Centro Paralímpico Brasileiro recebe Festival Paulista de Parataekwondo

O parataekwondo estará presente em Tóquio-2020 na categoria de combate (Foto: Divulgação)

Carolina Alberti
18/12/2016
08:00
São Paulo

Anunciada como modalidade paralímpica em Tóquio-2020, o parataekwondo começa a tomar forma no Brasil. Sob o comando do presidente Alan Nascimento, a Federação Brasileira planeja o ciclo paralímpico e vê o país como potência na modalidade.

– A gente espera que até 2019 todos os nossos atletas estejam entre os quatro primeiros do ranking. Se isso acontecer, nós estaremos entre as três maiores potências do parataekwondo mundial – afirma Alan.

O presidente explica que os atletas começarão a ser ranqueados em 2017, já que o anúncio da modalidade como integrante do programa olímpico aconteceu neste ano, e admite que a prioridade é manter a modalidade nas próximas edições.

– A nossa preocupação hoje é se terá um número suficiente de participantes para a gente manter o parataekwondo nas próximas edições.

Apesar do futuro incerto, o também treinador da Seleção Brasileira vê o Brasil com chances de conquistar medalhas douradas e oito atletas em condições de participar.

­- A qualidade técnica dos atletas é muito alta e eu acho que o Brasil vai surpreender no parataekwondo. Acho que é a nossa chance de trazer mais de uma medalha de ouro. Se a gente apresentar números, estatisticamente é muito possível a gente conseguir alcançar os degraus mais altos do pódio em 2020.

Na última edição do mundial, na Turquia, 37 países participaram com 111 atletas, no total. Cada país pode levar até 34 integrantes para competir, logo esperava-se um número mais significativo de participantes.

Além dos números favoráveis, o técnico da classe de poomsae (sem contato físico), Marcos Beckner, vê a inclusão do parataekwondo como uma vitrine e ponto de partida para a expansão da modalidade.

­- A perspectiva que eu tenho para 2020 é que isso sim vai ajudar a dar o grande boom ao taekwondo mundial e mostrar para todos que a arte marcial taekwondo não tem limites. Isso vai demonstrar para muita gente por aí que o taekwondo realmente é uma modalidade muito forte.

Além disso, ele comenta que, ao ver um deficiente em um evento mundial, como os Jogos Paralímpicos, fica comprovado que é possível realizar qualquer sonho. Ele lembra da Cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos da Rio-2016, com o americano Aaron Wheelz realizando um salto em uma rampa.

- Aquilo foi fantástico e demonstrou que independente da sua condição, não há limites. A pessoa quando quer chegar lá, ela busca chegar ao objetivo de alguma maneira.

A grande dificuldade, segundo o treinador, é se preparar psicologicamente, para conseguir passar tranquilidade para seus atletas.

- Acho que vai ser mais difícil para mim, para eu poder domar as ideias de forma com que eu consiga transpassar os limites e passar toda a informação que eu queira para os atletas. Isso vai ser mais complexo para mim, porque com o atleta depois é mais fácil. Se você conhecer o atleta, entender os limites dele e até aonde você pode seguir, aí o atleta só segue o mestre.

Debora Bezerra sonha com vaga olímpica

Integrante da classe de combate K-40, para amputados de membros superiores, Debora Berreza de Menezes sonha com uma vaga em Tóquio-2020 desde o anúncio da inclusão do partaekwondo.

Sem parte do braço direito, ela conta que já realiza treinamentos com a Seleção, no CT de São Caetano.

– Eu estou treinando com o pessoal de São Caetano, eles estão me dando todo o suporte com treinamento tanto físico quanto técnico.

Para aumentar suas chances de ir à Tóquio-2020, Debora precisará perder 17kg até fevereiro, quando começa o calendário oficial do parataekwondo. Porém a atleta ressalta que, caso consiga uma vaga, tudo valerá a pena.

– Estou ralando bastante mas eu tenho certeza que vai valer a pena todo
este esforço.

O grande sonho de Debora, atualmente, é sair de Tóquio-2020 com uma medalha no peito.

– Sonho com isso – admite.

Antes do parataekwondo a jovem praticou duas modalidades, futebol e paratletismo. Com o lançamento de dardo, ela bateu o recorde brasileiro, mas hoje se dedica só à luta coreana.

Memória

Criado Comitê de Parataekwondo
Em 2005, a Federação Mundial de Taekwondo (WTF, em inglês) cria o comitê para estimular a prática da modalidade entre deficientes.

Primeiro Mundial
Ocorre, em 2009, o primeiro Campeonato Mundial de Parataekwondo. Já foram
realizadas seis edições, sendo a última no ano passado, em Samsun, Turquia.

Reconhecimento
No dia 16 de outubro de 2013 a WTF foi reconhecida pelo Comitê Paralímpico Internacional.

Carta enviada
WTF envia carta ao Comitê Paralímpico Internacional (IPC) pedindo a inclusão da modalidade no programa paralímpico de Tóquio-2020.

Modalidade olímpica
Conselho de admissão do IPC decide que o parataekwondo fará parte do programa da próxima edição olímpica.

Lima-2019
A modalidade estará presente na próxima edição dos Jogos Parapan-Americanos, em Lima, Peru. A decisão foi divulgada do dia dois de março deste ano.