Marcelinho Huertas é uma das grandes armas do basquete brasileiro no Rio

Marcelinho Huertas afirma que Brasil terá tempo para chegar entrosado à Olimpíada (Foto: SCOTT HALLERAN/AFP)

Jonas Moura
31/05/2016
20:09
Rio de Janeiro (RJ)

A primeira experiência de Marcelinho Huertas na NBA demandou dúvidas, paciência e obstinação. Mesmo assim, o capitão da Seleção Brasileira de basquete está convicto de que a carreira seguiu o rumo certo a cerca de dois meses dos Jogos do Rio.

Apesar dos altos e baixos vividos com as cores do Los Angeles Lakers, franquia que acabou eliminada na fase regular deste ano, o armador cresceu em quadra na reta final. Ele está otimista até quanto à possível renovação do contrato.

– Os últimos dois meses foram muito bons. Pude demonstrar o meu valor. Há boa expectativa sobre continuar na NBA – disse Marcelinho, que concedeu entrevista coletiva nesta terça-feira, no Rio de Janeiro.

– Tivemos muitos problemas. O time sofreu com a falta de entrosamento, teve a despedida do Kobe Bryant e muita irregularidade, no coletivo e na minha participação.

Já de olho na Rio-2016, o atleta garante que a equipe comandada por Rubén Magnano terá tempo de adquirir o entrosamento necessário para brigar por uma medalha. A Seleção não joga com sua força máxima desde o Mundial da Espanha de 2014, quando foi eliminada pela Sérvia ainda nas quartas de final.

– O tempo será mais do que suficiente. Nossa Seleção será a primeira a se apresentar. Nenhuma outra equipe fará isto antes de julho – afirmou o jogador de 33 anos, que miniminou a falta do torneios com o elenco completo em 2015:

– Não influenciará em nada. O Magnano tem o mesmo estilo, as mesmas características, e nós o conhecemos. Talvez tenha sido até bom, pois descansamos após uma maratona de competições internacionais. Foi um ano de descanso.

Não é porque está fora da decisão da NBA que o jogador deixou o torneio de lado. Ele tem uma torcida declarada na final entre Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors, que começa amanhã, devido às presenças dos companheiros Anderson Varejão, trocado pelo Cavs em fevereiro, e Leandrinho. No caso do primeiro, a vitória pode ter sabor de "vingança".

– Gostaria que o Golden State ganhasse. Admiro a maneira que eles jogam e tenho dois grandes amigos lá. O Anderson não queria ser trocado. Agora, ele terá a oportunidade de mostrar seu valor, que não deram em Cleveland – disse.

BATE-BOLA
Marcelinho Huertas Armador do Brasil, em coletiva

‘Se o Pau Gasol não quiser vir para a Olimpíada, melhor para a gente’

Qual é sua expectativa para a final da NBA, a mesma de 2015?
Acho que o Cleveland está com sede de vingança pela derrota na final do ano passado. Eles estão vindo muito fortes. Enfrentaram o Toronto (Raptors), que deu uma balançada neles, mas no fim o Cavs ganhou de forma contundente. O Golden State, que era o grande favorito no início da temporada, passou por um momento difícil contra Oklahoma City Thunder e talvez chegue mais cansado. Agora, está tudo mais igualado do que antes.

Sua vontade para a próxima temporada é seguir no Lakers?
Não posso negociar antes do dia 1 de julho. Tive conversas boas com o Lakers no final da temporada. Gostaria de acelerar o processo, mas não tem nada certo. Quero jogar onde seja bom para mim, para minha carreira, onde eu me sinta importante. Quem não gostaria de jogar em uma franquia como o Lakers? Acho que não temos de ter qualquer preferência, mas se vier uma proposta, o time terá um peso a mais na minha decisão final.

Tem assistido à final do NBB entre Flamengo e Bauru? Qua avaliação faz do nível? Torce para qual?
Tenho visto bastante A decisão está bem igualada. O último jogo foi o de melhor nível técnico até agora. Este ano, posso acompanhar mais, porque a temporada acabou antes do que eu estava acostumado. É difícil saber o que vai acontecer. O Flamengo tem a faca e o queijo na mão (lidera a série por 2 a 1). Não tenho torcida para nenhum, para não haver polêmica.

O Brasil caiu em um grupo difícil na primeira fase da Olimpíada. O que pode falar dos adversários?
Todos os rivais são muito fortes na Olimpíada. O nível é uma barbaridade. Não podemos bobear, achar que haverá jogos mais fáceis. A Lutânia e a Espanha são potências, e a Argentina é um time chato, que já nos deu problemas em outros campeonatos.

O Paul Gasol (pivô da Espanha) cogitou não vir ao Brasil por causa do vírus zika. O que achou disso?
Eu não vi, mas ouvi dizer que ele falou. Bom para a gente. Não estou preocupado. Não temos como escolher quem vai pegar ou não. Pode acontecer em qualquer lugar. Se ele não quiser vir jogar, melhor para nós.