icons.title signature.placeholder Jonas Moura
icons.title signature.placeholder Jonas Moura
29/08/2015
17:02

O sinal de alerta foi acionado. No decorrer da semana, o judô brasileiro sinalizou que vai precisar repensar algumas estratégias para ajudar o país a alcançar a meta de 27 a 30 pódios nos Jogos Rio-2016. No Mundial de Astana, no Cazaquistão, que teve as disputas individuais encerradas neste sábado, foram somente duas medalhas. O resultado é o pior desde a edição de 2009, quando a Seleção voltou para casa de mãos vazias.

A preocupação existe, uma vez que o judô é esporte é o que mais trouxe láureas olímpicas ao país, com um total de 19 (três ouros, três pratas e 13 bronzes). Mas há tempo para arrumar a casa. Os atletas que saíram com maior otimismo da competição cazaque foram Érika Miranda (52kg) e Victor Penalber (81kg), com um bronze cada.

Por outro lado, astros e estrelas que chegaram ao torneio carregando forte expectativa, como a campeã olímpica Sarah Menezes (48kg), as campeãs mundiais Mayra Aguiar (78kg) e Rafaela Silva (57kg), e o campeão pan-americano Charles Chibana (66kg), deixaram a competição precocemente.

– Foi um resultado bem aquém do esperado. E não estamos falando com base em achismo, mas por retrospecto. Acontece. No Rio, em 2007, conseguimos nosso melhor desempenho, com quatro medalhas, e no seguinte, em Roterdã, não ganhamos nada. Parecia o fim do mundo. Fomos para a Olimpíada de Londres e conquistamos quatro medalhas. Então, já vimos este cenário acontecer, tanto aqui como em outros países – disse ao LANCE! o ex-judoca Flávio Canto, medalhista de bronze em Atenas-2004.

A preparação da modalidade durante o ciclo olímpico é uma das prioridades do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Em 2015, a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) terá recebido R$ 3,9 milhões provenientes de repasses da Lei Agnelo/Piva, que destina 2% do prêmio pago aos apostadores de todas as loterias federais do país ao COB (85%) e ao Comitê Paralímpico Brasileiro (15%). O valor corresponde ao teto anual, ao qual só judô, atletismo, esportes aquáticos, vela e vôlei têm direito.

O resultado no Mundial se soma a outros alertas recentes. No Pan de Toronto, em julho, o desempenho da modalidade não chegou a ser ruim, mas evidenciou uma queda em relação à edição de Guadalajara (MEX), em 2011, no número de ouros. No Canadá, o Brasil conqusitou 13 medalhas (cinco ouros, duas pratas e seis bronzes). No México, foram seis douradas. 

– É hora de levantar a cabeça e manter o foco em 2016. Podemos conquistar pelo menos cinco medalhas na Olimpíada. Três medalhas no feminino e duas no masculino é algo factível. Essa é a competição que tem de prevalecer na cabeça deles. O objetivo é quebrar o recorde em quantidade de medalhas olímpicas. Mas, para isso, precisamos da Mayra, da Rafaela Silva e do masculino com desempenhos melhores do que no Mundial – afirmou Flávio.

Neste domingo, os brasileiros ainda voltarão ao tatame, mas agora para as disputas por equipes. 

O DESEMPENHO DO BRASIL NOS ÚLTIMOS MUNDIAIS

Rio de Janeiro (BRA)-2007
Na ocasião, o Brasil conseguiu sua melhor resultado na história em Mundiais. Foram quatro medalhas, todas no masculino, sendo três ouros, com João Derly (66kg), Tiago Camilo (81kg) e Luciano Corrêa (100kg), e um bronze, com João Gabriel Schlittler (+100kg).

Roterdã (HOL)-2009
Apesar do embalo na edição anterior, o país decepcionou na Holanda. Nenhum atleta conquistou medalhas. Foi o pior desempenho do Brasil na história. 

Tóquio (JPN)-2010
Embora não tenha ido tão bem quanto em casa, ao menos a Seleção Brasileira apagou a imagem ruim deixada no ano anterior. Foram quatro medalhas, sendo três de prata, com Leandro Cunha (66kg), Leandro Guilheiro (81kg) e Mayra Aguiar (78kg), e uma de bronze, com Sarah Menezes (48kg).

Paris (FRA)-2011
Desta vez, o Brasil conseguiu um total de seis medalhas, mas novamente não faturou ouros. Foram três pratas, com Leandro Cunha (66kg), Rafaela Silva (57kg) e a equipe masculina, e três bronzes, com Leandro Guilheiro (81kg), Sarah Menezes (48kg) e Mayra Aguiar (78kg).

