Thiago Salata
29/02/2016
17:38
São Paulo (SP)

Rafael Marques soltou ainda no campo do Allianz Parque, no domingo: “A Ferroviária é uma equipe bem arrumadinha, trabalha bem a bola. Fizeram o que a gente não estava fazendo”. Dudu se irritou: “Você pega um time bem treinado, é complicado. Parece que a Ferroviária é o Palmeiras, e o Palmeiras é a Ferroviária. Ninguém toma uma atitude, ninguém tira o time de trás”. Dá para ser mais claro?

Nada disso significa mau ambiente, não significa que os jogadores acham Marcelo Oliveira um mau caráter ou que estejam afim de derrubá-lo, conclusões estas precipitadas que muitos torcedores são induzidos a tomar quando algo assim acontece. Significa, apenas, que o trabalho do treinador não evolui e que os treinos já não surtem efeito na partida. Como já escrevi em outra coluna, nem eu, e nem você, leitor, sabemos mais de futebol do que um técnico bicampeão brasileiro e atual campeão da Copa do Brasil. Baseado em opiniões de profissionais que estão no dia a dia da Academia e do futebol atual, e no que se vê nas partidas do Palmeiras, porém, está claro que algo não funciona como deveria no Verdão.

Falta um modelo de jogo. Faltam ideias e o problema se torna ainda mais grave quando a frase do técnico depois de uma derrota como a de domingo é a seguinte: “Se tivesse resposta exata (sobre a inconstância do time), resolveria rapidamente. Eu não tenho resposta. O que temos é confiança e bom ambiente para que isso possa mudar rapidamente”. Dá para continuar desta forma? A diretoria, ao menos por enquanto, entende que sim.

Mesmo que o Palmeiras faça um grande jogo contra o Rosario Central, na quinta-feira, e vença, o que vai acontecer na semana seguinte se o time voltar a naufragar? As mesmas queixas voltarão. Marcelo Oliveira e Palmeiras parece um casamento já comprometido e com fim certo, apenas não se sabe a data do divórcio. Talvez a melhor saída fosse parar de perder tempo e procurar os advogados. São quase nove meses de união com os mesmíssimos problemas, que saltaram aos olhos no domingo, quando o Palmeiras caiu diante de uma organizada Ferroviária.

Há duas semanas, escrevi que, assim como era difícil defender o trabalho de Marcelo Oliveira, era difícil defender uma troca antes de a principal competição do semestre, a Libertadores, começar. A Copa começou, o Alviverde não foi bem no Uruguai e os problemas seguem no Paulista - o time ronda a zona de rebaixamento! Depois da entrevista “para baixo” de um derrotado Marcelo no domingo, já fica bem fácil entender (e defender) uma demissão. O próprio Oliveira, ao dizer que não tem reposta, dá força a quem pensa assim.

*Thiago Salata é editor do LANCE!