Thiago Salata
10/03/2016
08:00
São Paulo (SP)

Marcelo Oliveira não foi demitido do Palmeiras apenas por resultados. Ao contrário: ele ficou mais do que deveria justamente por conta de... Resultados! Mas ao mesmo tempo os resultados foram péssimos. E bons. Conversa de louco? Nem tanto. Vendo o Alviverde em campo nos últimos, pelo menos, seis meses, não é tão difícil explicar. Os lampejos de bom futebol do Palmeiras com Marcelo Oliveira foram justamente nos grandes jogos de 2015: quartas de final, semi e final da Copa do Brasil. Resultado: campeão! Na grande maioria das partidas, o que se viu foi um time sem ideias, refém de um único esquema, com substituições manjadas e poucas alternativas. Pouco, muito pouco, sem querer aqui tirar a responsabilidade dos jogadores e, principalmente, da diretoria, que também erra bastante (Alexandre Mattos andava sumido da mídia até aparecer para anunciar a demissão). Mas é time para jogar mais, sim!

Ao mesmo tempo que o Palmeiras foi enorme nas decisões da Copa, no Allianz Parque, a campanha no segundo turno do Brasileirão foi péssima: seis vitórias, quatro empates e nove derrotas, com aproveitamento de 38,5%. É desempenho de time que beira a zona do rebaixamento - o Avaí caiu em 2015 com 36,8% em todo o campeonato. Os resultados no Brasileiro diziam mais o que foi o trabalho de Marcelo Oliveira no Palmeiras do que a campanha vitoriosa da Copa do Brasil. Não foram poucos os torcedores que defenderam a troca de treinador em dezembro, mesmo após a conquista da taça. E não seria nenhum absurdo se isso acontecesse. A decisão foi seguir com o trabalho e 2016 foi mostrando que o fim da história era óbvio. Só faltava uma data.

O mesmo time sem ideias, refém de um único esquema, com substituições manjadas e poucas alternativas é o que se vê em campo. Defendi, após o bizarro segundo tempo do Palmeiras contra o Rosario Central, a demissão. Estava claro que não dava mais. Mas foi o resultado (vitória por 2 a 0) que o salvou. Prass o salvou, como Prass o salvou na Copa do Brasil. A diretoria mais uma vez preferiu se enganar e esperar... Viu-se contra o Nacional o Palmeiras, perdendo no intervalo e com um homem a mais, voltar para o segundo tempo sem NENHUMA substituição. Será que se a bola de Lucas tivesse entrado nos acréscimos um empate heroico, com liderança da chave, seguraria Marcelo de novo? Talvez. Talvez Marcelo tivesse ficado pelo resultado. Mas no fim das contas o resultado fez Marcelo Oliveira ser demitido pelo (mau) desempenho. Acho que agora deu para entender o "papo louco" que abriu este texto, né?

A campanha, e o futebol, são ruins em 2016. Como tudo o que vinha acontecendo antes... Desde o jogo de ida nas quartas da Copa, contra o Internacional, em 23 de setembro, foram 30 jogos de Marcelo sob o comando do Palmeiras: 10 vitórias, 9 empates e 11 derrotas. Aproveitamento ruim de 43,3% em quase seis meses. Pouca bola e alguns poucos ótimos resultados fizeram o treinador virar o ano na Academia de Futebol. Mas era evidente que uma hora ou outra a corda arrebentaria. Não há milagre.

Tecnico - Cuca - Shandong Lunen (foto:AFP)
Cuca deve assumir o Palmeiras (foto:AFP)

Bola mesmo o Palmeiras jogou com Marcelo lá no início do trabalho do treinador, em julho de 2015. Oito jogos de invencibilidade, com sete vitórias, goleada sobre São Paulo e Vasco, e só. A lesão do bom volante Gabriel fez Marcelo se perder na busca pelo substituto. Substituto este que só apareceu em dezembro, na final da Copa do Brasil. Matheus Sales, esta boa promessa, que anulou o melhor meia em atividade no futebol brasileiro e que não ficou nem no banco de reservas contra o Nacional (?).

Cuca é o nome mais forte para assumir e tentar acertar o Palmeiras a tempo de reagir na Copa Libertadores e no Paulistão. Mais uma tentativa de um clube que já teve todos os estilos de medalhões no banco de reservas. Mas é uma tentativa necessária. Desta vez, não há erro em interromper o trabalho. O erro aconteceu na demora para se interromper... A ver como reage o time, que em nenhum momento fez corpo mole. Vem correndo muito. Mas correndo errado. E o discurso já deixava claro que faltava confiança em quem comandava...

Em tempo: foram 53 jogos, com 24 vitórias, 11 empates e 18 derrotas do Verdão de Marcelo Oliveira. Um aproveitamento de 52,2%.

*Thiago Salata é editor do LANCE! (@ThiagoSalata)