Alexandre Mattos

Marcelo Oliveira e o diretor de futebol Alexandre Mattos (Foto: Cesar Greco/Fotoarena)

Thiago Salata
14/02/2016
09:53
São Paulo (SP)

O Palmeiras fez seis jogos em 2016 em um mês e meio de trabalho: duas vitórias, três empates e uma derrota. Fez partidas dentro do esperado em torneio amistoso no Uruguai, uma estreia sem sustos contra o Botafogo-SP e, então, emendou uma sequência inesperada e pouco aceitável até mesmo num momento em que condições física e técnica não são ideais: apenas dois pontos contra São Bento, Oeste e Linense. Dois deles em casa. Tais jogos ainda podem ser considerados de pré-temporada, mas há questões importantes. E antigas.

É difícil defender o trabalho de Marcelo Oliveira, não por conta do início de uma temporada em que a principal competição a ser disputada pelo Verdão no ano ainda nem começou. A questão é que são sete meses com o treinador em que o time mais joga mal do que joga bem. Não vamos tirar a responsabilidade dos jogadores, que parecem preguiçosos em jogos pequenos e com sangue nos olhos em jogos grandes. Também não se pode esquecer da diretoria, que montou um elenco sem reposições no meio em 2015 e, agora, começa 2016 com tal carência na defesa. Não faltaram avisos desde dezembro. Mas quais alternativas são apresentadas pelo treinador quando dele se espera algo?

O esquema único e quase imutável (4-2-3-1) funcionou em clássicos e nas finais da Copa do Brasil. Ainda assim, na grande maioria da vezes, as substituições são quase sempre previsíveis: sai volante, entra volante; sai centro-avante, entra centro-avante. E muitas vezes, seja zagueiro ou meia, sai também quem leva um cartão amarelo precoce. Nem você, que está lendo esta coluna, nem eu, sabemos mais de futebol do que um técnico bicampeão brasileiro e quatro vezes finalista (com um título) da Copa do Brasil. Mas espera-se mais repertório de quem goza de tal prestígio e de quem está no cargo que ocupa.

O maior mérito de Marcelo no Palmeiras foi o crescimento de Dudu. O atacante deixou de ser um corredor de lado do campo para participar da armação do time e chegar à área fazendo gols: foi o principal atleta do Verdão em 2015. Desde de que Leandro Pereira, em agosto, foi de titular à última opção do ataque em uma semana, a gestão de elenco e escolhas são muitas vezes difíceis de se compreender na Academia. Aconteceu de novo, com outro Leandro, o Almeida. Ganhou espaço mesmo com evidentes limitações técnicas até comprometer e ser prontamente limado. Matheus Sales reserva de Thiago Santos? Espantoso, também, ouvir de um treinador consagrado que o empate com o Oeste se deu pelo "maior tempo de preparação do adversário". Mesmo que isso fosse verdade, seria uma desculpa das mais ultrapassadas diante da diferença de estrutura e elenco de um gigante para um nanico.

A opinião pública costuma malhar dirigentes quando troca-se de técnico sem olhar o trabalho, baseando-se apenas em resultado. E quando se vê um trabalho problemático com resultado, como em 2015? Optou-se por seguir com Marcelo Oliveira em 2016. E assim como é difícil defender o trabalho do treinador na Academia, mesmo com título, também não dá para achar normal mudar agora no meio de fevereiro. Agora a diretoria que fez a escolha mais óbvia no fim do ano precisa dar mais tempo para que ele trabalhe com as novas peças. A reação do time na estreia da Libertadores e no clássico contra o Santos podem ser decisivas. Veremos o bom Palmeiras dos jogos grandes ou o sofrível de jogos pequenos? Mais respostas virão na terça e no sábado.

Você é a favor da troca de técnico agora? Fiz a pergunta em meu Twitter (@ThiagoSalata). A parcial até a publicação deste texto era de 61% para o sim. Eu voto "não": é preciso ver o time titular de 2016 na Copa Libertadores. 

*Thiago Salata é editor do LANCE!