Thiago Ferri
27/01/2016
12:14
São Paulo (SP)

Já desvinculado do Henan Jianye (CHN), Rafael Marques detalhou nesta quarta-feira os problemas vividos no clube chinês, em 2014. O atacante do Palmeiras contou que chegou a ver o técnico agredir jogadores do clube e este foi um dos principais motivos para que ele não desejasse retornar à equipe.

- Agressão de vestiário de treinador para jogador eu não aceito. Nem é certo, é uma das coisas (que viu na China). Vi isto duas vezes. Entrava no vestiário, me trocava, saía, esperava a poeira baixar porque era entre chineses, para tomar banho, tentar esfriar a cabeça, e voltar ao hotel, e no dia seguinte recomeçar - afirmou o camisa 19, em entrevista na Academia de Futebol.

No ano passado, emprestado pelo Henan ao Verdão, Rafael Marques evitava falar sobre o que passou no país e apenas dizia não era sua intenção retornar. No início de 2016, o atacante acertou a renovação por mais dois anos com o Palmeiras e avisou que, se for questionado sobre seu ex-clube por outros jogadores, não fará boas recomendações.

- Eu deixei claro que se dependesse de mim, para qualquer outro jogador que eu conhecesse, no clube onde eu estava, não falaria para ir. Porque iria passar a real do clube. Quando fui contratado lá, perguntei se tinha estrangeiro, e o clube para não passar informação disse que não tinha, mas tinham três, e um deles era angolano e falava português. Nenhum jogador perguntou nada para mim, mas não quero a um amigo algo ruim que passei lá - acrescentou.

O relato de Rafael Marques ocorre no momento em que há uma debandada de brasileiros para a China. Felipão, Mano Menezes, Vanderlei Luxemburgo, Jadson, Renato Augusto, Luis Fabiano, Gil e Geuvânio estão entre aqueles que decidiram ganhar milhões no país asiático. Para o atacante do Palmeiras, que foi vendido a contragosto pelo Botafogo para o Henan Jianye no início de 2014, só isto não adianta para fazer a liga chinesa ter sucesso.

- Se eles estiveram com a cabeça aberta (na China) de querer melhorar, levar mais de dez profissionais na comissão (pode dar certo), mas vai levar tempo. Não se chega ao nível de Japão e Coreia, vai faltar muito ainda. É uma cultura diferente, tem um jeito deles de agirem, meio que de ditador, de querer comandar do jeito deles, e futebol não é assim. Não é só dinheiro. Sem querer crescer, pode levar os melhores do mundo que não muda - completou.