Luis Fernando Coutinho
05/02/2016
11:24
Rio de Janeiro (RJ)

O início do carnaval 2016, festa que explodirá pelo Brasil com cores, músicas e fogos de artifícios guarda uma lembrança especial ao fã de lutas. Exatamente cinco anos atrás, no dia 5 de fevereiro de 2011, o verdadeiro "boom" do MMA "fazia seu barulho" dentro do octógono e colocava a modalidade em um novo patamar no país. Na "luta do século", Anderson Silva e Vitor Belfort fizeram um número até então inimaginável de torcedores pararem diante de uma televisão para assistir a uma luta do UFC.

A edição em questão era a de número 126, ocorrida em Las Vegas (EUA), no Mandalay Bay Events Center. De um lado, o maior nome brasileiro da modalidade, campeão soberano e possivelmente o melhor lutador de MMA de todos os tempos; do outro, o fenômeno brasileiro que se destacou nos primórdios do Ultimate e nome mais popular no Brasil devido a participação no reality show Casa dos Artistas, do SBT. O encontro perfeito para tornar a modalidade popular no país.

A expectativa para a luta era enorme. Primeiro porque o duelo já havia sido marcado para abril de 2010, mas foi desmarcado devido a uma lesão de Belfort na preparação. Spider acabou enfrentando Demian Maia e Chael Sonnen, em duas atuações históricas - uma de forma negativa e outra de forma positiva - e só encarou Vitor em fevereiro de 2011. Além disso, uma rivalidade entre ambos fora aflorada. Para quem não sabe, Anderson e Vitor foram companheiros de treinos no Rio de Janeiro, anos antes, na Team Nogueira. Isso incomodou especialmente o Silva, que sempre declarou que Vitor havia quebrado o código de honra da equipe: "parceiros de treinos não se enfrentam".

Dois ícones no mundo das lutas frente a frente pelo título dos médios, diga-se de passagem - como se já não bastasse tantos ingredientes relevantes. Mais do que tudo, era a oportunidade de mostrar ao mundo que o Brasil era bom naquele esporte. E convenhamos: brasileiro gosta de vencer, não importa o esporte, certo? No MMA o público descobriu uma fonte grande de vitórias, e quem abriu as portas foram esses dois personagens em questão.

A luta durou 3m25seg. Depois de um início estudado, onde ambos demoraram a soltar os primeiros golpes, Vitor acertou socos em Anderson enquanto o rival esboçava suas brincadeiras costumeiras. Após sentir a mão de Vitor, Anderson acordou, percebeu que estava diante de uma ameaça real e encerrou o combate com talvez o desfecho mais brilhante já visto em uma luta de MMA. Com um chute alto frontal no queixo de Belfort, Spider conquistou um nocaute espetacular e entrou para a história. A partir dali, o MMA entrou no campo de visão do fã de esportes tupiniquim e ganhou seu espaço cada vez mais.  


E se engana quem pensa que esse confronto acabou por aí. Cinco anos se passaram e, vejam só, ambos seguem como os maiores nomes do MMA no Brasil. São os donos dos maiores picos de audiência, maior apelo, maiores contratos, maiores popularidades... A rivalidade? Segue firme. Ela não é alimentada e nem comentada pelos dois, mas está viva dentro de cada fã de lutas. Com o mínimo de atenção se nota que a maioria dos torcedores que idolatram o Vitor não gostam do Anderson e vice-versa. E, de fato, apenas astros como Anderson Silva e Vitor Belfort são capazes de sustentar essa torcida apaixonada e fiel. É como o maior clássico do MMA no Brasil.

Cinco anos depois, em situações diferentes daquela de 2011, Anderson se prepara para encarar Michael Bisping no UFC Londres, dia 27 de fevereiro, enquanto Vitor Belfort enfrenta Ronaldo Jacaré no dia 14 de maio, em evento no Brasil. A boa notícia é que a ambição dos dois é a mesa: conquistar o cinturão dos médios da organização. Quem sabe eles não se encontram no caminho? É algo completamente possível.

O MMA é sucesso no Brasil muito por conta deles. Hoje é uma realidade mais forte que a maioria dos esportes fora o futebol, claro. Spider e Belfort deram o pontapé inicial no jogo que segue emocionando o público brasileiro até hoje.

Acredite: a missão de ambos no esporte já foi cumprida há tempos. E com maestria. Mas os dois são apaixonados pelo que fazem, seguem firmes e fortes aos 40 (Spider) e 38 (Vitor) anos. Os astros tem força e gás para se manterem no topo por mais cinco anos. Quem duvida? Aliás, que tal um novo "boom"? O UFC ainda tem missões a serem concluídas no Brasil e cinco anos depois (é bom lembrar sempre) só eles são capazes de concluir, de lutar por isso. Juntos em uma revanche ou separados no mesmo show. Um evento num estádio de futebol, um The Ultimate Fighter Brasil de sucesso, e por aí vai...

A "luta do Século" não acabou. Sorte a nossa.