Carolina Alberti
15/07/2017
19:27
Ilhabela (SP)

Em meio à barcos feitos de madeira, o Lexus/Chroma chama a atenção. Competindo na classe ORC, o barco preto e branco é inteiramente feito com fibra de carbono e kevlar - mesmo material usado nos carros de Fórmula-1. Com 11 tripulantes à bordo, sob o comando do empresário Luis Gustavo de Crescenzo, o barco chega a um custo de um milhão de reais em manutenção apresenta peculiaridades em relação aos convencionais, o que torna o seu comando mais específico.

O comandante da embarcação que terminou em 12º na Semana de Vela de Ilhabela explica que o barco é bem mais leve, sendo oco por dentro. Além disso, é mais complicado de dirigir.

- Ele é um projeto todo feito na regra da ORC. Não dá para sair com este barco para passear. Ele é oco, não tem banheiro nem cama. É um barco exclusivamente racer. A velejada dele também é muito diferente de um barco comum. Pessoas que velejam barcos comuns não se dão bem nesse e visse versa. Nós não conseguiríamos tirar um bom desempenho num barco comum - explica Gustavo, que completa:

- Ele é muito mais complicado. Enquanto um barco comum, para você fazer uma manobra, tem um cabo (escota) para mudar de um lado para o outro, esse, além de mudar essa escota, você ainda ajusta oito pontos em cada vela e em um barco comum você ajusta um ponto só. 

Sobre o resultado na competição, Crescenzo vê a mescla de barcos como uma dificuldade. 

- O nosso barco ele foi concebido para correr na ORC internacional A e na ilha eles estão misturando. Isso interfere um pouco nos resultados reais, porque a regra não consegue identificar muito bem os barcos se você não puser todos os dados da regata. Como aqui está um pouco misturado, a gente ficou um pouco abaixo da tabela.

Por ser feito com um material distinto, o barco precisa de cuidados especial. Além de cobrir a vela com uma capa para evitar exposição ao sol, já que ela também é feita de fibra de carbono, também é necessária uma revisão diária.

- É um barco que exige muito cuidado. Toda vez que a gente chega da regata, tem que olhar todos os pontos, todas as peças. Você tem que ter um cuidado acima do normal com o barco e, entre regatas, tem que estar treinando o tempo inteiro e achando novos pontos, novas formas de velejar. Não é fácil, mas é gratificante.

O empresário conta que começou a velejar no início dos anos 2000 por influência de um amigo, hoje falecido. 

- Eu sempre gostei muito de barco e de mar. Um grande amigo meu, que começou na vela comigo no começo dos anos 2000 que já faleceu que me colocou nisso. Ele queria muito velejar e sempre falava para eu comprar um barco com ele para velejarmos. Fui relutante até 2002/2003 aí acabei cedendo, comecei a velejar com ele e me apaixonei pelo esporte. Daí em diante, me envolvi cada vez mais até chegar aqui - relembra.

Empresário na Chroma, uma das patrocinadoras do barco, Gustavo explica que esta patrocínio é comum e não vê problemas, caso não haja 'sinergia entre as empresas'. Além disso, essas competições são pontos de encontro entre CEOs.

- Geralmente essas regatas e esses campeonatos, os empresários se conversam e você acaba tendo um fomento de negócios. A gente une o útil ao agradável aqui, o que é muito legal. 

Com a meta de disputar todas as competições de vela no Brasil no ano que vêm, o comandante vê a prova de Ilhabela como uma das melhores do país. 

- Fantástica. Realmente este evento de vela no Brasil, eu acho que é disparadamente o melhor do Brasil e um dos melhores da América Latina. Eu acho que perde, e por muito pouco, para as regatas do Caribe.