icons.title signature.placeholder Guilherme Cardoso e Rafael Valesi
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21/08/2015
07:05

Em Pequim, não se fala em outra coisa. Às vésperas da 15ª edição do Campeonato Mundial de Atletismo, que terá suas primeiras provas na noite desta sexta-feira (horário de Brasília) na capital da China, o tema de entrevistas, reportagens e conversas de bastidores foi quase  unânime: doping.

O evento começará após um mês conturbado dentro da modalidade, principalmente após denúncias de veículos da mídia internacional sobre acobertamento de casos, e novos testes positivos.

A maior bomba caiu no início de agosto sobre a Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf), entidade máxima da modalidade no planeta.

Em reportagem da emissora alemã ADR e do jornal inglês “Sunday Times”, a Iaaf teria escondido resultados positivos de atletas medalhistas (146 nomes) em Campeonatos Mundiais e Olimpíadas entre 2001 e 2012. No entanto, outras notícias semelhantes chacoalharam o atletismo (leia mais abaixo).

Com tudo isso, o Mundial de Atletismo em Pequim começará sob uma nuvem de ceticismo, desconfiança e até mesmo de crise.

O impacto do doping sobre a modalidade é tão grande que algumas comparações com o ciclismo, esporte em que inúmeros casos de doping aparecem anualmente, já começaram a ser feitas.

– Nós não somos o ciclismo. Não temos lições a aprender de outras modalidades – falou nesta semana Lamine Diack, que está de saída da presidência da Iaaf para dar lugar ao britânico Sebastian Coe, eleito na quarta-feira para o cargo.

Coe, inclusive, também teve de se posicionar sobre o tema.

– A tolerância é zero a respeito de doping em meu esporte, e manterei isso com o máximo nível de vigilância – falou o novo presidente.

Todas essas notícias sobre doping ofuscaram as expectativas de recordes mundiais e quem são os favoritos às medalhas no Mundial. Até mesmo o retorno de um grande evento ao icônico estádio Ninho de Pássaro, símbolo da Olimpíada de 2008, acabou em segundo plano.

Maratona abre competição

 A primeira medalha de ouro do Campeonato Mundial de Atletismo em Pequim sairá já na noite desta sexta-feira.

Às 20h30 (de Brasília), será dada a largada para a maratona masculina, em que 68 atletas percorrerão 42,195 km pelas ruas da capital da China. O Brasil terá três atletas: Solonei da Silva, Gilberto Lopes e Edmilson Santana.

No primeiro dia de competições, outras duas finais serão realizadas: arremesso de peso feminino, e 10.000m masculino, com a presença do astro britânico Mo Farah. O Mundial de Pequim será disputado até o dia 30.


A LINHA DO TEMPO DO DOPING NO ATLETISMO RECENTEMENTE

Dezembro de 2014
A emissora alemã ARD publica um documentário denunciando um esquema de corrupção e doping sistemático na Rússia em diversas modalidades, entre elas o atletismo. Autoridades esportivas, entre elas a Agência Antidoping Russa (Rusada), acobertariam casos positivos de atletas locais. O caso ganhou repercussão mundial. 

2 de agosto de 2015
A TV alemã faz novas denúncias, ao lado do jornal inglês “Sunday Times”. Desta vez alvo é a Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf). Um terço das medalhas em Mundiais e Olimpíadas entre 2001 e 2012 (146 pódios) teriam sido obtidas por atletas dopados, mas que tiveram seus casos encobertos.

11 de agosto de 2015
Encurralada após as denúncias, a Iaaf tenta mostrar serviço e que está preocupada com o combate ao doping. A entidade anuncia que reavaliou exames dos Mundiais de Helsinque-2005 e Osaka-2007, e detectou 32 novos casos positivos. Nenhum nome de competidor flagrado, no entanto, foi divulgado pela associação.

17 de agosto de 2015
A turca Asli Cakir Alptekin é suspensa por oito anos e tem sua medalha de ouro obtida na Olimpíada de Londres-2012 nos 1.500m cassada pela Corte Arbitral do Esporte (CAS) – a Iaaf recorreu após a absolvição da atleta em seu país. Em 2013, ela apresentou níveis sanguíneos alterados em seu passaporte biológico.


