o volante era só uma promessa do sub-20, a Portuguesa quis tê-lo por empréstimo. Uma conversa com João Paulo Sampaio, coordenador geral das categorias de base do Verdão, fez Matheus ficar, aguardando a chance no time de cima. Ela demorou, mas veio.

Levado aos profissionais graças às lesões dos volantes titulares Arouca e Gabriel, Matheus se destacou nos treinos e atuou três vezes; duas delas em jogos delicados, contra o Fluminense, no duelo de volta da semifinal da Copa do Brasil, e no tenso clássico com o Santos, na Vila Belmiro, quando foi o líder em desarmes no duelo, com seis roubadas de bola. O jovem mostrou personalidade e disse que não se intimidou, mesmo tendo enfrentado jogadores como Fred ou Ricardo Oliveira.

– Jamais (vai se intimidar). Independente de ser mais experiente ou não, eu também sou homem, não posso me esconder e ficar com medo. Tenho que aparecer – avisou.

"Às vezes a gente fica um pouco ansioso, quer fazer as coisas no nosso tempo, mas foi bom esperar", disse Matheus Sales

No jogo contra o Vasco, Matheus voltou a ser reserva, em uma opção contestada de Marcelo Oliveira. O técnico, porém, não descarta usar o garoto nas finais da Copa do Brasil. Terminar o ano com um título é tudo aquilo que o meio-campista, no Palmeiras desde 2009, deseja.

– São seis anos aqui. Um título resume tudo o que passei, é a realização de um sonho – completou.

BATE-BOLA COM MATHEUS SALES, VOLANTE, AO LANCE!
‘Às vezes queremos fazer as coisas no nosso tempo, mas valeu esperar’

Como foi a repercussão após você ter estreado no Palmeiras?
Amigos e familiares têm falado comigo bastante, muita gente me procurando, mas minha família está super feliz. O pessoal pergunta muito como é aqui (na Academia), dos treinos, dos jogadores. É dar continuidade.

No ano passado você chegou a ser relacionado por Dorival Júnior...
É, no ano passado eu subi, fui relacionado, mas não joguei. Agora eu tive a oportunidade que o professor Marcelo (Oliveira) graças a Deus me deu. Para mim, isso foi um sonho realizado.

Você é mais próximo de qual jogador deste elenco?
Sou mais ‘caladão’, na minha, mas gosto de todos. Todos me dão muito apoio nos treinos, nos jogos. Estou tentando aproveitar para adquirir o máximo de experiência para chegar, se Deus quiser, em metade das coisas que o Zé Roberto fez na carreira.

Por que você decidiu ficar no Palmeiras e não ir para a Lusa?
O João Paulo falou para eu ficar, que poderíamos ter um ano maravilhoso na base, e que eu poderia treinar no profissional. Às vezes a gente fica um pouco ansioso, quer fazer as coisas no nosso tempo, mas foi bom esperar, porque eu queria dar um passo maior e não consegui. Já fiz três jogos, dois importantes. Foi melhor ficar.

Matheus Sales - Palmeira (Foto: Divulgação)
Matheus Sales durante treino no ano passado (Foto: Divulgação)


Antes de ser promovido, volante foi 'cobrado'

Matheus Sales levou um “puxão de orelha” por seu desempenho na equipe sub-20 antes de ser promovido ao elenco profissional.

– Num jogo contra o Flamengo, o Matheus teve 40 ações de alta intensidade, que são tiros cima de 18 km/h. Falei com ele que no profissional era preciso de, no mínimo, 120 ações. Ele entendeu e no último jogo dele, contra o Mirassol, saltou de 40 para 138 ações – contou João Paulo Sampaio, coordenador da base do Palmeiras.

– Quando o profissional falou que precisava de um volante, disse para levarem o Matheus Sales. A deficiência dele era essa, e já corrigiu. Capacidade técnica e emocional ele sempre teve, tanto que foi capitão dos times de base – completou João.