Dominick Cruz

              Ex-campeão do UFC encara TJ Dillashaw em disputa de cinturão neste domingo, em Boston (FOTO: UFC)

Luis Fernando Coutinho
12/01/2016
13:20
Las Vegas (EUA)

Se existe um astro do UFC que pouco tem se apresentado nos últimos anos este é Dominick Cruz. Em outubro de 2011, o americano venceu Demetrious Johnson na decisão em disputa de cinturão dos galos. Depois disso, fez apenas uma luta em quatro anos e três meses. O motivo? Frequentes lesões no ligamento cruzado anterior do joelho direito. Agora recuperado, o ex-campeão dos galos encara TJ Dillashaw neste domingo, pelo UFC Boston, em busca de retomar o cinturão da categoria. Ou, na verdade, retomar o que a peça representa financeiramente.

Em dezembro de 2013, então escalado para enfrentar Renan Barão em duelo que unificaria os cinturões dos galos do UFC, Cruz se lesionou pela terceira vez seguida e teve o título retirado. Barão então se tornou o campeão absoluto. Mas se engana quem pensa que Dominick sente falta do objeto de desejo de tantos lutadores de MMA. O foco de Cruz é recuperar o cinturão pelo que a peça representa financeiramente no mercado. Em conversa com o Lance! durante um Media Day realizado em Las Vegas, em dezembro, o americano explicou seu sentimento.

- Quando vejo o cinturão enxergo mais patrocinadores e mais dinheiro. Então eu sinto falta de entrar lá e fazer o maior montante de dinheiro que puder. De uma forma ou outra, estou levando meu corpo ao limite e não estou sendo pago. A verdade é que a preparação é o pior. E quando você tem o cinturão, você recebe mais dinheiro enquanto está na preparação. Isso é importante. Não jogamos basquete, então precisamos e sentimos falta de ter um retorno financeiro mensalmente. Você só recebe mensalmente se tem patrocinadores, e só tem patrocinadores bons se você tiver aquele cinturão. E sem aquilo ninguém liga para você, na real. Eu sinto falta de fazer um dinheiro decente nesse jogo. Isso é o que o cinturão representa - explicou o lutador, que lutou pela última vez em setembro de 2014, quando nocauteou Takeya Mizugaki de forma arrasadora no primeiro round.

Questionado sobre o valor que o cinturão tem por representar um campeão mundial, Cruz pondera que o fator principal para descrever um campeão não é o atleta que defende bem seu título ou conquista uma vitória, e sim aquele que passa por todo o processo doloroso de forma gloriosa.

- Ser um campeão mundial é mais importante por conta do processo que te faz campeão. Muitas pessoas tem cinturões. Mas o que o faz campeão é o que eles passaram na preparação. Tudo o que superaram. Por exemplo: Jon Jones passou por coisas diferentes na preparação do que eu. Essas experiências fazem tipos diferentes de campeões - avaliou, citando Jones, que perdeu o título dos meio-pesados depois de se envolver em um acidente de trânsito que lesionou uma grávida e chegou a ser preso por algumas horas.

Alimentando uma rivalidade desde que a luta com Dillashaw foi anunciada, Dominick não perdeu a oportunidade de alfinetar o rival ao falar sobre a postura de um campeão.

- TJ Dillashaw: ele lutou com um cara que foi avisado duas horas antes da pesagem (Joe Soto). Isso significa mais do que eu ficar imerso oito semanas em uma preparação para uma pessoa? É diferente. Quando ele estava treinando para Barão, Barão saiu e ele aceitou Joe Soto... Ele não pode se dar crédito por aquela luta. Todos os cinturões que venci, os caras estavam prontos para me enfrentar, apareceram, e ainda estão competindo por títulos por aí. Eu não sei onde aquele cara (Soto) foi parar. É diferente. Isso é o que faz um campeão, o processo. Não é apenas aquela noite e a luta, mas todo o processo antes disso - concluiu o lutador.