Ricardo Fischer

Ricardo Fischer tenta jogada contra a defesa do Flamengo (Foto: João Pires/LNB)

Rafael Valesi
02/11/2015
21:37
Enviado especial a Bauru (SP)

Era só o jogo de abertura do NBB 8, mas parecia a final do campeonato. Em um duelo com arquibancada lotada, cheio de trombadas e com lances ríspidos, mas não violento, Bauru e Flamengo se enfrentaram pela partida inaugural do torneio nacional, na reedição da decisão da sétima edição. E a equipe paulista, que atuou em casa no ginásio Panela de Pressão, levou a melhor e venceu o atual tricampeão da liga por 77 a 73.

O Bauru, que estreou o técnico Demetrius em partidas oficiais (ele entrou no lugar de Guerrinha, demitido no mês passado), foi ao jogo com o Fla ainda um pouco engasgado da dura derrota sofrida no último NBB, em que perdeu por 2 a 0 na série melhor de três. E a rivalidade entre os dois melhores times do basquete brasileiro na atualidade foi nítida nas ações dos jogadores.

O time da casa foi para o intervalo após o primeiro tempo em vantagem de apenas dois pontos (36 a 34) principalmente pela mão certeira do pivô Rafael Hettsheimeir. Do outro lado da quadra, o Rubro-Negro, desfalcado de Marcelinho Machado, tinha em Marquinhos sua principal arma. Ele foi o responsável pelas principais jogadas individuais da equipe do Rio.

Enquanto o placar ia aumentando, a torcida bauruense pegava no pé do pivô Rafael Mineiro e o chamava de mercenário. Ele atuou pelo Bauru neste ano de forma temporária, na Copa Intercontinental contra o Real Madrid, e em dois jogos da pré-temporada da NBA nos Estados Unidos. Agora, no time rival, ele teve de ouvir alguns xingamentos dos fãs da equipe do interior paulista.

Nos 20 minutos finais, a história do jogo mudou. Aos poucos, o Bauru abriu diferença e chegou a ter 14 pontos de vantagem no meio do último quarto (70 a 56). Neste momento, porém, a equipe do armador Ricardo Fischer e do ala Alex Garcia sofreu um "apagão" e cedeu 11 pontos seguidos, principalmente por meio de turnovers.

Quando o placar estava 72 a 71 para os bauruenses, a menos de dois minutos de jogo, o americano Robert Day acertou uma bola de três que trouxe um pouco mais de tranquilidade à equipe da casa, e a diferença necessária para saírem com a vitória. O triunfo veio no sufoco, com emoção até o final. Igual a uma final de campeonato.

- É bom estar em casa novamente. Foi um jogo com clima de final, com ginásio lotado. O sentimento de revanche foi mais para a torcida, para nós foi mais um jogo - falou o armador Ricardo Fischer após a vitória.

*O editor viaja a convite da Liga Nacional de Basquete (LNB)