Anderson Silva e Vitor Belfort se enfrentaram no UFC 126 (FOTO: UFC)

Anderson Silva e Vitor Belfort se enfrentaram no UFC 126, em fevereiro de 2012 (FOTO: UFC)

Luis Fernando Coutinho
17/11/2015
11:31
Rio de Janeiro (RJ)

Quem trabalha no mundo das lutas e acompanha a carreira de Anderson Silva e Vitor Belfort sabe o que a luta entre os dois representou para o sucesso do MMA no Brasil e consegue facilmente projetar o que uma revanche entre os dois poderia representar nos dias de hoje. Mas, vamos por partes.

Para começar, Spider x Belfort é assunto praticamente proibido para os dois. É quase uma missão impossível arrancar algo de Anderson a respeito de Vitor e tão complicado quanto é fazer o fenômeno comentar o "aranha".

Por quê? A primeira luta gerou uma rivalidade enorme. Spider e Vitor treinaram juntos por um tempo na Team Nogueira, no Rio de Janeiro. Meses depois, Belfort pediu e ganhou a chance de disputar o cinturão contra o ex-companheiro, algo que foi mal recebido por Anderson - segundo ele Vitor quebrara o "código de honra" da equipe, que não aceita o confronto entre parceiros de treino.

A luta aconteceu em fevereiro de 2012, representou o "boom" do MMA no Brasil, Anderson Silva nocauteou Vitor Belfort de forma antológica, manteve o cinturão, mas a mágoa parece ter seguido. É a única explicação para a aversão exercida por ambos ao assunto.  

O tempo passou e as direções não se encontraram novamente. 

Após Vitor, Spider ampliou seu reinado, bateu recordes, depois perdeu seu cinturão, quebrou a perna, voltou com vitória, foi pego no doping, pagou mico em audiência e será liberado a voltar ao octógono em fevereiro de 2016.

Após Anderson, Belfort nocauteou cinco rivais, finalizou um, perdeu em outras duas disputas de título, se envolveu em mais dois casos de doping, quebrou novo recorde no UFC e está pronto para voltar ao octógono no início de 2016.

Anderson, aos 40, dificilmente vai conseguir um resultado tão espetacular quanto na primeira luta. Por outro lado, vencer Belfort pela segunda vez pode alçá-lo novamente ao posto de maior ídolo do país na modalidade independente das últimas polêmicas.

Vitor, aos 38, pode ter a chance de se vingar da derrota para o rival e somar mais um feito histórico na carreira, em busca de ainda mais popularidade (que nunca é demais) e quem sabe se tornar o maior nome do Brasil no UFC.

Não, não esqueci dos campeões José Aldo, Fabricio Werdum, Rafael Dos Anjos e companhia. Me refiro a popularidade e impacto junto aos torcedores. Ninguém no Brasil mexe tanto com o público das lutas quanto Anderson Silva e Vitor Belfort. É quase como lidar com torcidas organizadas. Quem gosta de um, quase sempre torce contra o outro. Um novo "boom", mesmo que em outra escala, seria bom para ambos, para os fãs, e, claro, para o UFC.

Por fim, a luta faz muito sentido devido a situação da categoria dos médios. No dia 12 de dezembro, no UFC 194, em Las Vegas (EUA), o campeão Chris Weidman defende o título contra Luke Rockhold. No mesmo dia, será definido o próximo da fila entre Ronaldo Jacaré e Yoel Romero. Ou seja: os quatro primeiro colocados da categoria estão ocupados. Enquanto isso, Anderson Silva e Vitor Belfort podem se enfrentar. É uma luta competitiva e ambos sabem que o impacto de uma vitória em uma revanche dessa encheria os olhos do mundo e os deixaria bem perto de uma nova chance pelo cinturão do UFC.

Esperar para fazer o duelo no futuro pode não ser uma boa ideia. Alguém pode perder, se aproximar da aposentadoria e já era. Fora que em termos de promoção, é um grande negócio. De um lado, um ídolo que retorna ao octógono depois de longo tempo em busca de redenção; do outro, um ícone brasileiro vindo de nocaute arrasador e querendo continuar provando que pode ser campeão outra vez.

Veteranos que são, à essa altura, lidar com esse "assunto chato" pode render frutos preciosos para quem sonha voltar a brilhar com mais força no UFC.

Ambos precisam dessa luta para consolidar algo na carreira? Não. É arriscado para ambos? Sim. Mas talvez seja a última chance de ver os dois maiores nomes do MMA no Brasil dentro do octógono. Sonhar não custa nada.