LANCE!
26/06/2016
15:21
São Paulo (SP)

Torcedores do Palmeiras que foram ao Mineirão consideraram "desproporcional" a ação da Polícia Militar após o jogo contra o Cruzeiro. De acordo com pessoas que estavam no setor de visitantes ouvidas pelo LANCE!, o problema com um palmeirense foi respondido com bombas e gás de pimenta, que atingiram até mulheres e crianças.

- Um torcedor estava xingando a torcida do Cruzeiro e acabou passando da corda que colocaram. Jogaram spray de pimenta na cara dele e daí começou o tumulto. Jogaram uma bomba em nós, iam jogar outra e fui pedir para não fazerem isso, pois além de crianças e idosos tinha uma mulher grávida já passando mal, e nisso levei uma madeirada no braço. Por nada. De graça - relata João Stanzione, que mostrou a foto do braço machucado após isto.

- Quando os PMs chegaram e começaram a agir brutalmente, jogando gás de pimenta no grupo que estava próximo (do primeiro torcedor) e exaltando os ânimos, o nosso setor (predominantemente de famílias, casais, mulheres e crianças) se dividiu em dois, indo para as extremidades, pois atrás havia vidro e não conseguíamos subir - conta Clara Paiva, outra palmeirense no Mineirão.

Os torcedores mais assustados até pularam a divisória do estádio para o setor de imprensa, que fica ao lado dos visitantes, alguns com crianças de colo. Muitos, porém, ficaram presos no setor por pouco mais de 15 minutos.

- Os policiais miraram no lado em que eu estava (direito, próximo à imprensa e às rádios) e arremessaram uma bomba. Caiu entre eu e o meu pai, resvalando na barriga de uma moça que estava grávida e ficou ferida. Eu e algumas pessoas conseguimos abrir espaço para ela ir até o corpo de bombeiros - acrescenta Clara.

No sábado, a primeira versão era de que dois palmeirenses quebraram cadeiras no Mineirão e a partir daí iniciou-se a ação da PM. Um torcedor foi detido no setor, mas a assessoria de imprensa da Polícia Militar não tem relatos de prisão. A única informação de problemas no jogo de sábado foi de antes da bola rolar, e iniciada pelo vice-presidente de uma das torcidas organizadas do Cruzeiro, que provocava palmeirenses na chegada ao estádio.

O LANCE! entrou em contato com a PM, pediu sua versão sobre o ocorrido e ainda não a recebeu. A reportagem segue no aguardo.