Luis Fernando Coutinho
18/04/2016
12:39
Rio de Janeiro (RJ)

Aos 27 anos, Amanda Nunes teve confirmada a luta mais importante de sua carreira. Com 12 vitórias e quatro derrotas no MMA, a baiana vai disputar o cinturão peso galo feminino contra a campeã Miesha Tate, dia 9 de julho, em Las Vegas (EUA), pelo UFC 200. E sobram exemplos para a brasileira se apegar rumo ao título.

Além das últimas disputas de cinturão, vencidas por lutadoras consideradas como azarão (Holly Holm, que nocauteou Ronda Rousey e Miesha Tate, que finalizou Holly Holm), Amanda lembra o triunfo histórico de Chris Weidman contra Anderson Silva, em julho de 2013, quando o americano quebrou a invencibilidade épica do brasileiro. 

- Não estou nem aí para o que as pessoas estão falando agora. Estou numa felicidade imensa de disputar o cinturão. Isso é maior do que qualquer comentário. Não posso deixar me afetar por comentários ruins e negativos. Tenho que saber que quando fecha a porta do cage, tudo pode acontecer. Veja o exemplo do próprio Anderson Silva contra o Chris Weidman. O Chris tomou o cinturão do Anderson quando ele era imbatível. Tenho de pensar assim. Acho que quando entram ali duas pessoas que tem o mesmo objetivo, tudo pode acontecer. Tem que acreditar. Até acompanho minhas redes sociais, especialmente o Twitter, mas sou tranquila quanto comentários negativos - explicou a desafiante ao título, em conversa pelo telefone com o LANCE!.

Amanda Nunes ainda explicou que após sua vitória contra Valentina Shevchenko, no UFC 196, seu maior receio para garantir a chance pelo cinturão da categoria tinha um nome: Ronda Rousey. O iminente retorno da estrela poderia ser um empecilho em seu caminho.

- Esse era o único problema (a Ronda voltar a lutar). Mas depois quando fiquei sabendo que ela não ia voltar agora fiquei mais tranquila e sabia que a minha oportunidade estava chegando. Tinha certeza de que se a Ronda não voltasse, eu ganharia a chance pelo cinturão - comemorou. 

Amanda Nunes disputa cinturão do UFC em julho (FOTO: Divulgação)
        Nunes disputa cinturão do UFC em julho (FOTO: Divulgação)


Confira um bate-papo com Amanda Nunes
Como você lida com a posição de azarão?
Eu já me acostumei com isso. Acho que sempre entrei no octógono como azarão. Mas não me importo com isso, não. Acho que todo atleta que vai disputar o cinturão chega como azarão. Isso faz parte. Vou aproveitar essa oportunidade e trazer o cinturão para o Brasil.

O que você tira de aprendizado depois de ver Holm e Tate (que chegaram como azarão) conquistarem o cinturão?
Acho que é importante ficar mais atenta e ficar ligada nas oportunidades da luta, tentar ao máximo não cometer tantos erros. Quando você faz alguma coisa errada, precisa estar mais ágil para se recuperar. É importante treinar a recuperação. Tem muito lutador que chega numa situação ruim e não sabe como lidar, não consegue reverter e sair com facilidade. Outra coisa importante é ouvir bem os treinadores. Quem está de fora muitas vezes vê melhor. Temos de escutar bem. Na minha última luta, no terceiro round, ouvi muito meu córner. Isso faz a diferença.

Como você recebeu a notícia da chance pelo cinturão?
​Meu empresário me ligou, estava em casa descansando, ele mandou uma mensagem, na verdade, e depois ligou. Foi só alegria! O UFC confirmou logo depois e isso me deixou muito feliz.