Rio de Janeiro (BRA)-2013
Em casa, o Brasil voltou a brilhar e totalizou sete medalhas, sua melhor marca na história em quantidade. Rafaela Silva (57kg) conquistou um ouro, Érika Miranda (52kg), Maria Suelen Altheman (+78kg), Rafael Silva (+100kg) e a equipe feminina foram prata, e Sarah Menezes (48kg) e Mayra Aguiar (78kg) ficaram com o bronze.

Cheliabinsk (RUS)-2014
Na ocasião, a equipe brasileira conseguiu quatro medalhas, sendo um ouro, com Mayra Aguiar (78kg), uma prata, com Maria Suellen Altheman (+78kg) e dois bronzes, com Érika Miranda (52kg) e Rafael Silva (+100kg).

Astana (KAZ)-2015
Apenas dois atletas medalharam. Érika Miranda (52kg) e Victor Penalber (81kg) faturaram um bronze cada.

COM A PALAVRA

Flávio Canto

Medalhista de bronze em Atenas-2004 e campeão pan-americano em Santo Domingo-2003

Para alguns atletas, como a Mayra, o resultado não foi nada bom. Ela era a atual campeã e estava super bem. Houve casos em que as chaves não ajudaram. O Tiago Camilo perdeu para o russo Kirill Denisov (que terminou como vice), na estreia. O David Moura foi super bem e perdeu por muito pouco a segunda luta para o japonês Ryu Shichinore.

No Cazaquistão, tivemos a lesão da Maria Suelen, que atrapalhou. Ela é uma atleta que mantém a regularidade, assim como a Érika Miranda. Foi ruim, mas perdemos na hora certa. Manteremos a previsão de cinco medalhas. Por tradição, sempre há um ou outro atleta que surpreende. Tivemos o Felipe Kitadai com o bronze na em Londres. O Victor (Penalber) não é surpresa, mas foi um bom resultado. Um cara como Charles Chibana, que ainda não aconteceu em Olimpíadas e Mundiais, tem potencial. O Luciano Corrêa e o Tiago Camilo estão reaparecendo. E é bom para a Sarah Menezes ter a Nathália Brigida na cola. Pode fazer com que ela saia da zona de conforto e se renove.

O Rafael Silva (Baby), que estava lesionado, é um cara com muita constância. Fez muita falta. Mas temos na categoria o David, que está arrebentando, foi campeão pan-americano e vai esquentar a disputa para os Jogos Olímpicos. Estaremos bem representados. É uma categoria para pensarmos em medalha, certamente. A comissão técnica está tratando ambos com atenção.

O sinal de alerta foi acionado. No decorrer da semana, o judô brasileiro sinalizou que vai precisar repensar algumas estratégias para ajudar o país a alcançar a meta de 27 a 30 pódios nos Jogos Rio-2016. No Mundial de Astana, no Cazaquistão, que teve as disputas individuais encerradas neste sábado, foram somente duas medalhas. O resultado é o pior desde a edição de 2009, quando a Seleção voltou para casa de mãos vazias.

A preocupação existe, uma vez que o judô é esporte é o que mais trouxe láureas olímpicas ao país, com um total de 19 (três ouros, três pratas e 13 bronzes). Mas há tempo para arrumar a casa. Os atletas que saíram com maior otimismo da competição cazaque foram Érika Miranda (52kg) e Victor Penalber (81kg), com um bronze cada.

Por outro lado, astros e estrelas que chegaram ao torneio carregando forte expectativa, como a campeã olímpica Sarah Menezes (48kg), as campeãs mundiais Mayra Aguiar (78kg) e Rafaela Silva (57kg), e o campeão pan-americano Charles Chibana (66kg), deixaram a competição precocemente.

– Foi um resultado bem aquém do esperado. E não estamos falando com base em achismo, mas por retrospecto. Acontece. No Rio, em 2007, conseguimos nosso melhor desempenho, com quatro medalhas, e no seguinte, em Roterdã, não ganhamos nada. Parecia o fim do mundo. Fomos para a Olimpíada de Londres e conquistamos quatro medalhas. Então, já vimos este cenário acontecer, tanto aqui como em outros países – disse ao LANCE! o ex-judoca Flávio Canto, medalhista de bronze em Atenas-2004.

A preparação da modalidade durante o ciclo olímpico é uma das prioridades do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Em 2015, a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) terá recebido R$ 3,9 milhões provenientes de repasses da Lei Agnelo/Piva, que destina 2% do prêmio pago aos apostadores de todas as loterias federais do país ao COB (85%) e ao Comitê Paralímpico Brasileiro (15%). O valor corresponde ao teto anual, ao qual só judô, atletismo, esportes aquáticos, vela e vôlei têm direito.

