Nuzman

Carlos Arthur Nuzman se afastou da presidência do Comitê Olímpico do Brasil (Foto: Divulgação)

LANCE!
10/10/2017
16:08
Rio de Janeiro (RJ)

Os advogados de Carlos Arthur Nuzman entraram na madrugada desta terça-feira com novo habeas corpus, após a Justiça acatar pedido do Ministério Público Federal e converter a prisão temporária do dirigente em preventiva, ou seja, por tempo indeterminado. Ele segue detido em Benfica, na Zona Norte do Rio, na mesma cela em que está Leonardo Gryner, seu braço direito e ex-diretor de operações no Comitê Olímpico do Brasil (COB).

A defesa mantém a tese de que faltam provas consistentes que mostrem participação de Nuzman em um esquema de compra de votos para que a capital fluminense fosse eleita sede dos Jogos do ano passado. 

“Se vê, pela ótica do juiz de primeiro grau, que todo o esteio de sua argumentação se louva na equívoca interpretação de que Carlos Arthur Nuzman, o atleta consagrado, o denodado dirigente esportivo, dedicado ao 6 desporto em muitas décadas de sua existência, contando 75 anos de idade, pudesse desprezar por completo seus ideais, seu sonho, sua razão de viver, seu maior mote existencial, para, obtendo êxito, mercê da realização dos Jogos Olímpicos em 2016, viesse a auferir vantagens, benesses ou propinas”, afirma a defesa do ex-presidente do COB.

De acordo com o pedido do MPF, caso Nuzman respondesse às acuações em liberdade, não existiriam garantias de que o cartola não interferiria na produção de provas em meio às investigações. O órgão justifica a tese com a forte influência que o carioca ainda exerce no COB e no Comitê Rio-2016. Ele presidia as duas entidades ao mesmo tempo.

Os advogados de Nuzman voltaram a criticar a participação da procuradoria francesa no caso, assim como já haviam feito no texto do primeiro pedido de habeas corpus, protocolado logo após o dirigente ser levado à Polícia Federal para depor, em setembro. Na ocasião, ele teve bens e passaportes apreendidos. A defesa queria a devolução dos documentos.

"Só depois da investigação em curso na França, por delito que não tem previsão normativa no direito penal brasileiro, e a partir da implementação de acordo de colaboração é que vicejou a imaginação fértil de investigadores, levando à conjectura de que existisse, há muito, uma "organização criminosa", dizem os advogados.

A Operação "Unfair Play" (Jogo Injusto, em português) apura a ligação de Nuzman com o senegalês Papa Massata Diack, filho de Lamine Diack, ex-presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf). Papa teria recebido propina para conseguir votos ao Rio de Janeiro.

Os procuradores federais também identificaram a ocultação de bens de Nuzman, incluindo 16 barras de ouro depositadas em um cofre na Suíça, para justificar a prisão. Eles citam ainda que o brasileiro teve crescimento de 457% em seu patrimônio, entre 2006 a 2016.

A situação piorou quando o MPF descobriu que Nuzman determinou o pagamento R$ 5,5 milhões com recursos do Comitê Rio-2016 a um escritório de advocacia para sua defesa criminal. A entidade afirma que o pagamento não foi efetuado por veto do Conselho Diretor.

No sábado, o cartola encaminhou aos membros do COB uma carta na qual pediu seu afastamento. Paulo Wanderley, que era seu vice, assumiu a entidade de forma interina. Nuzman também se licenciou do Comitê Rio-2016, que ainda tem dívida de R$ 120 milhões com fornecedores.