Polícia prende 26 torcedores envolvidos em atos de violência

Secretário de Segurança retira facas de maleta apreendida em sede da Gaviões (Foto: Arlete Alcântara)

LANCE!
15/04/2016
17:36
São Paulo (SP) 

A operação deflagrada nesta sexta-feira pela Policia Civil de São Paulo contra as torcidas organizadas levou, até o momento, à prisão de 26 pessoas. Batizada de Cartão Vermelho, ela tem como alvo torcedores suspeitos de cometerem atos de violência em quatro locais da capital paulista no último dia 3 de abril, data em que ocorreu o clássico entre Palmeiras e Corinthians, no Pacaembu, pelo Campeonato Paulista. No dia seguinte, a secretaria de Segurança Pública determinou que os clássicos no estado deverão ser disputados com torcida única até o fim do ano. 

Além da detenção de 26 torcedores (no total são 37 os mandados de prisão, sendo dez temporárias e 27 provisórias), o presidente da Mancha Alviverde, Anderson Nigro, foi preso por desacato.  Wellington Rocha, ex-presidente da Gaviões, e Philipe Gomes Lima, presidente da Pavilhão 9, estão entre os procurados. Em entrevista coletiva, o secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, declarou que espera colaboração das torcidas organizadas na identificação dos suspeitos, sob pena de medidas severas contra elas. 

- Estamos dando duas opções: ou as torcidas organizadas nos ajudam a identificar e prender os criminosos, ou ficam do lado do crime e, nesse caso, serão tratadas como organizações criminosas.

A operação teve início às 5 horas da madrugada e envolve 200 policiais civis e cem viaturas. Policiais vistoriaram sedes da Mancha Alviverde na capital e na Baixada Santista. Também houve ações em duas organizadas do Corinthians: a Gaviões da Fiel e a Pavilhão 9. 

No total, a Justiça de São Paulo expediu 69 mandados. São 37 de prisão e 32 de busca e apreensão. As ordens foram realizadas em São Paulo, em municípios da Grande São Paulo, Campinas, Santos e na mineira Uberaba, onde foi feita uma prisão. 

Na operação realizada na sede da Mancha Alviverde em São Paulo, o presidente foi detido por desacato. Ele terá que assinar um termo circunstanciado - para casos de menor potencial ofensivo - e será liberado. 

Na sede de algumas torcidas em Campinas e Santos foram apreendidas armas brancas. 

- Na Gaviões da Fiel, havia uma maleta para notebook com diversas facas, algumas delas com fita isolante enrolada no cabo, para que não ficassem impressas digitais. Na Mancha da Baixada, encontramos apetrechos de artefatos explosivos - afirmou o secretário. 

Na sede da Gaviões foram apreendidos cerca de R$ 62,6 mil sem origem e destino comprovados e celulares dos suspeitos. 

- Nos aparelhos foi possível verificar conversas entre torcedores nas quais eles demonstram preocupação com a possível identificação deles por imagens divulgadas pela televisão. Era uma confissão. 

A ação também redundou no fechamento da sede da torcida Pavilhão 9, na zona oeste de São Paulo, por falta de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros. A secretaria informou que a Gaviões também estava sem alvará de funcionamento e um laudo está sendo feito para que o prédio seja emparedado. 

Além das buscas e prisões relacionadas às torcidas de Corinthians e Palmeiras, e Operação Cartão Vermelho cumpriu mandados de busca na casa de alguns membros da Independente, do São Paulo. Eles são alvo de investigação por ofensas em redes sociais. Mas o foco da ação é mesmo em cima dos acontecimentos do dia 3 de abril. 

Torcedor Preso
Helder Alves confessou ter atirado sinalizador em Oruro (Foto: Reprodução/Internet)

PRESO DE ORURO

Um dos detidos pela Polícia na manhã desta sexta é o torcedor do Corinthians Helder Alves Martins, que assumiu a autoria do disparo do sinalizador que matou o garoto boliviano Kevin Espada, em Oruro, em um joga da Libertadores de 2013. Na época, o organizado tinha 17 anos Integrante da Gaviões da Fiel, Helder estaria envolvido na briga entre organizadas do Timão e Palmeiras após o clássico entre os times, no dia 3 de abril.

MORTE NAS BRIGAS

A diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), Elisabete Sato, afirmou que a morte de José Sinval Batista de Carvalho, de 53 anos, foi o ponto de partida da operação. Ele passava na praça Padre Aleixo Monteiro Mafra, em frente à estação São Miguel Paulista da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e foi alvejado por um tiro quando acontecia um confronto entre torcedores. O episódio ainda está sendo apurado.