Espresso

Tenha uma análise crítica do esporte lendo o LANCE! Espresso

Luiz Fernando Gomes 
06/10/2017
09:46
São Paulo (SP)

Falcatruas no COB e nas confederações de futebol, vôlei e desportos aquáticos (só para citar algumas), conluio para corromper, fraudar e desviar dinheiro... No Brasil, o esporte e a política nunca estiveram tão entrosados. Por isso, é fundamental que as recentes operações policiais de combate à corrupção, que têm respingado em figurões até então inalcançáveis aos olhos da lei, sejam eficientes e implacáveis com os comprovadamente culpados.

Caçar e punir com rigor os criminosos do esporte brasileiro pode ser o que falta para, em um futuro próximo, usufruirmos do legado que eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos do Rio deveriam ter deixado de fato logo após as suas realizações. Pode ajudar a criar, com a participação de gente capacitada e bem-intencionada, uma nova estrutura esportiva, com processos eleitorais mais democráticos, que usufrua de arenas e equipamentos recém-construídos que hoje mofam por falta de uso, transparente na relação com o dinheiro público e privado, que apoie a formação de talentos e a educação por meio de práticas esportivas, e que não abandone os seus campeões à própria sorte. Livrar-se dos vícios patriarcais é essencial para construir novas identidade e credibilidade ao esporte olímpico brasileiro daqui por diante.

Ainda faltam vozes

Não custa lembrar: os presidentes dos comitês organizadores da Copa (José Maria Marin) e dos Jogos Olímpicos do Rio (Carlos Arthur Nuzman) estão atualmente detidos. O chefão da CBF, Marco Polo Del Nero, não viaja para o exterior por receio de ser enjaulado, e seu padrinho político na entidade, Ricardo Teixeira, já teve prisão decretada na Espanha, mas goza de liberdade em sua mansão no Rio. O cerco a Nuzman, ontem, gerou óbvia repercussão internacional e reação até do COI, mas a classe esportiva brasileira ainda segue tímida na hora de se posicionar.

A Comissão de Atletas do COB, felizmente, não se omitiu. Há exceções a serem louvadas, como Joanna Maranhão, Diogo Silva, Romário, Gustavo Endres, Fernando Meligeni, nomes sempre atentos à realidade do esporte nacional. Sobram aos demais o silêncio ou aquela indignação com sorriso amarelo, especialmente no vôlei, que se beneficiou muito dos anos dourados de Nuzman.