Marcelo Laguna
04/10/2016
07:00
São Paulo (SP)

Uma das mais longas dinastias do esporte olímpico brasileiro ganhará nesta terça-feira o aval para seguir no poder. Pelos próximos quatro anos, Carlos Arthur Nuzman deverá continuar no comando do COB (Comitê Olímpico do Brasil), na eleição marcada para a manhã desta terça-feira, na sede da entidade, a partir das 10h30, no Rio de Janeiro.

Contudo, o nome de Nuzman, que está na presidência desde 1995 e partirá para o seu sexto mandato, não será referendado de forma unânime. Alaor Azevedo, presidente da CBTM (Confederação Brasileira de Tênis de Mesa), confirmou que irá se posicionar contra a permanência de Nuzman.

– Não irei referendar a reeleição dele, como aliás já fiz há oito anos. Não sei se serei o único a não votar nele, mas estou com a consciência tranquila e nem temo sofrer qualquer tipo de retaliação por parte do Comitê Olímpico nos próximos anos. Isso faz parte do jogo democrático e não estou ferindo nenhuma lei – disse Azevedo ao LANCE!

O dirigente bem que tentou ter uma participação mais representativa no processo eleitoral do COB. Em abril, ganhou uma liminar na Justiça do Rio de Janeiro que assegurava a possibilidade de inscrever uma chapa de oposição um mês antes da eleição, ao contrário dos seis meses previstos no estatuto. No final de setembro, essa liminar foi cassada e com isso Nuzman deverá ser reeleito. A chapa terá como vice Paulo Wanderley, presidente da CBJ (Confederação Brasileira de Judô).

– É um absurdo ele tentar novo mandato. Vai completar um quarto de século sem estabelecer um plano para o futuro do esporte brasileiro. Há uma insatisfação geral, mas muitos têm medo de se posicionar por causa do poder econômico do COB, que distribuí as verbas de Lei Agnelo Piva – afirmou o dirigente.

Alaor Azevedo tem uma pequena esperança de brecar o novo mandato de Nuzman. Para isso, a Justiça do Rio precisaria julgar o mérito das liminares como procedente e anular a eleição. Mas essa decisão pode demorar até seis meses para acontecer.

Bate-Bola com Alaor Azevedo

​‘É inexplicável o Nuzman querer emplacar mais um mandato’

LANCE!: Carlos Arthur Nuzman partirá para seu sexto mandato como presidente do COB. Algum dirigente já perguntou a ele o motivo de ainda querer seguir no comando?

Alaor Azevedo: Eu já fiz isso diretamente, na última Assembleia Geral do COB. Na ocasião, ele disse que era porque queria finalizar a prestação de contas da Rio-2016, o que convenhamos não tem cabimento, pois não precisaria ser feita por ele. Agora, ele diz que quer continuar para evitar que o Brasil tenha uma queda de rendimento muito grande em Tóquio-2020. É inexplicável querer emplacar um novo mandato no COB.

P: Acha que sua chapa teria condições de derrotá-lo?

Quando conseguimos a liminar, em abril, tínhamos o compromisso de apoio de oito confederações, sendo que duas (pentatlo moderno e tiro esportivo) assinaram um documento de apoio. As demais disseram que não poderiam esperar tanto tempo para se posicionar e também ficaram com medo de tomar uma posição contrária a ele. Afinal, quem quer fazer oposição às vésperas da Olimpíada, com medo de ficar sem verbas de preparação?

P: Comenta-se nos bastidores do COB que Nuzman poderia não terminar esse mandato, pois iria assumir a presidência da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana). Acha isso possível?

Também já ouvi essa conversa, tanto que por isso ele teria colocado o Paulo Wanderley como vice em sua chapa. Mas sinceramente não acho que o Nuzman tem como plano largar o COB pela Odepa. Ele já acumulou o cargo com a Rio-2016, por exemplo.