Thiago Ferri
28/11/2016
14:35
São Paulo (SP)

Depois de quase cair em 2014, Paulo Nobre iniciava seu segundo mandato, no fim do mesmo ano, sob forte pressão. O dirigente já tinha bons resultados economicamente, mas o futebol preocupava. Para o último passo da reconstrução, falou com Alexandre Mattos, responsável por montar os elencos do então Cruzeiro bicampeão brasileiro (2013–2014):

– Dá para ser campeão brasileiro em dois anos? – questionou Nobre ao então diretor da Raposa.

O desafio seduziu o mineiro. Em um clube mais organizado após anos ruins, o dirigente contou com as rendas do Avanti, das bilheterias do Allianz Parque e posteriormente com o dinheiro da Crefisa para fazer o Verdão voltar aos holofotes – dentro e fora de campo. A contratação de Dudu foi a principal cartada no início de sua gestão.

Ao todo, foram 38 reforços, com erros, mas mais acertos, como havia se comprometido a fazer o homem forte do futebol. Após ganhar a Copa do Brasil, a reconstrução atingiu o seu último passo neste Brasileiro.

Nobre deixa o Palmeiras no dia 14 de dezembro. Assumiu o clube com apenas 25% das receitas, endividado e como solução injetou mais de R$ 200 milhões nos cofres – o Verdão já vem pagando o dirigente desde 2014.

Ele entregará a Maurício Galiotte, seu vice e novo presidente, o clube com o maior patrocínio do Brasil (R$ 78 milhões/ano, contando a contratação de Lucas Barrios), programa de sócio-torcedor forte e dinheiro em caixa com a venda de Gabriel Jesus e o acerto com o Esporte Interativo. Ainda bancou boa parte da reforma da Academia.

Mattos, provavelmente, fica. Vencedor de três brasileiros nos últimos quatro anos, ele já começou a montar o elenco de 2017. Com a estrutura criada nesses quatro anos, o Palmeiras tem tudo para seguir entre os maiores do futebol brasileiro.

QUANTAS MUDANÇAS...

Dificuldades - Quando Nobre assumiu o clube, o patrocinador estava prestes a sair (Kia), as cotas de TV tinham sido adiantadas por outras gestões e as receitas eram escassas. Montou o time para a Série B com empréstimos e trocas – a de Barcos foi a mais polêmica.

Parecia bom, mas... -
Paulo bateu na tecla de austeridade econômica e fez bem isto. O acesso veio com facilidade em 2013. O terror seria o centenário, em 2014.

Desespero e alívio - Em 2014, a gestão foi detonada ao perder Alan Kardec para o rival São Paulo. Nobre demitiu Kleina, trouxe Gareca e Dorival Júnior, mas nenhum deu certo. O time chegou até a última rodada no novo Allianz Parque tendo chance de cair. Foi salvo também pela vitória do Santos. Apesar disso, foi reeleito, sob forte pressão da torcida.

Reset - Logo após o fim do Brasileiro-2014, mandou embora Dorival, Omar Feitosa, então gerente de futebol, e José Carlos Brunoro, diretor-executivo. Buscou Cícero Souza e Alexandre Mattos para cuidar do futebol.

Vitrine - Com a nova diretoria, tornou-se vitrine no mercado nacional. O título veio no fim de 2015, na conquista da Copa do Brasil. Nobre agradeceu a Brunoro, Omar, Dorival, Kleina e Gareca por terem “colocado a mão na lama” e ajudado até o título. Apesar da queda frustrante na Libertadores de 2016, agora dominou o Brasileiro.

Finanças - A dívida com Nobre é abatida mensalmente, e o clube vai bem, já que houve uma explosão nas receitas. Só o acerto com o Esporte Interativo gerará luvas de quase R$ 100 milhões.