Thiago Ferri
26/10/2016
07:20
São Paulo (SP)

O palmeirense pediu incansavelmente a contratação de um “camisa 10” para o Brasileiro, que não veio. Se a torcida ficou sem o armador que tanto desejava, viu Moisés suprir esta ausência, não como meia, mas como um meio-campista versátil e perigoso dos pés à cabeça – incluindo as mãos.

O camisa 28 já jogou neste Brasileiro como volante mais preso, segundo volante, meia... Cuca o utiliza conforme sua necessidade e vem conseguindo bons resultados.

'Vejo no Moisés um jogador competitivo, bom na bola parada, e técnica refinada. Ele faz primeiro, segundo volante e faz a meia. Você usa de acordo com a necessidade. Ele nunca tinha jogado em times grandes, hoje está no Palmeiras, e lógico que se continuar nessa sequência pode ter planos mais altos', disse Cuca no domingo

De cabeça, ele marcou duas vezes (o último contra o Corinthians) e com as mãos é o cobrador oficial de laterais próximos à área. O Verdão é a equipe que melhor aproveita esta jogada e já fez cinco gols a partir de lances assim.

Mas ainda é com a bola nos pés que Moisés chama mais a atenção. O jogador lidera o time em desarmes, é o segundo que mais finaliza, o segundo com mais tempo de posse, e o quarto jogador do Verdão em passes certos. Números que comprovam sua versatilidade.

No domingo, Moisés recebeu elogios pela assistência para Dudu abrir o placar, sem nem olhar para o camisa 7. O lançamento para o lado esquerdo foi fruto dos treinos na Academia de Futebol e da boa fase de um atleta que prefere não se rotular como volante ou meia. 

– Já joguei muitas vezes na carreira (como volante), eu gosto de jogar assim, às vezes revezo com o Tchê Tchê mais na frente. Não me vejo como meia ou volante, não tem sacrifício nenhum. São posições que executo bem – resumiu.

Para o LANCE!, o camisa 28 é volante apenas por conta da escolha da seleção do campeonato. Com 30 jogos no Brasileiro, ele tem nota média de 6,3 e está entre os 11 melhores da competição. Independentemente de onde for colocá-lo, é de fato difícil imaginar o meio-campo ideal da competição sem o “faz-tudo” do Verdão.

BATE-BOLA COM MOISÉS:

Como reage a tantos elogios?
Sempre bom estar sendo reconhecido, mas ciente que tudo pode ir por água abaixo se não mantivermos o nível. Passa pela minha cabeça terminar o ano no nosso ritmo, ou melhorando para acabar perfeito, como queríamos. Sem clichê, quero ser campeão no Palmeiras. Você só faz história em um clube com títulos. No fim, se me elegerem o melhor (do campeonato), ficarei muito feliz.

Você já teve lesões recentemente. Como está se sentindo nesta reta final?
Meu corpo está um pouco desgastado, mas com muito gás para os últimos seis jogos. Corro normalmente 11km por jogo, mas quero correr até 12km. Agora, o cansaço não pode te vencer. Tenho algumas dores, mas nada que vá me tirar dos treinos. Já estive muito dolorido, mas estou inteiro do tornozelo, de vez em quando dá umas incomodadas no pé, mas estou firme.

Sonha com a Seleção Brasileira?
Se falar que não estaria mentindo. Mas agora que estou no Palmeiras tenho que me firmar aqui. Estou em um bom ano, agora é seguir no ano que vem e tendo sequência, regular, porque o Tite vai estar convocando para a Seleção quem estiver melhor.