icons.title signature.placeholder LANCEPRESS!
icons.title signature.placeholder LANCEPRESS!
22/08/2015
08:00

Ele já matou a saudade de circular pela concentração com seu chimarrão e de "resenhar" às vésperas dos jogos ao som de cumbia e reggaeton, mas ainda não está satisfeito. Após recuperar-se em “tempo recorde” de uma cirurgia para reconstruir o ligamento cruzado do joelho direito, o argentino Pablo Mouche espera ansioso para jogar.

O camisa 14 treina com o grupo do Palmeiras há cerca de dois meses e vem sendo relacionado há três semanas, desde o jogo contra o Vasco, no Rio de Janeiro, mas ainda não foi utilizado por Marcelo Oliveira. Na sexta, o atacante abriu as portas de sua casa para o LANCE! e, com o Allianz Parque ao fundo, falou da expectativa de atuar pelo menos alguns minutos neste domingo, contra o Atlético-MG, no Independência.

Confira abaixo a entrevista exclusiva do hermano:

LANCE! Você operou o joelho em janeiro e, cinco meses depois, foi liberado para fazer todas as atividades com o grupo no campo. A rapidez te surpreendeu?
Mouche: Para quem olha de fora, passa mais rápido (risos). Para o cara que machucou e operou o joelho, a primeira parte é muito difícil. Os primeiros três meses, até voltar a correr e fazer trabalhos de campo, são bem difíceis. Mas passou rápido, sim. Fiz uma recuperação muito exigente, treinando todos os dias em dois períodos, às vezes três. O dia passava mais rápido e a recuperação também. Foi um sucesso, um recorde.

Você já havia passado pelo mesmo problema aos 19 anos, mas no outro joelho. Na ocasião, também voltou com rapidez?
Naquela vez, voltei a treinar com o grupo depois de cinco meses e meio, quase seis. Aqui, um pouco antes dos cinco meses, já estava fazendo algumas coisas com o grupo, alguns trabalhos com bola, finalização. Sem muito contato, mas já estava fazendo algumas coisas. Por ter experiência, tomei cuidado em cada detalhe para que a recuperação fosse mais rápida.

Conversa com o Allione, que também operou o joelho, sobre a ansiedade para voltar a jogar?
O jogador sempre tem essa fé de voltar o mais rápido possível, de jogar.  Allione e eu conversamos sempre, sobre quando vai ser o dia de voltar a jogar, como seria estar relacionado, brigar por uma vaga no time, ter minutos para jogar... Existe essa ansiedade, essa vontade.

Como se sentiu quando voltou a ser relacionado?
Vi como um prêmio por todo o esforço e desfrutei muito dessa viagem (ao Rio de Janeiro). Levo sempre meu chimarrão, minha música... Sempre trato de passar o tempo da melhor forma possível, desfrutando com os colegas, aproveitando tudo, porque o tempo como jogador é muito curto.

Mouche posa para o L! na varanda de sua casa, com a arena ao fundo (FOTO: Ari Ferreira)

E os brasileiros do elenco gostam do seu chimarrão e da música?
Alguns, não todos. Bebo com Oscar (Rodriguez, preparador de goleiros), porque ele é do Sul, conhece e gosta muito. Sempre tem um cara que quer experimentar, mas não são muitos. Sobre a música, eu respeito muito, eles são a maioria. No ônibus e no vestiário, eles escutam a música deles, mas no meu quarto coloco a minha, tranquilo, com meu chimarrão. Concentro com Barrios, com o Churry Cristaldo, e trato sempre de desfrutar muito, com resenha, chimarrão, cumbia, reggaeton...

Depois de matar a saudade desse ambiente de jogo, o que ainda falta para você ser utilizado?
Estou esperando a oportunidade. Evoluo a cada semana e me sinto melhor a cada dia, mas o que você mais precisa para ganhar ritmo é somar minutos de jogo. Depois de tanto tempo e de uma lesão tão grave, você precisa de confiança, ritmo, vivenciar situações de jogo. Estou pegando essa confiança em cada treino, em cada coletivo, para que quando apareça a oportunidade de jogar 5 ou 10 minutos eu esteja preparado. Espero o Marcelo decidir que é o melhor momento.

Marcelo conversou com você?
Ele sempre fala, sempre pergunta como estou me sentindo, como estou fisicamente, como está o ritmo de jogo. Ele se interessa, quer saber como está minha situação. Sempre falo que estou bem, que vou estar à disposição para quando ele precisar, para ajudar o time e para minha felicidade de voltar a jogar depois de tanto tempo. Só preciso disso, de minutos, para pegar de novo o ritmo de jogo.

