Fellipe Lucena e Thiago Ferri
19/10/2017
23:05
São Paulo (SP)

Arouca ficou tanto tempo fora que, quando entrou em campo, pode nem ter sido reconhecido por muitos torcedores no Pacaembu, já que estava sem suas tradicionais trancinhas. Mas até a mudança do penteado foi uma estratégia do volante de 31 anos, que passou por duas cirurgias no tornozelo esquerdo e considerou sua estreia em partidas oficiais na temporada, nesta quinta-feira, uma "reestreia profissional".

- Foi como se fosse uma estreia no profissional. Vocês não têm noção do que passei neste ano. Infelizmente, fiquei muito tempo fora, coisa que nunca tinha acontecido. Foi o pior momento que tive na minha carreira. Só Deus e minha família sabem o que passei. Tenho de agradecer a Deus e minha esposa, que me aturou esse tempo todo em casa, chateado, sem querer sair, nada - contou o meio-campista, que só tinha atuado em amistoso contra a Chapecoense, em janeiro.

- Não foi por culpa minha, eu queria voltar o quanto antes. Na pré-temporada, eu estava sentindo muita dor, nem o remédio fazia mais efeito. Foi feita uma cirurgia mais simples para eu voltar o quanto antes. Voltei, fui relacionado, e senti dor de novo. Não teve jeito, precisei fazer um procedimento mais agressivo, que duraria seis meses. Na hora, é difícil aceitar, mas pensei na minha carreira. Eu me empenhei ao máximo, corri atrás do tempo perdido, trabalhando em dois períodos e para voltar - disse o jogador, lamentando os comentários que ouviu enquanto esteve parado.

- Tive que escutar muita coisa. Ninguém sabe o que é ficar sem poder fazer o que mais gosta, sem poder treinar, jogar, e ver os companheiros se esforçando para conquistar vitórias e títulos. De fora, é muito mais complicado. Sofri bastante, pela cirurgia e pelo momento difícil do Palmeiras neste ano. Graças a Deus, estamos dando a volta por cima. Espero poder dar continuidade agora e ajudar o Palmeiras.

E nem estava previsto que Arouca entraria em campo no lugar de Tchê Tchê, aos 39 minutos do segundo tempo da vitória por 2 a 0 sobre a Ponte Preta, nesta quinta-feira. O volante só foi relacionado porque, nessa quarta-feira, Michel Bastos teve problema físico e teve de ser cortado.

Arouca disputou o amistoso contra a Chapecoense, em janeiro, mas uma entorse no tornozelo o fez passar pela primeira cirurgia. O procedimento serviu para tirar um fragmento de cartilagem que incomodava o jogador. Ele se recuperou, chegou a ficar à disposição, mas a dor voltou, tornou-se intensa e , em 24 de março, ele passou por um procedimento mais complexo, para tratar de uma vez a cartilagem. Reapareceu nos treinos no campo há algumas semanas, sem tranças.

- No momento em que fiquei parado, decidi mudar um pouco. Passa muita coisa na cabeça... Decidi por esse penteado. Quem sabe ainda volto com a trança - sorriu.