Fellipe Lucena
19/11/2016
08:00
São Paulo (SP)

“Lágrimas molham a medalha de um vencedor. Chora agora, ri depois. Aí, Jesus chorou”.

O trecho de “Jesus Chorou”, do grupo Racionais MC's, cantarolado por jogadores do Palmeiras para brincar com Gabriel Jesus depois que ele foi às lágrimas quando marcou seu primeiro gol no profissional, agora pode simbolizar a passagem do jovem pelo clube.

Mais de um ano se passou desde aquela primeira bola na rede. Ele já fez outros 27 nos 83 jogos em que defendeu o Verdão, foi campeão da Copa do Brasil, conquistou o ouro olímpico e se firmou como camisa 9 da Seleção Brasileira, com cinco gols nos primeiros seis jogos, mas continua com dificuldade para segurar o choro. Quinta-feira, contra o Galo, voltou a derramar lágrimas após deixar sua marca e foi até chamado de “chorão” pela torcida adversária. Problema? Ele nem liga.

– Pareceu que foi meu primeiro gol, não pelo fato de fazer tempo que não marcava, isso acontece, é normal, mas pelo fato de serem meus últimos jogos pelo Palmeiras. As pessoas podem até achar que estou falando para aparecer, mas não, falo de coração. Foi o clube onde eu surgi, o clube que me abriu as portas. Tenho satisfação imensa de vestir essa camisa. Em todos os jogos que entrei, entrei para a honrá-la. Lógico que vai faltar técnica, ninguém é perfeito. Me emocionei bastante com o gol pelo fato de estar me despedindo. Não é um adeus, mas sim um até logo – disse o artilheiro.

Para quem convive com o Jesus no Palestra Itália, o choro simboliza sua entrega ao clube que o revelou para o futebol brasileiro e pelo qual ele jogará no máximo mais três partidas – com 11 amarelos no Brasileirão, está pendurado novamente.

– Ele jogou até 2 horas da manhã lá no Peru na terça-feira, viajou, se doa, se aplica, se emociona, como se emocionou no gol. Acho que o torcedor palmeirense tem de valorizar, e muito, esse menino. Eu não sei se eu, na situação que ele está, teria tanto amor por um clube como ele está mostrando ter pelo Palmeiras. Ele não teria essa necessidade. Se a gente vier a ter essa conquista, ele tem de ser uma pessoa muito enaltecida – disse Cuca, lembrando que Jesus mais uma vez voltou no jatinho de Paulo Nobre e dispensou o descanso após jogar na Seleção.

– Quando o Alexandre me liga para dizer que está indo me buscar eu fico muito contente, porque cada sacrifício que eu fizer sei que vai ajudar. Não é porque foram me buscar e eu fiz o gol, mas por estar com o grupo, estar ajudando um pouco. Isso me move – declarou Jesus.