Aguentaria 90 minutos?
Não posso jogar uma partida inteira, não vou mentir. Faz muito tempo que estou parado, foi uma lesão muito grave, então tenho que ir em um ritmo progressivo. Jogar 5 minutos, depois 10 minutos, e ir aumentando... Para jogar 90 minutos leva tempo, não é de um dia para o outro. Não posso saltar direto para o campo porque recebi alta médica. Isso não é bom, e também tenho que respeitar quem está jogando e fazendo boas coisas. Em cada treinamento, faço o máximo para brigar por uma oportunidade, para jogar o tempo que for necessário. Trabalho durante a semana pensando que posso ter uma oportunidade e tenho que estar preparado.

Além dos treinos convencionais, você treina cobranças de falta e faz atividades até fora do clube.
Sim. Eu estava fazendo pilates, mas agora estamos jogando muitas vezes. Sempre chego uma hora antes ao CT e vou para a academia, faço trabalho de pernas. Quando o professor diz que não posso ficar após o treino, não faço nada. Quando ele dá o “ok”, eu procuro treinar faltas, finalizações, faço exercício de velocidade... O cara que não está jogando, voltando de lesão, precisa fazer algo a mais para melhorar o condicionamento.

Já bateu falta em outro clube?
No Boca era um pouco mais difícil, porque estava o Riquelme. Mas cobrava escanteios, faltas laterais, às vezes de frente também. No sub-20 da seleção também batia, na Turquia... Sempre tento aperfeiçoar. É difícil ter uma chance de bater uma falta perto da área em um jogo, mas tenho que estar preparado para isso também.

O Palmeiras chega a relacionar oito atacantes. Já enfrentou uma concorrência desse tamanho?
Tantos assim, não. Essa é a primeira vez que acontece de eu estar em um elenco com muitos atacantes, mas é normal que um time tão grande como o Palmeiras, que quer brigar por Libertadores e para sair campeão, tenha muita variedade. Aqui no Brasil temos muitos jogos, quarta e domingo, então é normal que o elenco seja maior, mas é a primeira vez.

Prefere jogar pela direita ou pela esquerda do ataque?
Tanto faz, não tenho problema. Se o Marcelo um dia precisar pela esquerda, posso jogar. Se precisar pela direita, também. Posso jogar em qualquer posição do ataque.

E tem treinado até como lateral-esquerdo... Pode jogar assim?
É difícil. O Marcelo e o auxiliar dele me pediram, porque o João Paulo estava machucado e não tinha um lateral-esquerdo para o coletivo. Eles falaram que para mim também seria bom, que poderia pegar ritmo e não ficaria afastado, porque tinha muita gente no ataque. Eu falei que sim, que podia fazer isso. Em um jogo, se houver uma urgência, posso fazer, não tem problema. Mas virar lateral-esquerdo acho que não, é difícil, nunca joguei ali. Não sei marcar um atacante, se ele faz um drible, fico no chão (risos).

O ambiente neste ano melhorou muito em relação ao ano passado, quando você chegou?
O resultado sempre ajuda. Com certeza, quando um time luta lá embaixo, para não descer, algum mal-estar vai acontecer. No ano passado, o grupo era de muito boa gente, mas os resultados não ajudavam. Quem estava fora, via de uma forma ruim, mas não tivemos muito problema.

Muito se falou que os argentinos demoraram a se integrar aos brasileiros...
Não me incomodava. Não escuto nada, não dou importância a essas coisas e deixo que falem. Não leio jornais, não leio notícias na internet, não vejo na televisão. Trato de desfrutar da minha família, da minha namorada, que está grávida, desse momento muito feliz. Eu respeito muito o trabalho da imprensa, mas procuro ficar afastado.

Mas você acompanha muito as redes sociais, não é? Tem mais fãs ou mais críticos por lá?
Ah, tem de tudo. Eu acho muito engraçado, gosto de falar com as pessoas. Quando vejo no Twitter alguém falando com falta de respeito, para me machucar, aí posso ficar bravo. Mas é mais brincadeira, às vezes respondo para que a pessoa fique ainda mais brava (risos). Mas tem muita gente boa, que apoia muito e espera que as coisas corram bem.

Camisa 14 comemora gol contra o Grêmio, no Brasileirão de 2014. Ele já está com saudade... (FOTO: Ari Ferreira)

A chegada do seu filho faz você pensar em voltar à Argentina?
Meu filho vai nascer aqui. Estou totalmente adaptado ao Brasil, ao Palmeiras. É uma lástima ter me machucado, porque comecei o ano com muita vontade de fazer muitas coisas boas, mas são coisas que acontecem. Preciso ficar tranquilo e esperar a oportunidade para jogar.

O que projeta até o fim do ano?
Procuro fazer um planejamento dia após dia, não muito para o futuro, porque nunca se sabe o que pode acontecer. A primeira coisa que quero é ganhar do Atlético-MG domingo. E jogar! Espero poder jogar alguns minutos no domingo.

