Russa Mariya Savinova (Foto: JOHANNES EISELE/AFP)

Russa Mariya Savinova foi campeã olímpica em Londres-2012 (Foto: JOHANNES EISELE/AFP)

Rafael Valesi
11/11/2015
05:55
São Paulo (SP)

Na Rússia tem. No Brasil, tem também. Na Índia, você irá encontrar. No Irã, Romênia, Quênia, Grécia, Dinamarca, Holanda, Jamaica, Estados Unidos, Espanha, e onde mais você imaginar, ele está lá, presente mais do que nunca: o doping.

Os países acima estão em uma lista negra. Todas elas têm, neste momento, pelo menos um atleta suspenso no atletismo.

Estes dados podem ser encontrados no site oficial da Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf). A lista foi atualizada no dia 27 de outubro, e traz um número sintomático: 287 atletas pelo mundo estão impedidos de competir enquanto você lê esta coluna, por cumprirem pena imposta pela Iaaf ao violarem o código antidoping.

Avaliar se 287 casos é muito ou pouco é relativo. Certamente há quem ache este número pequeno, diante do número de atletas espalhados pelo planeta, e haverá quem pense o contrário. No entanto, o que chama a atenção na lista de atletas suspensos da Iaaf é a variedade de países presentes.

O doping no atletismo está na África, Ásia, Europa e América. Está em países ricos, como a Finlândia, mas também em nações pobres, como a Nigéria. As substâncias são utilizadas em potências esportivas, como a França, e em times que não deverão ganhar medalha na Rio-2016, como Myanmar.

Se você acompanhou o noticiário nos últimos dias, tem boas chances de acertar quem lidera esta lista negra. Sim, a Rússia, com 43 casos. No entanto, o escândalo protagonizado pelo país de Vladimir Putin, com a presença de um sistema complexo para burlar o sistema antidoping, é só a ponta do iceberg.

Como se vê acima, o problema vai muito além da Rússia. A divulgação das últimas notícias sobre o país só ajudaram a colocar ainda mais o nome do atletismo na lama.

Esta modalidade precisa levar um choque. A credibilidade do atletismo hoje em dia praticamente inexiste. E para reverter isso, entidades como a Iaaf, Wada e COI precisarão revirar este assunto do avesso, sem poupar países ou as estrelas das pistas. E a melhor chance para fazer isso é agora.