Treino da seleção Brasileira de Baskete

Carlos Nunes durante treino da Seleção feminina de basquete em São Paulo (Foto: Ale Cabral/Lancepress!)

Guilherme Cardoso
07/01/2016
15:55
São Paulo (SP)

"Sumido" desde o início da crise entre clubes da Liga Feminina de Basquete (LBF) e a Confederação Brasileira de Basquete (CBB), em novembro do ano passado, o presidente da entidade nacional, Carlos Nunes, finalmente se pronunciou sobre o assunto. Em contato com o site do LANCE!, o dirigente não se mostrou muito preocupado com a atual situação.

Segundo ele, não existe um descaso com a Seleção feminina em relação ao time masculino e as principais reivindicações do colegiado de clubes foram atendidas: como a troca no comando da equipe (saiu Luiz Augusto Zanon, alegando um problema de saúde, para a entrada de Antonio Carlos Barbosa) e a contratação de uma coordenadora (Adriana Santos foi anunciada em dezembro).

Vale lembrar que das 12 atletas convocadas inicialmente para o evento-teste da Rio-2016, sete pediram dispensa com a justificativa de problemas pessoais. Elas atuam por algumas das equipes protestantes: Corinthians/Americana, Santo André e América-PE (Presidente Venceslau também está no colegiado, enquanto o Sampaio Basquete cedeu suas jogadoras, e o Maranhão não tem mais se pronunciado sobre o caso). Apenas Clarissa, de Americana, se apresentou.

- Os clubes não liberaram, mas outras atletas foram. A atleta principal de Americana veio. Quem veio está consciente sobre o que é a Seleção. Isso não se mistura com política. Temos uma Seleção pronta para disputar o evento-teste - declarou Nunes.

Confira a entrevista com o presidente da CBB abaixo:

Após tudo o que aconteceu, a CBB vai chamar os clubes para conversar?
Carlos Nunes:
Acho que não. Atendemos as solicitações deles. Pediram a mudança de técnico, mudamos. Pediram alguém que entendesse de basquete na coordenação feminina e atendemos. Acho que não tem mais o que conversar. Atendemos os pedidos. Os clubes têm de cuidar das suas equipes, agora. Eles têm uma liga para cuidar. Da Seleção, a CBB cuida.

Os clubes dizem que existe um descaso com a Seleção feminina. O senhor concorda com isso?
CN:
Essas críticas são infundadas. A Clarissa sabe de todas as condições que damos à Seleção. A Érika, também. Essas duas são as expoentes do grupo. Nós nunca deixamos a Seleção feminina de lado na CBB.

Vocês aceitariam sentar com os clubes para discutir esse problema?
CN:
O problema não existe mais. Quando surgiu, chamamos todos para discutir. Não foram. Estamos abertos, mas queremos a imprensa junto. Se houver uma reunião, queremos que seja com a presença da imprensa. Nos reunimos a qualquer hora. Podemos mostrar tudo. O basquete feminino tem as mesmas condições do masculino.

"Queremos a coisa bem aberta. Não somente duas pessoas se encontrarem. O basquete feminino é muito grande. Querem discussão? Então, vamos fazer algo aberto. E aí terminam essas ilações", Carlos Nunes

Os clubes dizem que a reunião para qual foram chamados em dezembro já estava marcada anteriormente e que ela serviria para a CBB conversar com o Ministério do Esporte. Assim, não seria possível discutir as reivindicações do colegiado. Isso é verdade?
CN:
É um julgamento deles. Chamamos eles, a imprensa, o COB e o Ministério do Esporte para discutir. Infelizmente, eles não foram. Mas queremos a coisa bem aberta. Não somente duas pessoas se encontrarem. O basquete feminino é muito grande. Querem discussão? Então, vamos fazer algo aberto. E aí terminam essas ilações.

Mudando de assunto, como está a busca por mais um patrocinador para a CBB? E as dívidas?
CN:
Continuamos atrás de um patrocinador. Já a questão das dívidas, estamos resolvendo. Ficamos estagnados, não podemos fazer investimentos e estamos esperando alguns projetos do governo. Se não tivermos um patrocínio privado... Temos uma conversação com três pretendentes, tem algumas organizações.

No fim do ano passado, o portal Uol publicou uma denúncia sobre o uso irregular de verba da CBB pelo senhor e sua esposa. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
CN:
Sobre isso, não vou mais me manisfestar. Vou me focar nas Seleções nesse momento.

Sobre a Seleção masculina, os jogadores brasileiros na NBA têm atuado pouco. Isso preocupa?
CN:
Pois é. Estamos tendo pouco aproveitamento dos jogadores da NBA. Mas o Rubén (Magnano) vai fazer uma visita novamente para avaliar. Mas com eles chegando inteiros aqui... Rubén tem uma programação apropriada para Olimpíada. Eles não podem é se machucar. Todos querem vir disputar os Jogos, então, estamos torcendo para não se machucarem.

A dívida da CBB com a Federação Internacional de Basquete (Fiba) já foi quitada?
CN:
Isso não tem mais. Está resolvido faz tempo. Após os Jogos Pan-Americanos, demorou um mês ou dois. Agora, não tem mais nada.