O que importa é jogar?
É ganhar. Depois, jogar (risos).

Ele já matou a saudade de circular pela concentração com seu chimarrão e de "resenhar" às vésperas dos jogos ao som de cumbia e reggaeton, mas ainda não está satisfeito. Após recuperar-se em “tempo recorde” de uma cirurgia para reconstruir o ligamento cruzado do joelho direito, o argentino Pablo Mouche espera ansioso para jogar.

O camisa 14 treina com o grupo do Palmeiras há cerca de dois meses e vem sendo relacionado há três semanas, desde o jogo contra o Vasco, no Rio de Janeiro, mas ainda não foi utilizado por Marcelo Oliveira. Na sexta, o atacante abriu as portas de sua casa para o LANCE! e, com o Allianz Parque ao fundo, falou da expectativa de atuar pelo menos alguns minutos neste domingo, contra o Atlético-MG, no Independência.

Confira abaixo a entrevista exclusiva do hermano:

LANCE! Você operou o joelho em janeiro e, cinco meses depois, foi liberado para fazer todas as atividades com o grupo no campo. A rapidez te surpreendeu?
Mouche: Para quem olha de fora, passa mais rápido (risos). Para o cara que machucou e operou o joelho, a primeira parte é muito difícil. Os primeiros três meses, até voltar a correr e fazer trabalhos de campo, são bem difíceis. Mas passou rápido, sim. Fiz uma recuperação muito exigente, treinando todos os dias em dois períodos, às vezes três. O dia passava mais rápido e a recuperação também. Foi um sucesso, um recorde.

Você já havia passado pelo mesmo problema aos 19 anos, mas no outro joelho. Na ocasião, também voltou com rapidez?
Naquela vez, voltei a treinar com o grupo depois de cinco meses e meio, quase seis. Aqui, um pouco antes dos cinco meses, já estava fazendo algumas coisas com o grupo, alguns trabalhos com bola, finalização. Sem muito contato, mas já estava fazendo algumas coisas. Por ter experiência, tomei cuidado em cada detalhe para que a recuperação fosse mais rápida.

Conversa com o Allione, que também operou o joelho, sobre a ansiedade para voltar a jogar?
O jogador sempre tem essa fé de voltar o mais rápido possível, de jogar.  Allione e eu conversamos sempre, sobre quando vai ser o dia de voltar a jogar, como seria estar relacionado, brigar por uma vaga no time, ter minutos para jogar... Existe essa ansiedade, essa vontade.

Como se sentiu quando voltou a ser relacionado?
Vi como um prêmio por todo o esforço e desfrutei muito dessa viagem (ao Rio de Janeiro). Levo sempre meu chimarrão, minha música... Sempre trato de passar o tempo da melhor forma possível, desfrutando com os colegas, aproveitando tudo, porque o tempo como jogador é muito curto.

Mouche posa para o L! na varanda de sua casa, com a arena ao fundo (FOTO: Ari Ferreira)

E os brasileiros do elenco gostam do seu chimarrão e da música?
Alguns, não todos. Bebo com Oscar (Rodriguez, preparador de goleiros), porque ele é do Sul, conhece e gosta muito. Sempre tem um cara que quer experimentar, mas não são muitos. Sobre a música, eu respeito muito, eles são a maioria. No ônibus e no vestiário, eles escutam a música deles, mas no meu quarto coloco a minha, tranquilo, com meu chimarrão. Concentro com Barrios, com o Churry Cristaldo, e trato sempre de desfrutar muito, com resenha, chimarrão, cumbia, reggaeton...

Depois de matar a saudade desse ambiente de jogo, o que ainda falta para você ser utilizado?
Estou esperando a oportunidade. Evoluo a cada semana e me sinto melhor a cada dia, mas o que você mais precisa para ganhar ritmo é somar minutos de jogo. Depois de tanto tempo e de uma lesão tão grave, você precisa de confiança, ritmo, vivenciar situações de jogo. Estou pegando essa confiança em cada treino, em cada coletivo, para que quando apareça a oportunidade de jogar 5 ou 10 minutos eu esteja preparado. Espero o Marcelo decidir que é o melhor momento.

Marcelo conversou com você?
Ele sempre fala, sempre pergunta como estou me sentindo, como estou fisicamente, como está o ritmo de jogo. Ele se interessa, quer saber como está minha situação. Sempre falo que estou bem, que vou estar à disposição para quando ele precisar, para ajudar o time e para minha felicidade de voltar a jogar depois de tanto tempo. Só preciso disso, de minutos, para pegar de novo o ritmo de jogo.

