Lucas Dias vem fazendo um bom campeonato nacional pela equipe do Pinheiros (Foto: Divulgação/LNB)

Lucas Dias vem fazendo um bom campeonato nacional pela equipe do Pinheiros (Foto: Divulgação/LNB)

Felipe Domingues 
20/03/2016
09:14
Mogi das Cruzes (SP)

Imagine você, um fã de basquete, com apenas 16 anos, receber um convite para disputar o Jordan Classic, principal campeonato do mundo para jovens. Agora faça outro exercício de imaginação, e pense que você foi escolhido o MVP (melhor jogador) da partida e, no fim, teve a chance de conhecer e apertar a mão de Michael Jordan. Para Lucas Dias, ala do Pinheiros no NBB, isso não foi apenas um sonho, mas sim uma de suas melhores lembranças.

Em 2012, o jogador foi convidado para a disputa nos Estados Unidos, que já teve em seu rol de atletas nomes como LeBron James e Kyrie Irving. Dias chegou desacreditado, mas terminou como herói na vitória de seu time na prorrogação (89 a 87), marcando 18 pontos e pegando 12 rebotes.

No fim, ainda pode conhecer, apertar a mão e fazer uma pergunta àquele que é considerado o melhor atleta da história do esporte: Michael Jordan, seis vezes campeão da NBA com o Chicago Bulls. Quem disse que sonhos não se tornam realidade?

- Nunca vou esquecer. Quando cheguei lá, ninguém dava muita atenção para mim. Pensavam: "Ah, é mais um carinha do Brasil". Quando cheguei nos treinos, as pessoas ficavam duvidando do meu potencial, e eu fico bravo com isso. Foi uma experiência que me ajudou muito - disse o jogador, em entrevista ao L!.

Quanto ao momento especial que dividiu com a lenda, Lucas não conseguiu segurar o sorriso ao ser questionado pela reportagem do LANCE!. Até então tímido, o jovem se transformou ao falar de Jordan, mesmo que "a ficha" tenha demorado a cair.

- Foi inacreditável. Eu não conseguia parar de olhar para ele. Não dava, ele chama muita atenção. Parece um dom que ele tem. Eu não acreditava que eu estava ali, falando com ele. A ficha foi cair quando eu cheguei no clube e pensei: "Cara, eu peguei na mão do Michael Jordan" - comentou.

O surgimento de Dias, inclusive, se dá graças à criação da Liga de Desenvolvimento do NBB, em 2011, destinada aos jovens atletas. O ala participou de todas as competições desde então. Ao seu lado em algumas partidas esteve Bruno Caboclo, selecionado na primeira rodada do Draft de 2014 pelo Toronto Raptors, da NBA.

Para Lucas, seu potencial se iguala ao do ex-companheiro, e seu caminho para a maior liga de basquete do mundo pode ser o próximo passo de sua carreira. Com a ausência da renovação de alas na Seleção Brasileira, já que o elenco comandado por Rubén Magnano tem os mesmos atletas há mais de 15 anos, quem sabe o nome do jovem não aparece em uma próxima convocação.

- Todo o jogo que eu faço algum treinador chega em mim, me ajuda. O Lula Ferreira, por exemplo, já fez isso. Me disse que eu precisava melhorar aqui e ali. Estou no caminho certo. Se eu continuar assim consigo chegar à Seleção - analisou, antes de completar:

- Sempre vejo os caras (da Seleção) jogando na televisão, disputando campeonatos internacionais, e eu sempre tive eles como espelho. Quando jogo contra eles, sempre tento atuar bem, para ver se meu nível está chegando próximo. Sempre pensei em Seleção, desde quando comecei a jogar.

Na noite deste sábado, o jovem participou da disputa do Jogo das Estrelas do campeonato nacional, que aconteceu em Mogi das Cruzes (SP). Apesar de atuar pouco, foi responsável por marcar 12 pontos para a sua equipe.

Aparentemente, na vida de Lucas Dias os sonhos costumam se tornar realidade. Com ótimas atuações no campeonato nacional, mais um deles parece estar chegando cada vez mais perto.

*O repórter viaja a convite do NBB

Acho que dá para apostar no meu nome (para a Olimpíada de 2020). A Seleção já tem nomes em uma idade boa. Quero estar lá em 2020. Se eu seguir trabalhando, acho que vou chegar - Lucas Dias

Bate-Bola - Lucas Dias, ala do Pinheiros, ao LANCE!


LANCE! - Diziam que você seria melhor que o Bruno Caboclo. Acha que vai seguir seus passos?
LUCAS DIAS -
Acho que meu próximo passo é esse (NBA). Quando o Bruno Cabloco estava lá no Pinheiros ele tinha um papel diferente do meu. Ele deu preferência à Liga de Desenvolvimento, e eu preferi seguir no adulto. Isso mudou as coisas, porque ele passou a ter bons números e eu não atuava tanto. Ele também tinha essa chance de treinar mais e mais forte. Eu tinha de estudar e voltar para o clube. A Liga ajudou bastante ele. Mas eu estou no caminho certo. As coisas vão acontecer naturalmente.

L! - Como foi ter sido o melhor no torneio do Jordan?
LD -
Fui ver o replay do jogo e não estava acreditando. Durante o jogo eu queria cada vez mais. Marcar pontos, pegar rebotes, queria mostrar para eles que eu não estava lá para brincar e que no Brasil não tem só futebol. Terminei com 18 pontos e 12 rebotes em 30 minutos.

L! - Qual pergunta você fez a ele?
LD -
Ah, isso foi muito legal, cara. Eu perguntei para ele como foi a experiência de ter jogado contra o Brasil (na Olimpíada de 1992) e ele disse que gostava muito do Oscar.

L! - Acha que vai estar na Olimpíada de Tóquio (JAP), em 2020?
LD -
Acho que dá para apostar no meu nome. Estou começando agora, comecei a me firmar no adulto. A Seleção já tem nomes em uma idade boa. Quero estar lá em 2020. Se eu seguir trabalhando, acho que vou chegar lá.

L! - Tem preferência por algum time na NBA?
LD -
Não tenho preferência nenhuma, só de estar lá já deve ser um prazer enorme.

Lucas Dias tem boas médias contra atletas da Seleção Brasileira

No campeonato nacional, Lucas Dias atuou oito vezes contra os times que possuem atletas da Seleção em seu elenco: Flamengo (Marcelinho Machado, Marquinhos e Rafael Luz), Bauru (Alex, Rafael Hettsheimeir e Ricardo Fischer), Brasília (Guilherme Giovannoni) e Mogi das Cruzes (Larry Taylor).

No total, o jovem ala conquistou duas vitórias (Fla e Bauru) e perdeu seis vezes. Mesmo assim, alcançou boas médias. Contra os cariocas marcou 28 pontos e pegou nove rebotes nos dois jogos. Contra os bauruenses, foram 29 pontos e 12 recuperações.

Já contra o Brasília, as médias caíram um pouco. Foram 26 pontos e cinco rebotes. O que foi compensado contra o Mogi, já que Lucas foi responsável por 39 pontos e ainda recuperou oito bolas.