Miguel Carlos Cagnoni

Cagnoni é pré-candidato na eleição a presidente da CBDA (Foto: Reginaldo Castro)

Fábio Suzuki
28/09/2016
18:38
São Paulo (SP) 

Principal opositor a Coaracy Nunes na presidência da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Miguel Cagnoni, diz que não ficou surpreso com o resultado da assembleia que aprovou, nesta quarta, no Rio, diversas mudanças no estatuto da entidade. Presidente da Federação Aquática Paulista (FAP), ele aponta que as alterações apenas favorecem a chapa da situação que concorrerá na eleição da CBDA – que é liderada por Ricardo de Moura, atual diretor-executivo – como já era esperado.

Em entrevista ao LANCE!, Cagnoni diz que “nada daquilo que é exigido por lei foi alterado no estatuto da CBDA” mas que tem esperança no parecer do juiz da 8ª Vara Cível do Rio de Janeiro que irá validar ou não as mudanças aprovadas na assembleia desta quarta.

Leia abaixo a entrevista na integra com o dirigente.

Como avalia a Assembleia da CBDA ocorrida nesta quarta?
Ocorreu o que já se esperava. Nada daquilo que é exigido por lei foi alterado no estatuto da CBDA e as mudanças realizadas foram apenas as que favorecem a chapa da situação da entidade.

Que mudanças são essas?
O primeiro deles é em relação ao voto dos atletas, que tinham direito a um voto na eleição da CBDA e seu peso foi reduzido a 1/6, o que é praticamente nada. Não foram incluídos também os clubes nas assembleias, conforme prevê a Lei Pelé, que dá o direito de participação aos clubes de primeira e segunda divisões. Eles podem argumentar que na natação não tem divisão nos campeonatos mas no polo aquático tem, da mesma forma como outras modalidades. O mais grave da reunião, entretanto, foi em relação ao Artigo 74 do estatuto. Da forma como ficou o artigo, qualquer pessoa que a CBDA julgue ter causado dano à sua imagem ou atividade, poderá ser punida e ter seu mandato cassado. É uma decisão totalmente arbitrária. Na prática, é uma cassação de mandatos.

Não teve oposição a essas mudanças durante a Assembleia?
Sim. Fiz questão de debater e colocar a minha posição durante a reunião para que tudo seja relatado na ata até como uma forma de poder comprovar depois. Isso foi feito por outros dirigentes também. Mas essa foi uma assembleia que não tinha o que fazer pois tinha um grupo que votava em bloco. Essa mudança para a CBDA poder punir dirigentes, por exemplo, foi aprovado com 19 votos a favor e apenas 8 contra.

Soube que a CBDA proibiu a entrada de advogados na reunião. Isso ocorreu?
Sim. Eu, por exemplo, sou advogado mas nunca exerci a profissão. Sempre fui empresário. Então, eu pedi para o diretor jurídico da Federação Aquática Paulista (FAP) poder participar da reunião por entender melhor as questões jurídicas em relação à mudança do estatuto e o pedido foi negado. O presidente da Federação do Rio também fez o mesmo e não conseguiu. Havia um ambiente muito complicado, foi tudo muito politizado.

Uma liminar obtida na 8ª Vara Cível do Rio de Janeiro obriga que qualquer mudança no estatuto precisa passar pelo crivo de um juiz. Como ficam as alterações aprovadas?
Isso nos dá uma certa garantia de que tudo o que foi aprovado na assembleia passará pela avaliação de um juiz antes de ser protocolado e entrar em vigor. Agora não há muito o que fazer a não ser esperar essa posição do juiz.

Como ficam as eleições previstas para o início de 2017?
Creio que esse estatuto não entre em em vigor até a eleição, que deve ocorrer com as normas antigas. Se houver uma posição da Justiça, aí vamos ver o que será alterado de fato no estatuto.

E sua chapa, continua de pé após a assembleia de hoje?
Sim. Até porque o que houve hoje pode influenciar positivamente. Ficou claro para muita gente que há uma “mão-de-ferro” na entidade. A administração da CBDA deveria estar voltada a bons resultados nas piscinas, mas não é esse o foco da atual direção.