time de amputados do Corinthians

Mogi das Cruzes conta com dois times de futebol de amputados (Foto:Elias Brown)

Elias Brown
09/04/2016
07:10
Mogi das Cruzes (SP)

Já imaginou Neymar, Kaká, Ricardo Oliveira e outros jogadores de Seleção deixando de comparecer a um evento esportivo por falta de verba para as passagens? Infelizmente, foi isso que aconteceu com os jogadores do Corinthians Mogi, time de futebol para amputados. A equipe, base da Seleção Brasileira da modalidade, não conseguiu marcar presença em evento esportivo por não ter condições de bancar as passagens.

O jogo festivo aconteceu no mês de fevereiro, em Maringá, estado do Paraná, e foi organizado pelo Magnus Futsal, atual time de Falcão.

De acordo com o capitão do Corinthians Mogi, Rogerinho, o contato foi feito duas semanas antes do evento e o time acabou não conseguindo angariar dinheiro suficiente para a compra das passagens.

– O evento daria muita visibilidade para nós e quando um time não possui muito apoio uma chance como essa de ter visibilidade é importante. Nos ligaram uns 15 dias antes e, infelizmente, não deu tempo de conseguir o auxílio financeiro necessário. Acabamos não comparecendo – lamentou o jogador ao LANCE!.

Foi justamente Rogerinho o idealizador do projeto de futebol para amputados em Mogi das Cruzes. Em 2009, quando atuava pelo Praia Grande Futebol de Amputados e foi convocado para a Seleção Brasileira para disputar a Copa América, terminando com o título e artilharia, decidiu criar um time local de inclusão, para ajudar outras pessoas que estivessem em situação parecida com a sua. Inicialmente, o projeto se chamava SMEL Mogi Só Vida Futebol de Amputados, mas como em pouco tempo o número de atletas aumentou muito, foi necessário criar um outro time para que todos os envolvidos pudessem disputar os campeonatos da modalidade. Atualmente, as equipes se chamam Corinthians Mogi e Instituto Só Vida e carregam o nome de seus principais patrocinadores (Corinthians e Instituto só vida).

Embora possuam títulos importantes e jogadores convocados para a Seleção Brasileira, os clubes ainda sofrem com a falta de apoio e pouca visibilidade. A Copa do Mundo de futebol para amputados será disputada este ano e o Brasil está garantido para a competição que acontece no México. O torneio ainda não tem data definida.

O PROJETO DE FUTEBOL PARA AMPUTADOS EM MOGI

Goleiro da seleção já foi impedido de jogar na lusa

O atual goleiro do Corinthians Mogi e da Seleção Brasileira, Gabriel Magalhães, de 20 anos, contou à reportagem que antes de conhecer o futebol de amputados fez um teste para jogar futsal na Portuguesa. Embora tenha sido aprovado, acabou impedido de jogar pela Federação Paulista de Futsal.

– Eu sempre fui jogador de linha, jogava muito futebol de salão, até que com 15 anos fui à Portuguesa fazer um teste e passei, mas acabei sendo impedido de atuar. A Federação Paulista de Futsal alegou que havia uma norma que não permitia que eu jogasse com não deficientes. Na época eu fiquei bem chateado – revelou.

Um ano após ter sido barrado, Magalhães conheceu o Corinthians Mogi e passou a fazer parte da equipe. Como a sua deficiência é em uma das mãos - má formação congênita - o até então jogador de linha começou a jogar no gol e acabou se descobrindo na posição (na modalidade o goleiro precisa ter ao menos três dedos amputados). Com o time, Gabriel conquistou diversos títulos nacionais e acabou sendo convocado para a Seleção Brasileira de Amputados. Atualmente, sustenta o título de melhor goleiro da Copa América, no ano passado.

BATE-BOLA

Rogerinho, atacante do Corinthians Mogi

‘Ainda falta ganhar a Copa do Mundo com a Seleção Brasileira’

Como surgiu o projeto de futebol de amputados em Mogi?

Depois que eu fui convocado para a Seleção Brasileira, decidi criar um time local. No início eram três atletas, depois começamos a realizar palestras e divulgações na mídia local. Aos poucos, os jogadores foram aparecendo e trazendo outras pessoas para o projeto.

Quando você ganhou destaque no futebol de amputados?
Em 2009, quando eu deixei de jogar no meio de campo e passei a atuar no ataque. Aí comecei a fazer gols e fui para a Seleção. Graças a Deus, faz três anos que sou artilheiro de todas as competições oficiais de futebol para amputados em âmbito nacional.

Falta algum título para você?
Ainda falta conquistar a Copa do Mundo com a Seleção (risos). Nacionalmente eu já ganhei todos os campeonatos. Além disso, sou tricampeão da Copa América, joguei dois Mundiais e tenho mais de 25 títulos como artilheiro. Tenho um memorial com mais de cem troféus.

Com a palavra:
Juliana Jacques (Psicóloga do Corinthians Mogi)

É importante ter um acompanhamento psicológico nesta modalidade para que o indivíduo possa se sentir acolhido dentro do projeto. O estímulo do trabalho em equipe é a nossa principal ferramenta, mas aplicamos também, semanalmente, algumas técnicas e testes psicológicos. Nosso principal objetivo aqui é a inclusão social, a partir do esporte.