Fellipe Lucena
18/12/2016
07:40
São Paulo (SP)

Maurício Galiotte tornou-se presidente do Palmeiras na noite da última quinta-feira. No dia seguinte, já estava diante de uma bomba para desarmar: como conduzir o novo atrito entre Paulo Nobre, que acaba de "colocá-lo" no cargo mais importante do clube, e Leila Pereira, dona das empresas que fizeram do Verdão o dono de um patrocínio sem precedentes? O ex-presidente tenta frear a candidatura da empresária ao Conselho, enquanto ela rebate.

Dar razão a Nobre e impugnar a candidatura de Leila Pereira a uma vaga no Conselho Deliberativo muito provavelmente o faria perder a patrocinadora. Em ótimo momento, o Palmeiras talvez tenha uma fila de empresas interessadas em ocupar este posto, mas dificilmente alguma delas vai se dispor a pagar R$ 78 milhões anuais e ainda bancar a contratação de um jogador como Lucas Pratto, como a Crefisa quer fazer em 2017.

Dar razão a Leila Pereira e permitir que ela seja candidata pode significar uma ruptura bastante prematura entre o novo presidente e Paulo Nobre, que deixou o cargo muito bem avaliado e já tem um grupo político considerável ao seu lado. O apoio de Nobre, para o atual presidente, é fundamental para dar sequência aos avanços recentes.

Existe ainda um outro personagem nesta sinuca de bico em que já está o novo mandatário palmeirense: Mustafá Contursi, ex-presidente do clube, padrinho político de Galiotte e, talvez, a figura mais influente das alamedas do Palestra Itália. Basta lembrar que Arnaldo Tirone escapou de uma suspensão na última semana mesmo tendo sido julgado pelo mesmo motivo que fez Luiz Gonzaga Belluzzo tomar um ano de gancho. A forte oposição de Mustafá a Belluzzo, internamente, é vista como a explicação para isso.

Há quem diga que Mustafá articula a entrada de Leila no Conselho Deliberativo para que ela o ajude a conquistar os votos necessários para aprovar a sugestão de reforma estatutária proposta por ele.

O texto de Mustafá e aliados, chamado de "substitutivo", tem poucas mudanças em relação ao estatuto atual. É uma alternativa ao texto elaborado desde 2013 por uma comissão especial formada por 23 conselheiros e que Nobre gostaria de ver aprovado: a profissionalização seria o carro-chefe, com mais diretores remunerados, algo visto pelos "mustafistas" como muito oneroso. A votação da reforma estatutária, que estava prevista para este ano, ficou para 2017.