Thomas Bach presidente do COI apresentando a equipe de refugiados

Time olímpico de refugiados recebe Prêmio Laureus (Foto: FABRICE COFFRINI/AFP)

LANCE!
15/02/2017
15:09
São Paulo (SP)

No dia 5 de agosto de 2016, dez atletas da Equipe Olímpica de Atletas Refugiados fizeram história e conquistaram os corações do mundo ao entrarem no Estádio do Maracanã na cerimônia de abertura Rio-2016, antes do Brasil, o país anfitrião.

Naquele momento, foi apresentada ao mundo a primeira equipe de atletas refugiados a competir em uma Olimpíada. Caminhando sob a bandeira olímpica, eles se uniram aos maiores atletas do planeta e enviaram uma mensagem de inspiração às pessoas deslocadas em todo o mundo. Falar sobre a jornada da equipe aos Jogos Olímpicos é falar pouco da sua história.

Eles incorporaram o poder do esporte no Rio, e hoje a Equipe Olímpica de Atletas Refugiados recebeu o prêmio Laureus Sport for Good na categoria de Inspiração Esportiva antes da cerimônia de premiação Laureus World Sports Awards 2017, em Mônaco. A equipe foi anunciada como vencedora durante uma conferência da imprensa por Nawal El Moutawakel, membro da Laureus Academy e da comissão de coordenação do COI para os Jogos Olímpicos Rio-2016.

A equipe foi liderada pela chefe da missão e membro da Laureus Academy, Teegla Loroupe, uma das maiores fundistas de todos os tempo. O vínculo entre Loroupe e as atletas era claro, pois muitos dos membros da equipe a descreveram como sua mãe. Durante os jogos, a equipe formada por atletas da Síria, Congo, Etiópia e Sudão do Sul, competiu em atletismo, natação e judô. Eles não estavam representando apenas as suas nações em conflito, mas o mundo.

- Este prêmio é para as 65.4 milhões de pessoas deslocadas no mundo, que não podem ir para suas casas por causa de conflito. Cada uma das dez pessoas inspiradoras da nossa equipe triunfou sobre a adversidade e enfrentou viagens inimagináveis para chegar à linha de partida. Nós não estávamos no Rio para ganhar medalhas; nós estávamos lá com a ajuda do COI e do UNHCR para usar
o esporte para enviar uma mensagem de esperança e positividade para as pessoas ao redor do mundo. Mais trabalho deve ser feito para resolver a crise dos refugiados. Precisamos trabalhar juntos para construir um mundo mais pacífico para todas - afirmou Tegla Loroupe.

Na conferência da imprensa, Tegla Loroupe foi acompanhada pelos membros da Equipe Olímpica de Atletas Refugiados, o sul-sudanês Yiech Pur Biel, das provas de 800 metros do atletismo e o nadador sírio Rami Anis. Na cerimônia de entrega de prêmios Laureus World Sport em Mônaco, amanhã, eles partilharão o palco com o maratonista etíope Yonas Kinde e Ralf Grunert, do comitê de serviço do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, para aceitar a cobiçada estatueta Laureus.

Aos nove anos Yiech Pur Biel se perdeu na savana, quando sua mãe e seus irmãos mais jovens fugiram das etapas finais da guerra civil do Sudão, em 2005. Desde então ele não teve mais notícias da família. Abandonado, ele se defendeu na savana, alimentando-se de frutas ou folhas que encontrava e lutando para sobreviver longe da guerra. A jornada de Biel o levou a um campo de refugiados em Kakuma, no Quênia. Lá ele conheceu Tegla Loroupe e aprendeu a correr. Através do trabalho da Fundação de Paz Tegla Loroupe, ele teve a oportunidade de treinar no campo de atletismo dos refugiados em N'ngo. Dez meses depois, Yiech estava na linha de partida no Rio se preparando para correr contra os melhores do mundo.

- Estar aqui para receber este prêmio entregue por essas lendas do esporte é, na minha opinião, algo difícil de imaginar. No Rio, estivemos ao lado dos melhores atletas do mundo e provamos que embora sendo refugiados, podemos participar do maior evento esportivo do planeta. O esporte me
trouxe esperança, e acredito que podemos levar confiança e inspiração aos nossos companheiros refugiados - disse Yiech Pur Biel.

Rami Anis cresceu na capital síria de Aleppo. Nadador talentoso de pouca idade, ele foi um dos mais brilhantes astros do esporte de todos os países competindo como integrante da equipe nacional da Síria. Em 2011, com a crescente instabilidade na cidade, Rami fugiu como tantos outros à sua volta. Uma viagem para a Europa pela Turquia e a perigosa travessia pelo mar para a Grécia. Uma falha no motor do barco o fez passar pela Macedônia, Sérvia, Croácia, Hungria, Áustria, Alemanha e finalmente chegar à Bélgica. Rami voltou a treinar, levou seu corpo ao limite e foi selecionado como um dos dez atletas para representar a Equipe Olímpica de Atletas Refugiados. No Rio, Rami registrou um novo melhor recorde pessoal nas eliminatórias de 100m livres.

- Este prêmio significa muito. Não apenas para a Equipe Olímpica de Atletas Refugiados, mas também para as pessoas que nos ofereceram suporte em nossa jornada rumo aos Jogos Olímpicos. O esporte dá oportunidade a todos, e o que aconteceu nas Olimpíadas do Rio mostrou às pessoas no mundo inteiro que enfrentam dificuldades e medos que há esperança - alegou Rami.