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Empate no Arruda complica ainda mais a situação de Santa Cruz e Ceará na Série B
Em partida de baixo nível técnico, Santa Cruz e Ceará empataram por 1 a 1, nesta terça-feira, no Arruda. A equipe pernambucana saiu na frente com Carlinhos Paraíba, aos 36 minutos da etapa inicial, mas a torcida do Tricolor não pôde nem comemorar. Um minuto após, Mazinho Lima completou o cruzamento de Arlindo Maracanã e empatou.
Com o resultado, ambas as equipes continuam em situação delicada na tabela de classificação da Série B do Campeonato Brasileiro. O Santa Cruz permanece na zona de rebaixamento, na 18ª colocação, agora com 14 pontos. Já o Ceará está três posições à frente, com 16.
Durante toda a etapa inicial, o desenho tático do Santa Cruz foi facilmente identificado. A equipe concentrara todas as suas jogadas de ataque no lado do esquerdo do campo, mais precisamente em dois jogadores: Nildo, responsável por sair com a bola em velocidade da defesa para o ataque, e Piauí, com a incumbência de alçar as bolas na área. No meio-de-campo, Carlinhos Paraíba tinha a função de distribuir as jogadas, mas a forte marcação da equipe cearense praticamente anulou o apoiador.
Já o Ceará, que se fechou nos dez minutos iniciais, apostara nas jogadas de contra-ataque. Em velocidade, o lateral-direito Arlindo Maracanã, que mais uma vez foi improvisado na esquerda, soube explorar com eficiência o buraco deixado pelo lateral-direito do Santa Cruz, Carlinhos. Com jogadas rápidas e tabelas envolventes com o atacante Rômulo, foi dos pés de Arlindo que a maior parte das jogadas de perigo do Ceará saíram.
No entanto, o fraco desempenho de Zé Augusto, artilheiro da equipe na competição com quatro gols e responsável por finalizar as jogadas, acabou por irritar o treinador Heriberto da Cunha.
A primeira boa chance da partida só foi acontecer aos 25 minutos, quando Arlindo Maracanã cobrou falta da intermediária e exigiu uma difícil defesa do goleiro Gottardi, que se esticou e mandou para escanteio. Aos poucos, o Ceará ia dominando o adversário e deixando aflita a torcida do Tricolor. Aos 32 minutos, Marcelo Ramos, até então isolado na frente, teve a sua primeira oportunidade de gol na partida. Piauí cobrou falta da esquerda, na cabeça de Marcelo Ramos, mas Adílson fez a defesa em dois tempos.
Três minutos depois, o Santa finalmente chegou ao gol, utilizando a mesma estratégia. Desta vez, num contra-ataque. Romeu roubou a bola no campo de defesa e lançou Nildo, em velocidade, no flanco esquerdo do campo. O apoiador, destaque isolado da equipe pernambucana, cruzou na área e Carlinhos Paraíba se antecipou a Flávio para cabecear no canto esquerdo de Adílson, que nada pôde fazer.
Enquanto a torcida ainda comemorava, o Ceará conseguiu o improvável. Aos 36 minutos, um após a equipe pernambuca inaugurar o placar, Arlindo Maracanã foi à linha de fundo, trouxe para o pé direito e cruzou na medida para Mazinho Lima, que também se antecipou à defesa adversária com eficiência, e cabeceou no pé da trave. Perplexos com o gol relâmpago de empate, os jogadores do Santa cozinharam a partida até que o árbitro decretasse o fim da etapa inicial.
Na volta para a etapa complementar, mudanças na linha de frente das duas equipes. Mauro Fernandes sacou o jovem Leandro Biton, que pouco fez, para a entrada de Cláudio. Já Heriberto da Cunha, tirou o experiente e ineficaz Zé Augusto para a entrada do irregular Vavá. No entanto, o que se viu no segundo tempo foi a continuidade do fraco futebol apresentado pelas equipes.
Para piorar, uma expulsão para cada lado antes dos 20 minutos. Aos sete minutos, o lateral-direito Carlinhos, um dos piores jogadores na partida, deu um carrinho violento em Arlindo Maracanã e recebeu o segundo cartão amarelo. Aos 14, foi a vez de Luiz Carlos receber o segundo cartão amarelo, após entrada criminosa em Nildo. Desesperados, os torcedores do Santa começavam a xingar os jogadores e vaiar a equipe.
Aos 27 minutos, o atacante Cláudio perdeu a melhor chance da partida. Nildo fez boa jogada individual pelo flanco esquerdo e achou Cláudio na área, livre de marcação. O atacante se atrapalhou ao dominar a bola, mas, ainda assim, conseguiu chutá-la na trave do goleiro Adílson.
Aos 32 minutos, o técnico Mauro Fernandes quebrou o protocolo e resolveu sacar o próprio Cláudio, que entrara na etapa complementar. A torcida, insatisfeita com o gol perdido pelo atacante, tratou de xingá-lo na saída do gramado. Em seu lugar, entrou o lento Márcio Tarrafas, que pouco fez em campo. Ao apito final do árbitro, a torcida do Santa perdeu a paciência e cobrou reforços dos dirigentes tricolores, que nesta quarta-feira devem anunciar uma lista de dispensa com pelo menos dez jogadores. Para o Ceará, cujo empate foi tão trágico quanto, coube baixar a cabeça e se dirigir ao vestiário.
FICHA TÉCNICA
SANTA CRUZ-PE 1 X 1 CEARÁ-CE
Estádio: Arruda, Recife (PE)
Data/Hora: 20h30min - 24/07/2007
Árbitro: Wladyerrison Silva Oliveira (CE)
Auxiliares: Arnaldo Rodrigues de Souza (CE) e João Batista Lucas Correia (CE)
Renda/Público: R$ 25.705.00 - 19.672 pagantes.
Cartões Amarelos: Carlinhos (SAN), Luiz Carlos (CEA), Mazinho Lima (CEA), Marcelo Ramos (SAN), Flávio (CEA), Adriano (SAN)
Cartões Vermelhos: Carlinhos, 7'/2ºT (SAN), Luiz Carlos, 14'/2ºT (CEA).
GOLS: Carlinhos Paraíba, 35'/1ºT (1-0); Mazinho Lima, 36'/1ºT (1-1).
CEARÁ: Adílson, Erivélton, Fernando, Luís Carlos; Marcos Pimentel, Thiago Almeida, Flávio, Mazinho Lima e Arlindo Maracanã; Zé Augusto (Vavá, Intervalo) e Rômulo. Técnico: Heriberto da Cunha.
SANTA CRUZ: Gottardi, Carlinhos, Adriano (Ivson, 40'/2ºT), Hugo, Piauí; Amaral, Romeu, Carlinhos Paraíba e Nildo; Leandro Biton (Cláudio, Intervalo) (Márcio Tarrafas, 32'/2ºT) e Marcelo Ramos. Técnico: Mauro Fernandes.