Cleiton Xavier durante treino do Palmeiras (FOTO: Cesar Greco/Palmeiras)

Cleiton Xavier durante treino do Palmeiras (FOTO: Cesar Greco/Palmeiras)

Fellipe Lucena
21/04/2016
08:00
São Paulo (SP)

Cleiton Xavier ficou oito meses sem jogar. Foram três graves lesões musculares ao longo do mais recente período de inatividade, de agosto de 2015 a abril de 2016. Muitos palmeirenses se irritaram e questionaram se seria possível ver o camisa 10 atuando de novo em alto nível, mas essa dúvida nunca passou pela cabeça dos profissionais do clube.

O extenso período de recuperação depois da última lesão (grau 3 na panturrilha direita), sofrida em 15 de janeiro, fez parte de um planejamento elaborado pelo Palmeiras para reabilitar o atleta e torná-lo menos vulnerável a lesões.

Com o consentimento de diretoria e comissão técnica, os preparadores físicos e fisioterapeutas do Verdão decidiram dar um passo para trás, deixando o armador afastado do time durante toda a primeira fase do Estadual e de grande parte da Libertadores, para depois dar dois passos à frente, transformando-o em um atleta mais forte e resistente, pronto para ser opção nesta reta final de primeiro semestre e para todo o segundo.

Para entender essa decisão é preciso voltar até fevereiro de 2015. Foi quando o Palmeiras repatriou o CX10, que estava no Metalist desde 2010. Foram quatro anos trabalhando na Ucrânia, um centro muito menos desenvolvido em termos de preparação física, onde ele costumava fazer aproximadamente 25 jogos ao ano.

De volta à rotina brasileira, o corpo de Cleiton pagou a conta. Ele sofreu cinco lesões desde que voltou, cada uma em um local diferente. O grau elevado dos problemas impressionava, mas a velocidade com que os músculos se regeneravam também. O problema é que o jogador sofria para acompanhar o ritmo dos companheiros, o que causava novas lesões quando ele tentava voltar.

A última lesão deixou claro que era preciso recomeçar: ele se machucou no dia 15 de janeiro, foi liberado para a preparação física no dia 21 de fevereiro e até voltou a trabalhar no gramado, mas sofria muito a cada aumento de carga. Se não parasse para fazer um trabalho individualizado, fatalmente terminaria com outro problema físico.

Foi aí que tornou-se comum vê-lo na caixa de areia, onde os exercícios são feitos com menor impacto para as articulações, e na sala de musculação. Cleiton ganhou massa, evoluiu fisicamente e enfim reuniu condições de jogar. Entrou aos 12 minutos do segundo tempo contra o River (URU), foi bem e segue treinando ao lado dos demais no campo, mas ainda está longe do ideal. O trabalho especial não tem data para acabar.

Todos os dias, o Palmeiras faz um mapeamento do corpo do camisa 10, medindo o nível da enzima CK (aponta o desgaste muscular) e submetendo-o à termografia (identifica áreas de calor elevado, que indicam risco de lesão). Com os dados em mãos, o clube define se o atleta trabalhará no campo, na piscina, na musculação, na caixa de areia ou se fará trabalhos regenerativos.

A evolução será gradativa. Ele ainda não está pronto para 90 minutos. Quanto estiver, dificilmente poderá jogar no ritmo de quarta e domingo. Mas a ideia é que termine o ano com mais jogos do que aqueles 25 que fazia na Ucrânia e que em 2017 os números sejam ainda melhores.

TODAS AS LESÕES DE CLEITON:


Posterior da coxa esquerda
Primeira lesão ocorreu antes mesmo da estreia, enquanto ele buscava a melhor forma física e aguardava a documentação chegar, em março do ano passado.

Posterior da coxa direita
Depois de ir bem na reta final do Campeonato Paulista do ano passado – ainda sem ser titular –, Cleiton Xavier sofreu nova lesão em maio de 2015.

Anterior da coxa direita

Lesão que iniciou o drama dos oito meses sem jogar. Em agosto de 2015, Cleiton sentiu após vitória sobre o Cruzeiro, no Allianz.

Panturrilha esquerda
Enquanto se recuperava da lesão na coxa direita, Cleiton teve um estiramento, em setembro. Chegou a ser relacionado para a final da Copa do Brasil, mas não entrou.

Panturrilha direita

Recuperado do problema na panturrilha esquerda, iniciou a pré-temporada liberado para treinos no campo. Sentiu a outra perna e ficou parado até a semana passada.