Gabriel Jesus - Palmeiras (FOTO: Cesar Greco/Palmeiras)

Jovens do sub-20 tiram foto com Gabriel Jesus em dia de treino na Academia (FOTO: Cesar Greco/Palmeiras)

Fellipe Lucena
01/01/2016
08:00
São Paulo (SP)

O goleiro Daniel Fuzato, o zagueiro Augusto, o volante Daniel e os atacantes Kaue e Arancibia ainda não estrearam como profissionais do Palmeiras e vão disputar a Copa São Paulo Júnior a partir de domingo, mas já sentiram o gostinho de serem relacionados pela comissão técnica profissional. Essa é apenas uma das medidas adotadas para aproximar os jovens do elenco principal, passo considerado fundamental para fazer com que o clube vire referência na formação de atletas.

– Santos, Fluminense, Internacional, Atlético-MG e Vitória são referências no trabalho de base. O Palmeiras está no caminho para se tornar uma referência também. Em dois ou três anos, você vai estar usando o Palmeiras como exemplo – disse ao LANCE! o coordenador geral da base, João Paulo Sampaio.

Ex-Vitória, o profissional de 39 anos chegou em março para dar sequência ao trabalho de Erasmo Damiani, que deixou o Verdão para trabalhar com a base da Seleção. Em setembro, trouxe o técnico João Burse, campeão paulista sub-20 com o Mogi Mirim em 2013 e da Copa do Brasil sub-17 pelo próprio Vitória, em 2015, para comandar o sub-20 alviverde.

– Quando você fala do Santos, você não lembra dos títulos de base. Você lembra dos jogadores formados lá. Estamos no caminho, com Gabriel Jesus, Taylor, Matheus Sales, Nathan e João Pedro, que estão no grupo profissional, e também com Victor Luis e Thiago Martins, que estão emprestados e vão voltar – completou.


A atenção especial dada à base é visível no dia a dia. Sempre que o elenco profissional treina, uma equipe de base trabalha no campo ao lado da Academia de Futebol. A intenção é diminuir cada vez mais a distância entre o CT da base, em Guarulhos, e o grupo principal, para que os jogadores não precisem de um período tão grande de adaptação ao serem promovidos ou chamados para treinar.

Cícero Souza, gerente de futebol, tem reuniões a cada 15 dias com profissionais de cada categoria de base para troca de informações. Ele, o diretor Alexandre Mattos e membros da comissão técnica vão frequentemente aos jogos dos garotos, que se acostumam desde cedo a jogar em mais de uma posição. É uma forma de ajudá-los a descobrir talentos que talvez eles nem imaginam que têm.

Lucas Taylor, que foi acionado durante a final da Copa do Brasil e teve boa atuação na histórica vitória contra o Santos, começou o ano como atacante. Agora, é uma das maiores promessas do clube como lateral-direito.

A estrutura física também merece atenção especial, embora o CT de Guarulhos ainda esteja longe de se parecer com o do São Paulo, em Cotia, por exemplo. Em outubro, o Verdão inaugurou uma arquibancada para 500 pessoas no local para mandar jogos de categorias inferiores “em casa”. Também há sala de musculação para os jovens.

O Palmeiras considera o trabalho da base em 2015 um sucesso, mesmo sem erguer troféus. O sub-20, principal categoria, caiu nas quartas de final do Paulistão, foi eliminado pelo Figueirense na primeira fase da Copa do Brasil e perdeu nos pênaltis para o São Paulo na semifinal da Copa RS.

Mas título, neste caso, é secundário. Tanto que o próprio time sub-20 é muito mais jovem que a maioria dos adversários. Dos 30 pré-selecionados para disputar a Copa São Paulo Júnior em janeiro, só dez farão 20 anos em 2016. Os outros 20 terão idade para jogar a competição ao menos uma outra vez.

Matheus Sales levou 'puxão de orelha'

Palmeiras - Matheus Sales (foto:Reginaldo Castro/LANCE!Press)
Matheus Sales subiu e foi bem (Foto:Reginaldo Castro/LANCE!Press)

O volante Matheus Sales, de 20 anos, foi um dos destaques do Palmeiras na reta final da Copa do Brasil. Antes de ser promovido ao elenco profissional, porém, ele levou um “puxão de orelha” por seu desempenho na equipe sub-20.

– Em um jogo contra o Flamengo, o Matheus teve 40 ações de alta intensidade, que são tiros cima de 18 km/h. Eu sentei com ele e falei que no profissional ele precisaria de, no mínimo, 120 ações. Ele entendeu e no último jogo dele, contra o Mirassol, saltou de 40 para 138 ações de alta intensidade – conta João Paulo Sampaio, dando um exemplo da atenção individual dada a cada jogador.

– Quando o profissional falou que precisava de um volante, disse para levarem o Matheus Sales. A deficiência que ele tinha era essa, e já corrigiu. Viu que não dava para jogar daquela forma. Capacidade técnica e emocional ele sempre teve, tanto que foi capitão dos times de base.

Matheus disputou a Copa São Paulo Júnior deste ano, já como destaque. Ele chamou a atenção da Portuguesa, que chegou a fazer uma proposta de empréstimo. O Verdão recusou.

João Paulo Sampaio - Palmeiras (FOTO: Divulgação)
João Paulo Sampaio comanda a base do Verdão (FOTO: Divulgação)

Confira um bate-bola exclusivo com João Paulo Sampaio:

Quais são as principais medidas tomadas para fortalecer a base?
O que a gente passou a fazer neste ano teve a participação do Cícero e do Alexandre Mattos. A ideia é ter uma integração maior. A cada 15 dias, todos os setores da base têm uma reunião com o Cícero, e cada um tem cinco minutos para falar o que aconteceu. Isso gera informações para todos. Nos jogos da base, sempre tem gente do profissional, seja o Cícero ou os auxiliares. E a cada 15 dias a gente faz a Resenha da Academia, que é um atleta profissional indo dar exemplo para os meninos, contar histórias.

Tirar os meninos de Guarulhos e fazê-los treinar no CT dá certo?
É para quebrar a barreira de ser uma novidade para o menino quando ele precisa ser chamado para o profissional. Parecia um mundo diferente. Hoje eles convivem lado a lado, dividem o departamento médico, o vestiário... Há um mês, o pessoal pediu uns meninos do sub-15 e chamaram pelo nome. Isso gera confiança para os garotos.

A base tem jogadores capazes de seguir os passos do Jesus?
O Palmeiras, até uns meses atrás, tinha três camisas 10 em seleções. O Gabriel Jesus no Mundial sub-20, o Victor Hugo (Vitinho) estava sendo chamado para a Seleção sub-17, mas por um comportamento um pouco desviado, por não ficar contente de ir para o banco, não foi para o Mundial, e agora foi o Alan, do sub-15. São jogadores talentosos, e tem muitos outros. O Gabriel é um ponto fora da curva, mas vão ter outros jogadores surgindo. Nossa preocupação aqui é com a formação do atleta, não das equipes.