Luis Fernando Coutinho
05/09/2016
12:13
Rio de Janeiro (RJ)

O nocaute sofrido contra Stipe Miocic naquele que prometia ser o maior momento de sua carreira, no dia 14 de maio, em Curitiba, pelo UFC 198, mexeu com Fabricio Werdum. Apesar de rapidamente ter "virado a página" rumo ao próximo desafio no octógono após a perda do cinturão dos pesados, o gaúcho garante uma nova postura. O sorriso não vai sumir de seu rosto, mas o espaço para ações polêmicas e até cara feia está aberto.

Em entrevista ao LANCE!, Werdum avalia a reação da torcida brasileira a sua derrota, o impacto que isso teve na famosa brincadeira da "Happy Face" (Cara feliz, em português) e já garante foco na vitória contra Travis Browne, neste sábado, pelo UFC 203, em Cleveland (EUA), para garantir sua nova chance pelo título dos pesados. 

- O (Cain) Velasquez fez uma boa luta com o Travis (Browne, no UFC 200), O UFC já quer botá-lo na disputa, mas vai depender da minha luta. Pedi para lutar no mesmo dia que o (Stipe) Miocic para usar uma estratégia, para falar depois da luta e me promover como tem que ser. Essa coisa de ser o bonzinho não dá muito certo. Associaram a "happy face" com a derrota, mas se eu tivesse ganho ia ser o contrário. Essa careta que gosto tanto eu vou continuar brincando, do meu jeito, mas preciso me promover mais, os fãs gostam disso. O bonzinho não dá muito certo nesse mundo. Na verdade, ser você mesmo não dá certo. Sempre fui de dar risada, fui alegre e ninguém falou nada porque sempre ganhei. Mas como perdi, já caíram em cima - desabafou o lutador, em conversa por telefone.

Sedento pela nova chance pelo título dos pesados, Fabricio sabe o que tem de fazer. Com Velásquez automaticamente na disputa após o nocaute contra Browne, em julho, mais do que a vitória é a "polêmica" após a luta que pode garanti-lo na disputa.

- Fazendo uma luta espetacular vai ajudar muito, né? Vou querer fazer uma polêmica. Ser o bonzinho não funciona bem. Depois da coletiva, vamos fazer um barulho. Dar uma rasteira no Dana (White, presidente do UFC), jogar a mesa para cima (risos). Quando você fica de bonzinho as pessoas criticam e não te dão o valor que tu merece. O negócio é fazer tumulto mesmo - reforçou.

Confira um bate-papo com Fabricio Werdum

Você acha que a vitória te garante uma nova chance ao título? 
A categoria deu uma embolada, mas está entre eu e o Velásquez. Vai depender da minha luta, de como for. Se for por pontos ou nocaute, finalização, ou se for contra o Overeem, que seria uma trilogia, seria legal. Contra o Miocic será uma revanche, estou ali, sou o primeiro do ranking, mas tenho que fazer barulho, fazer acontecer. Não dá pra ser muito queridinho e ser tu mesmo. Tem que criar um personagem para poder vender mais e chamar mais atenção. Vou dar uma "vassoura"... Vou dar uma baiana no Dana White para chamar atenção.

Cite uma das críticas que mais te incomodaram após a derrota...

Pensam que temos de estar 24 horas treinando, mas temos uma vida normal.
Estou fazendo vários filmes. Estou no segundo filme "Kickboxer", farei o terceiro com o Antônio Banderas. Tenho que correr atrás do meu, não pensar nos outros. Sou comentarista, sou embaixador na Chechênia, América Latina, comento as lutas... Poucas pessoas sabem que sou comentarista no UFC Network. Faço a minha, pois sei que é importante pensar no futuro. Nem penso em me aposentar, mas é importante pensar paralelamente ao MMA. Não sou obrigado e não tenho condições de treinar 24 horas por dia.

Como foi depois da derrota? Demorou a cair a ficha?
A volta é sempre meio complicada. Quando perdemos é ruim, buscamos motivação, mas me encontrei rápido. Foi difícil, uma luta muito esperada e em casa, mas aconteceu. Estava muito bem e tudo 100%, estava ansioso para a luta. Isso pode ter atrapalhado, mas já passou, estou 100% recuperado. Fiquei triste, mas já estou bem. Quero vencer e já me credenciar ao cinturão.

O que você projeta para sua próxima luta?
Quero nocautear ou finalizar. Tenho que fazer uma luta boa, pois está entre eu e o Velásquez. O Cain deu um giratório, surpreendeu, o Travis não lutou bem com ele. O Velásquez foi naquele estilo dele e depende muito dessa luta para me credenciar pelo cinturão. É luta de três rounds, faz tempo que não faço. Não interessa como for, preciso levantar o braço com a vitória.