Olga Bagatini
01/08/2016
20:42
São Paulo (SP)

Alecsandro foi condenado a dois anos de suspensão após ser pego no exame antidoping por conta do uso de anabolizantes. O atacante foi julgado pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) no fim da tarde desta segunda-feira. A equipe de advogados contratada pelo atleta já anunciou que irá entrar com um recurso da decisão - o departamento jurídico do Palmeiras tem dado apoio.

A substância foi encontrada no exame do jogador após o clássico contra o Corinthians, no dia 3 de abril, pelo Campeonato Paulista. Alec já cumpriu um mês de punição preventiva – os 30 dias serão deduzidos destes dois anos, pena decidida por três dos cinco votos no TJD-SP. Os outros dois pediram ao atacante a pena máxima, de quatro anos. 

A defesa alegou que o atleta realizou um implante capilar em dezembro e por isso teve de usar loções e medicamentos no tratamento que continham uma substância legalizada, mas que foi metabolizada por seu fígado e a “transformou” no anabolizante, pois ambos têm moléculas semelhantes. Foram necessários três médicos, um deles especialista em bioquímica, para sustentar o argumento de que o jogador não ingeriu o anabolizante.

A favor de Alecsandro contou o retrospecto "limpo" em 15 anos de carreira e o fato de que não teria como prever a alteração química da substância. Ele lembrou que entre 2014 e 2015, quando defendia o Flamengo, foi sorteado diversas vezes e passou por cerca de 15 exames antidoping. Na época, não houve resultados adversos.

- Venho de família de esportistas. Meu pai, Lela, foi campeão brasileiro, assim como meu irmão Richarlyson. Eu nasci dentro do futebol. Meu pai sempre me explicou os princípios de ser um atleta e eu zelo muito por minha imagem e minha família. Saber que havia sido pego no doping foi muito difícil para mim - afirmou o jogador durante seu depoimento.

- Fui questionado pelo presidente Paulo Nobre se havia tomado alguma substância por conta própria e fui até arrogante. 'Po, presidente, você está brincando comigo, né?' - acrescentou o jogador, que se emocionou ao lembrar a reação do filho de 11 anos quando soube que ele havia sido flagrado. 

Contra o atleta estava o fato de ter sido beneficiado na competição, já que a substância queima gordura e aumenta o desempenho do atleta. Também pesou uma contradição: ele disse que parou de tomar a medicação quando recebeu a notificação do doping, em junho. Em maio, no entanto, o atacante realizou novo exame - que não constatou a presença da substância. 

Desse modo, a votação do TJD-SP deu o gancho ao jogador de 35 anos e que tem contrato até o fim do ano. Alecsandro ficou abatido ao ouvir a sentença, que agora será publicada pelo tribunal em até 48 horas. Depois disso, o clube terá três dias para recorrer.