O resultado no Mundial se soma a outros alertas recentes. No Pan de Toronto, em julho, o desempenho da modalidade não chegou a ser ruim, mas evidenciou uma queda em relação à edição de Guadalajara (MEX), em 2011, no número de ouros. No Canadá, o Brasil conqusitou 13 medalhas (cinco ouros, duas pratas e seis bronzes). No México, foram seis douradas. 

– É hora de levantar a cabeça e manter o foco em 2016. Podemos conquistar pelo menos cinco medalhas na Olimpíada. Três medalhas no feminino e duas no masculino é algo factível. Essa é a competição que tem de prevalecer na cabeça deles. O objetivo é quebrar o recorde em quantidade de medalhas olímpicas. Mas, para isso, precisamos da Mayra, da Rafaela Silva e do masculino com desempenhos melhores do que no Mundial – afirmou Flávio.

Neste domingo, os brasileiros ainda voltarão ao tatame, mas agora para as disputas por equipes. 

O DESEMPENHO DO BRASIL NOS ÚLTIMOS MUNDIAIS

Rio de Janeiro (BRA)-2007
Na ocasião, o Brasil conseguiu sua melhor resultado na história em Mundiais. Foram quatro medalhas, todas no masculino, sendo três ouros, com João Derly (66kg), Tiago Camilo (81kg) e Luciano Corrêa (100kg), e um bronze, com João Gabriel Schlittler (+100kg).

Roterdã (HOL)-2009
Apesar do embalo na edição anterior, o país decepcionou na Holanda. Nenhum atleta conquistou medalhas. Foi o pior desempenho do Brasil na história. 

Tóquio (JPN)-2010
Embora não tenha ido tão bem quanto em casa, ao menos a Seleção Brasileira apagou a imagem ruim deixada no ano anterior. Foram quatro medalhas, sendo três de prata, com Leandro Cunha (66kg), Leandro Guilheiro (81kg) e Mayra Aguiar (78kg), e uma de bronze, com Sarah Menezes (48kg).

Paris (FRA)-2011
Desta vez, o Brasil conseguiu um total de seis medalhas, mas novamente não faturou ouros. Foram três pratas, com Leandro Cunha (66kg), Rafaela Silva (57kg) e a equipe masculina, e três bronzes, com Leandro Guilheiro (81kg), Sarah Menezes (48kg) e Mayra Aguiar (78kg).

Rio de Janeiro (BRA)-2013
Em casa, o Brasil voltou a brilhar e totalizou sete medalhas, sua melhor marca na história em quantidade. Rafaela Silva (57kg) conquistou um ouro, Érika Miranda (52kg), Maria Suelen Altheman (+78kg), Rafael Silva (+100kg) e a equipe feminina foram prata, e Sarah Menezes (48kg) e Mayra Aguiar (78kg) ficaram com o bronze.

Cheliabinsk (RUS)-2014
Na ocasião, a equipe brasileira conseguiu quatro medalhas, sendo um ouro, com Mayra Aguiar (78kg), uma prata, com Maria Suellen Altheman (+78kg) e dois bronzes, com Érika Miranda (52kg) e Rafael Silva (+100kg).

Astana (KAZ)-2015
Apenas dois atletas medalharam. Érika Miranda (52kg) e Victor Penalber (81kg) faturaram um bronze cada.

COM A PALAVRA

Flávio Canto

Medalhista de bronze em Atenas-2004 e campeão pan-americano em Santo Domingo-2003

Para alguns atletas, como a Mayra, o resultado não foi nada bom. Ela era a atual campeã e estava super bem. Houve casos em que as chaves não ajudaram. O Tiago Camilo perdeu para o russo Kirill Denisov (que terminou como vice), na estreia. O David Moura foi super bem e perdeu por muito pouco a segunda luta para o japonês Ryu Shichinore.

No Cazaquistão, tivemos a lesão da Maria Suelen, que atrapalhou. Ela é uma atleta que mantém a regularidade, assim como a Érika Miranda. Foi ruim, mas perdemos na hora certa. Manteremos a previsão de cinco medalhas. Por tradição, sempre há um ou outro atleta que surpreende. Tivemos o Felipe Kitadai com o bronze na em Londres. O Victor (Penalber) não é surpresa, mas foi um bom resultado. Um cara como Charles Chibana, que ainda não aconteceu em Olimpíadas e Mundiais, tem potencial. O Luciano Corrêa e o Tiago Camilo estão reaparecendo. E é bom para a Sarah Menezes ter a Nathália Brigida na cola. Pode fazer com que ela saia da zona de conforto e se renove.

O Rafael Silva (Baby), que estava lesionado, é um cara com muita constância. Fez muita falta. Mas temos na categoria o David, que está arrebentando, foi campeão pan-americano e vai esquentar a disputa para os Jogos Olímpicos. Estaremos bem representados. É uma categoria para pensarmos em medalha, certamente. A comissão técnica está tratando ambos com atenção.