Vitor Miranda e Cara de Sapato na final do TUF Brasil 3 (FOTO: Divulgação)

                 Vitor Miranda e Cara de Sapato fizeram a final do TUF Brasil 3, em maio de 2014 (FOTO: Divulgação)

Carlos Antunes e Luis Fernando Coutinho
10/03/2016
09:05
Rio de Janeiro (RJ)

O fã de lutas mais atento já deve ter notado algo estranho no início de ano do mundo das lutas no país: a falta de uma edição do The Ultimate Fighter Brasil. Segundo o blog Na Grade do MMA, a Rede Globo optou por cancelar o reality show do Ultimate em 2016 "por estratégia de grade". Sem previsão sobre uma nova edição do programa nos próximos anos, ex-participantes do TUF Brasil falam ao LANCE!, lamentam a falta que o programa fará e a quantidade de portas que deixam de ser abertas a atletas brasileiros rumo ao octógono.

Campeão da terceira temporada do TUF Brasil pela categoria dos pesados, Antônio Cara de Sapato refletiu a respeito da decisão e lamentou as chances menores que atletas tupiniquins terão de chegar ao maior evento de MMA do mundo sem o reality show. O paraibano chegou ao programa com menos de um ano no MMA.

- Fiquei triste demais, lamentei bastante. Não estou por dentro do motivo que levou a tirar o programa do ar, mas lamento pelos lutadores brasileiros. Assim como eu tive, muitos brasileiros teriam oportunidades através do TUF. Eu cheguei no TUF com apenas três lutas, ainda não era conhecido no MMA e acho que teria de percorrer um caminho muito longo para chegar até o UFC se não fosse o TUF. Fico triste e espero que voltem atrás com a decisão, que possam retornar com o programa. Foi uma experiência muito boa pra mim - lembrou o lutador de 25 anos, em conversa ao telefone.

"Acho que a falta do TUF Brasil na temporada representa um retrocesso para o esporte no Brasil"

Vitor Miranda, aos 36, viu no TUF o caminho mais curto para chegar ao Ultimate. Desde o segundo lugar no TUF Brasil 3, onde perdeu na final para Cara de Sapato, em 2014, o catarinense já emplacou três vitórias por nocaute na categoria dos médios. Na opinião dele, a falta do TUF é um retrocesso para a modalidade no país.

- Fiquei muito triste, achei uma pena. Não sei se será para sempre, mas sou prova de que isso (o TUF Brasil) funciona, que essa é a oportunidade de 16 atletas do Brasil, e a maioria consegue ter uma chance no UFC. Pelo menos a metade consegue assinar com o Ultimate. Era uma excelente porta de entrada. Com o programa, o público já te conhece, fica com uma base legal de fãs. Foi uma pena. Acho que isso representa um retrocesso no esporte no Brasil - opinou o lutador.

Viscardi Andrade vem de vitória no UFC (FOTO: Divulgação/Inovafoto)
        Viscardi Andrade soma duas vitórias no UFC (FOTO: Inovafoto)


Viscardi Andrade compartilha da opinião de muitos fãs que acreditam no fracasso das últimas edições do TUF Brasil por conta do horário que o programa foi ao ar, sempre na madrugada de domingo para segunda-feira.

- É algo bem triste. Era uma forma que tínhamos de divulgar o esporte no Brasil. Funcionou bem nos EUA, no começo aqui também, mas não sei o motivo do corte. Acho que o horário dava baixa audiência. Isso vai tirar oportunidade de muita gente. Espero que volte no ano que vem - completou.

Ao todo foram quatro edições do TUF Brasil. A primeira foi ao ar em março de 2012 e teve Wanderlei Silva e Vitor Belfort como treinadores. No ano seguinte, Fabricio Werdum e Rodrigo Minotauro lideraram o show. A terceira edição contou com Wanderlei Silva e Chael Sonnen, em 2014. A última edição ocorreu em abril de 2015, com Mauricio Shogun e os irmãos Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro, que substituíram Anderson Silva, flagrado no doping e retirado do show.