Montagem - Peyton Manning x Cam Newton

A experiência de Peyton Manning (esq.) contra a juventude de Cam Newton: quem leva a melhor? (Fotos: AFP)

Felipe Domingues
25/01/2016
11:41
São Paulo (SP)

Nos últimos anos vêm sendo comum analisarmos o Super Bowl como um jogo de ataque contra defesa. Foi assim em 2014, quando a defesa do Seattle Seahawks superou o ataque do Denver Broncos, ou até em 2015, quando o New England Patriots deu o troco contra o Seattle. Mas, em 2016, na 50ª edição da decisão da NFL, a história é um pouco distinta: números contra experiência.

Nas estatísticas (e no campo), o ataque do Carolina Panthers é, inegavelmente, o melhor da liga. Na temporada regular, foram 15 vitórias em 16 jogos, empilhando rivais pelo caminho e, diferentemente do Patriots, que chegou ao Super Bowl em 2008 invicto, o time de Charlotte perdeu quando podia.

O quarterback Cam Newton deve ser coroado como MVP (melhor jogador da temporada), e define o que são os jogadores do futuro. Com uma força física invejável, o principal nome ofensivo da equipe vem se tornando melhor a cada ano. Nesse, foram 35 touchdowns aéreos e 3.837 jardas, além de 10 TD's corridos e 636 jardas. A melhora também é vista na proteção à bola: apenas dez interceptações e quatro fumbles.

Luke Kuechly
Luke Kuechly: a máquina defensiva (Mike Ehrmann/Getty Images/AFP)

Seus fiéis escudeiros, Jonathan Stewart (running back), Greg Olsen (tight end), Ted Ginn Jr. (wide receiver/running back) e Corey Brown (wide receiver) vêm apresentando bons números no ano, e tiveram papel essencial na vitória contra o Arizona Cardinals na semifinal.

Esse duelo, aliás, mostrou um outro lado do Panthers que muita gente duvidava. Enquanto o ataque do time foi o melhor em jardas ofensivas corridas (148,0) e totais (385,5 por jogo), além de ser o quinto em passes (237,5), a defesa se apresentou para todos.

O quarterback do Cardinals, Carson Palmer, que até esse domingo fazia uma temporada brilhante, sofreu quatro interceptações e dois fumbles, sendo pressionado em todos os ataques. Se "quase interceptação" fosse um quesito, ele terminaria o jogo com números na casa dos dois dígitos.

O linebacker Luke Kuechly comandou a defesa do Carolina no ano, que ainda conta com os fortes defensive tackle Kawann Shortt e o free safety Kurt Coleman. Em números gerais, a defesa foi a sétima melhor da Liga (Broncos em décimo), cedendo 345 jardas por jogo e, mais importante, marcando pontos. Em interceptações, fumbles ou erros adversários, o Panthers capitalizou.

Greg Olsen
Greg Olsen: o alvo favorito (Grant Halverson/Getty Images/AFP)

Mas, se há um quesito que a equipe de Charlotte não lidera, é a experiência. Isso o Denver Broncos tem de sobra.

Dos principais nomes ofensivos do time de Colorado, o maior deles, o quarterback Peyton Manning, é o "pilar" dessa experiência. Aos 39 anos, o veterano vai à sua quarta disputa de Super Bowl, recuperado da lesão e descansado após não jogar por metade da temporada.

Além dele, nomes como Emmanuel Sanders (wide receiver), Demaryius Thomas (wide receiver) e C.J. Anderson (running back), vitais no ataque do Denver, já disputaram pelo menos uma decisão da NFL.

Derek Wolfe e Von Miller
Derek Wolfe e Von Miller brilharam em Boston (Dustin Bradford/AFP)

Mas o forte da equipe não é apenas a experiência. A defesa do Broncos deu muito trabalho ao Patriots na final da AFC, interceptando um dos maiores nomes da história da Liga, Tom Brady, duas vezes, além de forçar dois turnovers on downs (quarta descida não convertida) duas vezes em um momento crucial da partida e somar 20 "pancadas" no jogador.

Os linebackers Brandon Marshall, Von Miller, Danny Trevathan e DeMarcus Ware são quatro dos principais nomes do campeonato, enquanto os safeties e cornerbacks T.J. Ward, Aqib Talib e Chris Harris aliam experiência, força e inteligência ao corpo de defensores do Denver, assim como o defensive end Derek Wolfe, que deu trabalho a Brady no Colorado.

Manning encara um time que nunca conquistou o Super Bowl, avançando à decisão apenas uma vez na história (derrota em 2004). O quarterback, porém, não tem um bom histórico na disputa. Após ser campeão com o Indianapolis Colts em 2007, perdeu a final com o mesmo time em 2010 e foi atropelado pelo Seattle, em 2014, pelo Broncos.

Owen Daniels
Owen Daniels provou ser um alvo confiável (Foto: Justin Edmonds/AFP)

Quem leva o título do Super Bowl?

Entre tantos números e estatísticas, uma coisa é certa: O Levi's Stadium, em Santa Clara, na Califórnia, receberá um dos melhores jogos da temporada no dia 7 de fevereiro.

O Carolina mostrou uma força ofensiva muito grande nos dois duelos nos playoffs desse ano, superando a boa defesa do Seattle Seahawks e anulando o forte ataque do Arizona Cardinals. Mas não mostrou consistência em momentos vitais, cedendo uma reação na semi e quase repetindo o erro na final.

Jovem, o time ainda sofre com alguns "altos e baixos emocionais", mas, muitas vezes, compensa isso com um desempenho irretocável no ataque e a pressão inegável de sua defesa.

O Broncos, por sua vez, teve dois times nesse ano: o da primeira metade da temporada, com Manning cambaleando e conquistando vitórias por puro mérito defensivo, e o da segunda, com Brock Osweiler no lugar do machucado veterano e um ataque apenas regular.

Com a volta do quarterback de 39 anos, o Denver ganha em opções ofensivas, com uma profundidade que Osweiler não possui e uma alternativa para ler a defesa adversária que, hoje, poucos possuem na NFL. Mas a defesa continua sendo o estandarte do experiente time de Colorado.

Quente, com 17 vitórias em 18 jogos, o Carolina Panthers entra no Super Bowl 50 como favorito. Um bom ataque, uma boa defesa e um time com fome. Essa deve ser a receita para o primeiro título da franquia. Mas não dá para descartar a experiência. Manning vai em busca daquele que pode ser o último título de sua carreira.

Façam suas apostas, mas tenham certeza: o Super Bowl 50 promete. E muito.

Confira todos os duelos dos playoffs da NFL:

Wild Card Conferência Americana (AFC):
9/1 - Houston Texans 0 x 30 Kansas City Chiefs
9/1 - Cincinnati Bengals 16 x 18 Pittsburgh Steelers 

Wild Card Conferência Nacional (NFC):
10/1 - Minnesota Vikings 9 x 10 Seattle Seahawks
10/1 - Washington Redskins 18 x 35 Green Bay Packers

Semifinais da AFC:
16/1 - New England Patriots 27 x 20 Kansas City Chiefs
17/1 - Denver Broncos 23 x 16 Pittsburgh Steelers

Semifinais da NFC:
16/1 - Arizona Cardinals 26 x 20 Green Bay Packers
17/1 - Carolina Panthers 31 x 24 Seattle Seahawks

Final da AFC:
24/1 - Denver Broncos 20 x 18 New England Patriots

Final da NFC:
24/1 - Carolina Panthers 49 x 15 Arizona Cardinals

Super Bowl 50:
7/2, às 21h30 - Carolina Panthers x Denver Broncos