Fellipe Lucena e Thiago Ferri
22/03/2016
08:35
São Paulo (SP)

Cuca completou na segunda-feira uma semana à frente do Palmeiras, com duas derrotas no currículo. O técnico assumiu a responsabilidade, mas neste momento é o menor foco de pressão no clube. Sem Marcelo Oliveira, que passou meses como alvo de cornetas de torcedores e conselheiros, quem está no olho do furacão é a diretoria, sobretudo o diretor Alexandre Mattos.

O recado de parte da torcida foi escrito nos muros do Allianz Parque, que amanheceu pichado após a derrota por 2 a 1 para o Osasco Audax. “Acabou a paz, pilantras”, “Queremos elenco campeão”, “cadê o futebol?” e “elenco de Série B“ foram algumas das mensagens rabiscadas nas paredes verdes e apagadas com tinta branca horas depois.

A insatisfação também está dentro do clube. Conselheiros próximos ao presidente Paulo Nobre fazem uma série de críticas ao trabalho de Mattos. Dizem que o futebol apresentado não é compatível com a folha salarial do grupo de jogadores (cerca de R$ 12 milhões, incluindo atletas emprestados), julgam que a demissão de Marcelo Oliveira deveria ter acontecido muito antes e contestam contratações como as de Cleiton Xavier e Fellype Gabriel.

Enquanto Cuca admite estar sofrendo em busca de uma solução para o setor criativo do time, os dois são castigados por uma série de lesões e ainda não estiveram disponíveis no ano. Cleiton, que está entre os atletas melhores remunerados do elenco, fez apenas 17 jogos desde que voltou, sendo quatro como titular. Fellype Gabriel só atuou uma vez. Enquanto isso, Cuca diz que terá mais trabalho do que imaginava e avisa que cogita pedir reforços.

– Tem muito trabalho, mais até do que eu pensava. Eu não conheço o elenco todo ainda, ainda tem jogadores em que a gente pode descobrir alguma coisa interessante. Pedi um tempo para fazer a avaliação do elenco. Se observar que tem necessidade de contratação, vou expor meu sentimento ao presidente, ao Alexandre, ao Cícero (gerente) – declarou.

– O Cuca precisa do tempo dele, a responsabilidade dele é zero. A responsabilidade é dos jogadores e da direção – emendou Mattos.

PERSONAGENS DA CRISE

Paulo Nobre: Presidente está em alta no clube e deve eleger seu sucessor no fim do ano (Maurício Galiotte ou Genaro Marino). Ouve críticas a Alexandre Mattos, mas rasga elogios a ele.

Cuca: Tem só uma semana de trabalho. Apesar das duas derrotas, é o menor foco de insatisfação no momento.

Jogadores: São criticados por não atuarem sempre com a mesma intensidade: nas últimas duas derrotas, por exemplo, Cuca gostou do segundo tempo, mas não do primeiro.

Alexandre Mattos: Por ser o maior responsável pela montagem de elenco e comissão técnica, é quem sofre as maiores críticas na crise.