Em Pequim, não se fala em outra coisa. Às vésperas da 15ª edição do Campeonato Mundial de Atletismo, que terá suas primeiras provas na noite desta sexta-feira (horário de Brasília) na capital da China, o tema de entrevistas, reportagens e conversas de bastidores foi quase  unânime: doping.

O evento começará após um mês conturbado dentro da modalidade, principalmente após denúncias de veículos da mídia internacional sobre acobertamento de casos, e novos testes positivos.

A maior bomba caiu no início de agosto sobre a Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf), entidade máxima da modalidade no planeta.

Em reportagem da emissora alemã ADR e do jornal inglês “Sunday Times”, a Iaaf teria escondido resultados positivos de atletas medalhistas (146 nomes) em Campeonatos Mundiais e Olimpíadas entre 2001 e 2012. No entanto, outras notícias semelhantes chacoalharam o atletismo (leia mais abaixo).

Com tudo isso, o Mundial de Atletismo em Pequim começará sob uma nuvem de ceticismo, desconfiança e até mesmo de crise.

O impacto do doping sobre a modalidade é tão grande que algumas comparações com o ciclismo, esporte em que inúmeros casos de doping aparecem anualmente, já começaram a ser feitas.

– Nós não somos o ciclismo. Não temos lições a aprender de outras modalidades – falou nesta semana Lamine Diack, que está de saída da presidência da Iaaf para dar lugar ao britânico Sebastian Coe, eleito na quarta-feira para o cargo.

Coe, inclusive, também teve de se posicionar sobre o tema.

– A tolerância é zero a respeito de doping em meu esporte, e manterei isso com o máximo nível de vigilância – falou o novo presidente.

Todas essas notícias sobre doping ofuscaram as expectativas de recordes mundiais e quem são os favoritos às medalhas no Mundial. Até mesmo o retorno de um grande evento ao icônico estádio Ninho de Pássaro, símbolo da Olimpíada de 2008, acabou em segundo plano.

Maratona abre competição

 A primeira medalha de ouro do Campeonato Mundial de Atletismo em Pequim sairá já na noite desta sexta-feira.

Às 20h30 (de Brasília), será dada a largada para a maratona masculina, em que 68 atletas percorrerão 42,195 km pelas ruas da capital da China. O Brasil terá três atletas: Solonei da Silva, Gilberto Lopes e Edmilson Santana.

No primeiro dia de competições, outras duas finais serão realizadas: arremesso de peso feminino, e 10.000m masculino, com a presença do astro britânico Mo Farah. O Mundial de Pequim será disputado até o dia 30.


A LINHA DO TEMPO DO DOPING NO ATLETISMO RECENTEMENTE

Dezembro de 2014
A emissora alemã ARD publica um documentário denunciando um esquema de corrupção e doping sistemático na Rússia em diversas modalidades, entre elas o atletismo. Autoridades esportivas, entre elas a Agência Antidoping Russa (Rusada), acobertariam casos positivos de atletas locais. O caso ganhou repercussão mundial. 

2 de agosto de 2015
A TV alemã faz novas denúncias, ao lado do jornal inglês “Sunday Times”. Desta vez alvo é a Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf). Um terço das medalhas em Mundiais e Olimpíadas entre 2001 e 2012 (146 pódios) teriam sido obtidas por atletas dopados, mas que tiveram seus casos encobertos.

11 de agosto de 2015
Encurralada após as denúncias, a Iaaf tenta mostrar serviço e que está preocupada com o combate ao doping. A entidade anuncia que reavaliou exames dos Mundiais de Helsinque-2005 e Osaka-2007, e detectou 32 novos casos positivos. Nenhum nome de competidor flagrado, no entanto, foi divulgado pela associação.

17 de agosto de 2015
A turca Asli Cakir Alptekin é suspensa por oito anos e tem sua medalha de ouro obtida na Olimpíada de Londres-2012 nos 1.500m cassada pela Corte Arbitral do Esporte (CAS) – a Iaaf recorreu após a absolvição da atleta em seu país. Em 2013, ela apresentou níveis sanguíneos alterados em seu passaporte biológico.