Aguentaria 90 minutos?
Não posso jogar uma partida inteira, não vou mentir. Faz muito tempo que estou parado, foi uma lesão muito grave, então tenho que ir em um ritmo progressivo. Jogar 5 minutos, depois 10 minutos, e ir aumentando... Para jogar 90 minutos leva tempo, não é de um dia para o outro. Não posso saltar direto para o campo porque recebi alta médica. Isso não é bom, e também tenho que respeitar quem está jogando e fazendo boas coisas. Em cada treinamento, faço o máximo para brigar por uma oportunidade, para jogar o tempo que for necessário. Trabalho durante a semana pensando que posso ter uma oportunidade e tenho que estar preparado.

Além dos treinos convencionais, você treina cobranças de falta e faz atividades até fora do clube.
Sim. Eu estava fazendo pilates, mas agora estamos jogando muitas vezes. Sempre chego uma hora antes ao CT e vou para a academia, faço trabalho de pernas. Quando o professor diz que não posso ficar após o treino, não faço nada. Quando ele dá o “ok”, eu procuro treinar faltas, finalizações, faço exercício de velocidade... O cara que não está jogando, voltando de lesão, precisa fazer algo a mais para melhorar o condicionamento.

Já bateu falta em outro clube?
No Boca era um pouco mais difícil, porque estava o Riquelme. Mas cobrava escanteios, faltas laterais, às vezes de frente também. No sub-20 da seleção também batia, na Turquia... Sempre tento aperfeiçoar. É difícil ter uma chance de bater uma falta perto da área em um jogo, mas tenho que estar preparado para isso também.

O Palmeiras chega a relacionar oito atacantes. Já enfrentou uma concorrência desse tamanho?
Tantos assim, não. Essa é a primeira vez que acontece de eu estar em um elenco com muitos atacantes, mas é normal que um time tão grande como o Palmeiras, que quer brigar por Libertadores e para sair campeão, tenha muita variedade. Aqui no Brasil temos muitos jogos, quarta e domingo, então é normal que o elenco seja maior, mas é a primeira vez.

Prefere jogar pela direita ou pela esquerda do ataque?
Tanto faz, não tenho problema. Se o Marcelo um dia precisar pela esquerda, posso jogar. Se precisar pela direita, também. Posso jogar em qualquer posição do ataque.

E tem treinado até como lateral-esquerdo... Pode jogar assim?
É difícil. O Marcelo e o auxiliar dele me pediram, porque o João Paulo estava machucado e não tinha um lateral-esquerdo para o coletivo. Eles falaram que para mim também seria bom, que poderia pegar ritmo e não ficaria afastado, porque tinha muita gente no ataque. Eu falei que sim, que podia fazer isso. Em um jogo, se houver uma urgência, posso fazer, não tem problema. Mas virar lateral-esquerdo acho que não, é difícil, nunca joguei ali. Não sei marcar um atacante, se ele faz um drible, fico no chão (risos).

O ambiente neste ano melhorou muito em relação ao ano passado, quando você chegou?
O resultado sempre ajuda. Com certeza, quando um time luta lá embaixo, para não descer, algum mal-estar vai acontecer. No ano passado, o grupo era de muito boa gente, mas os resultados não ajudavam. Quem estava fora, via de uma forma ruim, mas não tivemos muito problema.

Muito se falou que os argentinos demoraram a se integrar aos brasileiros...
Não me incomodava. Não escuto nada, não dou importância a essas coisas e deixo que falem. Não leio jornais, não leio notícias na internet, não vejo na televisão. Trato de desfrutar da minha família, da minha namorada, que está grávida, desse momento muito feliz. Eu respeito muito o trabalho da imprensa, mas procuro ficar afastado.

Mas você acompanha muito as redes sociais, não é? Tem mais fãs ou mais críticos por lá?
Ah, tem de tudo. Eu acho muito engraçado, gosto de falar com as pessoas. Quando vejo no Twitter alguém falando com falta de respeito, para me machucar, aí posso ficar bravo. Mas é mais brincadeira, às vezes respondo para que a pessoa fique ainda mais brava (risos). Mas tem muita gente boa, que apoia muito e espera que as coisas corram bem.

Camisa 14 comemora gol contra o Grêmio, no Brasileirão de 2014. Ele já está com saudade... (FOTO: Ari Ferreira)

A chegada do seu filho faz você pensar em voltar à Argentina?
Meu filho vai nascer aqui. Estou totalmente adaptado ao Brasil, ao Palmeiras. É uma lástima ter me machucado, porque comecei o ano com muita vontade de fazer muitas coisas boas, mas são coisas que acontecem. Preciso ficar tranquilo e esperar a oportunidade para jogar.

O que projeta até o fim do ano?
Procuro fazer um planejamento dia após dia, não muito para o futuro, porque nunca se sabe o que pode acontecer. A primeira coisa que quero é ganhar do Atlético-MG domingo. E jogar! Espero poder jogar alguns minutos no domingo.

O que importa é jogar?
É ganhar. Depois, jogar (risos).