Bike Sebring

Daniela Genovesi já está em Sebring para a competição de 24h deste sábado (Foto: Divulgação)

Jonas Moura
11/02/2016
19:00
Rio de Janeiro (RJ)

A chegada de 2016 reservou a Daniela Genovesi mais do que milhas percorridas, obstáculos superados e o desafio de conviver com as dores e o cansaço. Bicampeã do Circuito Mundial da Associação de Ultramaratonas de Ciclismo (UMCA), a brasileira perdeu uma referência em sua carreira. A missão é tentar se reerguer.

Após a morte do ciclista e amigo Claudio Clarindo no dia 16 de janeiro, a atleta de 47 anos dará início à temporada neste sábado, com a disputa da Sebring 24h, na cidade de mesmo nome, nos Estados Unidos. A largada acontece às 9h30 (de Brasília). Ganha quem pedalar a maior distância em um dia, mas é preciso percorrer um mínimo de 643 km para que a pontuação seja validada.

Considerado um dos dez melhores ciclistas de longa distância do mundo, o santista foi atropelado quando trafegava de bicicleta na altura do km 244 da Rodovia Rio-Santos, no sentido Guarujá (SP), ao lado do companheiro de treinos Jacob Amorim, de 32 anos, que sobreviveu. O motorista Gabriel Bensdorf de Oliveira, de 24 anos, alegou ter dormindo ao volante. Ele responde por homicídio culposo (sem a intenção de matar).

– A perda ainda está difícil de digerir. Clarindo viria para cá e não conseguiu. Eu nem queria mais correr após o acidente. Fiquei muito insegura de ir para a estrada treinar. Infelizmente, no Brasil não temos condições de treino. Sempre nos arriscamos – contou a ciclista, ao LANCE!.

Claudio Clarindo (Foto: Reprodução/Facebook)
Claudio Clarindo morreu em janeiro (Foto: Reprodução/Facebook)

A ligação entre Genovesi e Clarindo se estreitou em 2008. Ela acabara de se classificar para o desafio que lhe renderia a maior conquista da carreira: a Race Across America (RAAM), em 2009. Foram 4.800 km percorridos entre Oceanside (EUA) e Annapolis (EUA). Ela conta que o ex-parceiro, único brasileiro na disputa, a ajudou a se preparar na época.

– Para voltar a me motivar, dedico todas as minhas conquistas que vierem neste ano a ele – disse a brasileira, que terá como maior desafio em 2016 a Race Across Italy, em abril.

Atualmente, Daniela é o nome a ser batido nas disputas de ultramaratona de ciclismo. No ano passado, ela estabeleceu o recorde mundial ao pedalar 2.193km com 22.655m de elevação acumulada em 120h20min, na Race Around Ireland. Mas tudo só foi possível com recursos próprios:

– Minha maior dificuldade para continuar é a falta de apoio e patrocínio. No ciclismo, tudo é muito caro, desde equipamentos até as viagens.

A Sebring 24h é a primeira prova da atual temporada do Circuito Mundial, valendo 30 pontos no ranking. Genovesi espera somar 210 até a metade do ano. Em 2015, ela conquistou o bicampeonato mundial acumulando quase o dobro da pontuação da segunda colocada.

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BATE-BOLA

Daniela Genovesi Ciclista, ao LANCE!

‘Eu virei o alvo a ser batido’

O que essa prova em Sebring tem de diferente das demais ?
O grande diferencial da competição é que estaremos em contato visual com as adversárias o tempo todo. Isso a torna mais acirrada e perigosa, pelo menos para mim, pois saber das rivais pode atrapalhar o meu ritmo.

Como foi a sua preparação?
Ainda estou em minha fase de base, logo não alcancei 100% da minha condição física. Fiz alguns treinos longos de 200km no Rio, procurando sempre um terreno em condições parecidas com as que irei encontrar aqui. Quero chegar ao auge em abril, quando disputarei a Race Across Italy (de 270km), que já ganhei duas vezes.

Após tantos títulos e recordes, como ainda encontra motivação?
Fico feliz e motivada em sempre buscar novas marcas. Agora, tudo mudou. Por já ter importantes títulos, a cobrança é maior. Sempre esperam que eu ganhe. Eu ganhar não é novidade para ninguém (risos). Mas, para mim, tudo é uma nova e difícil conquista. Eu virei o alvo a ser batido.