Joanna Maranhão

Joanna Maranhão foi uma das que se posicionou sobre as denúncias dos ginastas  (Foto: AFP)

LANCE!
30/04/2018
16:58
Rio de Janeiro (RJ)

A denúncia de um grupo de ginastas que afirmam ter sofrido abuso sexual durante anos por Fernando de Carvalho Lopes, ex-treinador da Seleção Brasileira, repercutiu no mundo inteiro. Nomes que tem levantado a bandeira contra todas as formas de assédio relembraram suas dores e expressaram seu apoio à atitude dos brasileiros, em especial a Petrix Barbosa, um dos poucos que mostrou a cara na reportagem do Fantástico, da "Rede Globo".

A nadadora Joanna Maranhão, de 31 anos, revelou em 2008 que foi abusada por um ex-técnico quando tinha apenas nove anos. Ao saber do caso na ginástica, disse que a dor do que viveu lá atrás ainda a atormenta.

- “Joanna, você viu a reportagem do Fantástico sobre os casos de abuso na ginástica masculina?” -“O que você acha disso?” Trouxe a público minha história há 10 anos e NUNCA vai deixar de doer e de me sentir impotente quando me deparo com histórias como essas. Para além do crime e das cicatrizes, das infâncias usurpadas, dos talentos desperdiçados, o que me revolta é o SILÊNCIO e a CONIVÊNCIA. É esse DISTANCIAMENTO dos que sabiam ou ouviram algo a respeito. Pedofilia é um crime que se alimenta de sombra e silêncio, me perdoe a franqueza mas se você já ouviu alguma história e disse algo como: - “Bom, melhor não me envolver nisso” ou, - “Comigo nunca aconteceu nada então prefiro não me manifestar”ou, - “Por isso que virou "viadinho", né?” ou, - “Mas pq só resolveu falar agora? Tá estranho isso aí”, - “Aconteceu há tantos anos pq você tá sofrendo com isso agora?”, -“Tá mas cadê a prova?” Você já falou ou pensou algo assim? Então você tem sua parcela de culpa SIM. Não importa quem você seja, o cargo que ocupe. Martin Luther King dizia que: “É sob o silêncio cúmplice dos decentes que alguns dos maiores crimes acabam sendo perpetrados.” Peço e espero que a imprensa tenha RESPEITO ao enfrentamento desses atletas, que não façam perguntas pedindo pra descrever os abusos porque isso significa REVIVER tudo e vocês não têm ideia de como dói. Apurem, falem, falem muito, mas tenham empatia com as vítimas e com suas famílias, por favor. Hoje, sigo para uma série de ações de combate à pedofilia pelo Brasil e eu não faço mais do que minha obrigação. Não sou mais forte nem melhor do que qualquer outra vítima, o que eu tive foi SUPORTE de todos os lados para buscar meu equilíbrio. Às vezes eu caio, fico na cama deitadinha sem coragem de sair pro mundo, passam uns dias e vou retornando, e é assim, vai ser pra sempre assim. Só que eu não quero que seja assim pra mais ninguém. #todoscontrapedofilia #projetoinfâncialivre #campanhapermanente

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"Trouxe a público minha história há 10 anos e NUNCA vai deixar de doer e de me sentir impotente quando me deparo com histórias como essa. Para além do crime e das cicatrizes, das infâncias usurpadas, dos talentos desperdiçados, o que me revolta é o SILÊNCIO e a CONIVÊNCIA. É esse DISTANCIAMENTO dos que sabiam ou ouviram algo a respeito. Pedofilia é um crime que se alimenta de sombra e silêncio, me perdoe a franqueza mas se você já ouviu alguma história e disse algo como: “Bom, melhor não me envolver nisso”. Peço e espero que a imprensa tenha RESPEITO ao enfrentamento desses atletas, que não façam perguntas pedindo pra descrever os abusos porque isso significa REVIVER tudo e vocês não têm ideia de como dói. Apurem, falem, falem muito, mas tenham empatia com as vítimas e com suas famílias, por favor. Hoje, sigo para uma série de ações de combate à pedofilia pelo Brasil e eu não faço mais do que minha obrigação. Não sou mais forte nem melhor do que qualquer outra vítima, o que eu tive foi SUPORTE de todos os lados para buscar meu equilíbrio. Às vezes eu caio, fico na cama deitadinha sem coragem de sair pro mundo, passam uns dias e vou retornando, e é assim, vai ser pra sempre assim. Só que eu não quero que seja assim pra mais ninguém", escreveu a atleta, em seu Instagram.

Outra que se manifestou foi a americana Aly Raisman, dona de três ouros olímpicos, um deles na competição por equipes na Rio-2016. Ela foi uma das cerca de 300 ginastas que acusaram Larry Nassar, ex-médico da federação americana de ginástica, julgado e condenado a mais de 360 anos de reclusão por abusar de atletas durante décadas.

"Devastada ao ouvir sobre os muitos ginastas no Brasil que foram abusados. Sobreviventes devem ser ouvidos e a justiça deve ser cumprida. Como deveria ser em todo lugar. Mundo da ginástica, repito, grito o mais alto que posso, ISTO É MAIOR DO QUE NASSAR. Federação Internacional e Comitê Olímpico Internacional, atuem agora. Não podemos esperar mais. Por que alguns apoiam abusadores? É tão repugnante e horripilante. Eu nunca vou entender isso. Os abusadores são monstros. Sociedade, pare de permitir que abusadores escapem de crimes horríveis. Quando será suficiente? Se você não acha que o abuso é um problema, acorde", disse a ginasta.