Luis Fernando Coutinho
22/07/2016
10:00
Rio de Janeiro (RJ)

Aos 23 anos, ela soma títulos mundiais no jiu-jitsu e se consolidou como uma das maiores lutadoras da história da arte suave. Após atingir o topo da modalidade, agora Mackenzie Dern encara um novo desafio: o MMA. Nesta sexta-feira, a americana enfrenta Kenia Rosas em confronto pelo Legacy FC 58, em Louisiana (EUA), e chega ao evento com uma expectativa grande do público em torno de si. 

Jovem, determinada e bela, a atleta reúne atributos que a tornaram popular na internet de forma rápida. E a questão, além de impulsionar sua popularidade, motiva a lutadora a mostrar que "é mais do que um rosto bonito".   

❤️ for all of you guys!!! // ❤️ para vocês todos! 📷 @thetruthjackson

Uma foto publicada por Mackenzie Dern (@mackenziedern) em


- Acho que o fato de ser bonita ajuda, é diferente, as pessoas estão acostumadas a achar que as mulheres do MMA não são tão femininas e não é verdade, conseguimos ter essa garra, ser lutadora e continuar sendo bonita, fazendo coisas que mulher bonita faz. Adoro dançar, gosto de fazer as minhas coisas. Não sou masculina por lutar. Qualquer coisa que quebre essa imagem de mulher masculina no MMA acho que é bom para o marketing e para incentivar as meninas. É legal ver que os homens gostam de ver uma mulher bonita e sinistra. Acho que sou assim. A beleza ajuda, faz as pessoas quererem ver suas lutas. Sinto que com o fato de ser bonita tenho mais a provar para mostrar que não sou só um rosto bonito. Consigo lutar também. Você quer mostrar mais e mais que é dura e não recebe oportunidades só por ser bonita - explicou a lutadora, em conversa por telefone com o LANCE!.

Campeã mundial de jiu-jitsu e do ADCC (maior torneio de luta agarrada do planeta) em 2015, ela explica a motivação de ingressar no MMA.

- Ainda tenho objetivos no jiu-jitsu, mas já alcancei a maioria deles. Ainda tem poucas mulheres no jiu-jitsu. Queria um novo desafio, por isso o MMA. Sempre tem dificuldades, mas (no jiu-jitsu) você se acostuma a lutar com as mesmas pessoas. Já que consegui meus títulos, procurei novo desafio. Já estava treinando MMA há um tempo. A Ronda (Rousey) abriu portas no MMA e vi que era uma hora boa para as mulheres no MMA. É o momento certo e a hora certa - avaliou.


Confira um bate-papo com Mackenzie Dern
Como você vê a imagem da mulher no MMA atual?
Com certeza tem muito a crescer ainda. Tem poucas mulheres no MMA, só duas categorias, mesmo assim não tem tantas mulheres num nível tão alto. Mas está crescendo e daqui a alguns anos vai estar bem melhor. Ainda está bem no início. Por isso vi uma oportunidade boa. São poucas que vem como a Ronda, do judô ou muay thai ou boxe... Poucas vêm de uma base forte. Tenho uma bagagem grande no jiu-jitsu. Muitas são do MMA, sabem de tudo, mas sem especialidade em nada.

Você tem alguma referencia no MMA feminino?
Nossa, acho que como atleta e lutadora a Ronda conseguiu defender o titulo e mostrou confiança e agressividade que é importante para a atleta. Por ser do chão, acho muito bacana a Holly (Holm), como ela conseguiu controlar bem sua distância contra a Ronda. Gostaria de um dia ser boa em pé assim. Quero chegar lá. Acho esse talento em pé legal também.

É difícil cuidar da beleza e ser lutadora?
Não, pra mim é fácil. Acho que é o gosto de cada um. Gosto de ser assim, não tenho que tentar me esforçar. A dificuldade é que pessoas tem essa imagem de que é difícil a mulher ser feminina.